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Yamandu / Foto: Isabela Kassow

| Yamandu Costa toca com a Camerata da Ação Social pela Música no Rio

12/01/2017 - Por Luciana Medeiros

O violonista gaúcho se apresenta na Sala Cecilia Meireles, no Rio, sexta (13) e sábado (14) ao lado de grupo do projeto comandado por Fiorella Solares, que mantém o ensino de música a jovens em comunidades há mais de 20 anos

 

Corria dezembro de 2016 e o violonista gaúcho Yamandu Costa embarcou para João Pessoa, onde participaria do 4º Festival Internacional de Música Clássica da cidade. Já no avião, ele sentiu no ar uma alegria em forma de juventude. Era a presença dos integrantes da Ação Social pela Música, um projeto que desde 1994 vem atendendo milhares de jovens de comunidades carentes pelo Brasil.

– Os meninos eram pura alegria de fazer música – conta Yamandu, num intervalo do ensaio para o concerto que fará com a Camerata do projeto no Rio. – Fiquei encantado e quis fazer um trabalho com eles.

O desejo virou realidade e o concerto acontece sexta e sábado, dias 13 e 14 de janeiro, na Sala Cecilia Meireles. Na primeira parte, Yamandu faz uma série de peças solo, como as suas Valsa Peruana e Habanera. Na segunda parte, ele divide o palco com os jovens da Camerata num arranjo especial de Fronteiras, sua peça com três movimentos, orquestrada por sua mulher, Elodie Bouny.

– É um programa inteiro voltado para os ritmos latino-americanos – afirma o violonista, que gravou a peça com a Orquestra de Mato Grosso, quatro anos atrás. – Tem força, tem narrativa. Eu gosto muito do formato da música clássica e minhas peças estão justamente nesse território fronteiriço do popular e do erudito.

Nascido em Passo Fundo, Yamandu – que faz 37 anos nesse mês, com mais de vinte anos de uma carreira precocemente consolidada e multipremiada – marca seu primeiro contato com a música fora da bolha regional em que viveu, inclusive pela influência do pai, também músico. E isso aconteceu aos 15 anos, ouvindo Radamés Gnattali pela interpretação de Rafael Rabello.

– Eu fiquei louco. E me sinto profundamente identificado com esses artistas como Radamés, Tom Jobim, Ernesto Nazareth, que transitaram pelas fronteiras dos gêneros musicais com genialidade. Vejo mais verdade no que faço quando toco as minhas peças, embora já tenha tocado o clássico tradicional para violão e orquestra.

Cheio de projetos em andamento – novo disco, aplicativo, desengavetar canções compostas com Paulo Cesar Pinheiro – o violonista reafirma sua admiração pelo trabalho de Fiorella Solares, à frente do projeto.

– Ela faz a diferença, mostra como a música transforma vidas. Vou escrever uma peça para eles, um divertimento para violão e cordas.

Música pelo Social

Camerata da Ação Social pela Música / Foto: Vitória Machado

 

É Fiorella Solares, violoncelista guatelmalteca, que responde pelo projeto Ação Social pela Música, que tem mais de 20 anos de atividades (veja reportagem aqui no Tutti).

– Yamandu é um gênio, está colocando uma enorme azeitona na nossa empada – ri Fiorella. -. Ele soube da nossa luta, do que enfrentamos para manter essa janela aberta, e disse: “Quero te ajudar, ajudar os jovens do meu país”. E estamos aqui.

O projeto, que tem núcleos em comunidades do Rio, de Campos e em outras capitais do Brasil, voltado para jovens em situação de vulnerabilidade social, não escapou da tensão em tempos de crise, mas a diretora viu mantido seu suporte através da Lei do ICMS.

– Passamos o ano de 2016 em muito aperto, mas conseguimos a continuidade do patrocínio do Instituto Net Claro Embratel, que nos apoia há sete anos. Em outubro, a burocracia se resolveu e pudemos nos segurar. Mas trabalhamos no zero antes disso. E 2017 é uma grande interrogação, para nós e para todo mundo. Mas vamos em frente.

Serviço:
Yamandu Costa + Camerata Ação Social pela Música do Brasil
Dias 13 e 14 de janeiro de 2017, às 20h
Local: Sala Cecília Meireles
Endereço: Largo da Lapa, 47 – Centro – Rio de Janeiro
Ingressos: R$ 40 (R$ 20 meia)

Programa:Obras de Yamandu Costa

Solos: Mangore / Don Juan / Esperando / Bem vindo / Choreco / Mexidão / Habanera / Sopro / Valsa Peruana / Porro
Fronteiras – com a Camerata Ação Social pela Música