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André Heller / Foto: divulgação

| URGENTE: Theatro Municipal do Rio troca de comando – André Heller-Lopes assume a direção artística e Secretário acumula a presidência

07/03/2017 - Por Luciana Medeiros

O diretor de ópera carioca assume a direção artística do Municipal e conversa em primeira mão com Tutti. Milton Gonçalves não assume a presidência do Theatro.

 

O ator Milton Gonçalves, anunciado como novo presidente da Fundação Theatro Municipal, não assumirá a função – segundo a Secretaria de Estado, em nota divulgada há pouco (veja a íntegra abaixo), por “orientação do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República, do qual é integrante desde o ano passado”. No lugar dele, assume o próprio Secretário, André Lazaroni, que não acumulará os dois salários – afirma, na nota, que devolverá o valor dos vencimentos como presidente à própria Fundação.

O carioca André Heller-Lopes assume como diretor artístico, vago com a saída de André Cardoso. Por telefone, Heller conversou com Tutti.

– Estou há vinte anos no métier.  Recebi o convite ontem do Secretário. Neste momento tão especial do Rio, do país,  quero pensar na valorização dos nossos talentos, nos cantores maravilhosos que temos. Esse é um voto de confiança importante.

Entrevista completa com Heller-Lopes no site, amanhã.

Aqui vai a nota da Secretaria de Cultura do Estado na íntegra:

Teatro Municipal tem novo diretor artístico, André Heller-Lopes, e novo presidente, o secretário André Lazaroni – que vai repassar o salário à Fundação

 Carioca e diretor de óperas, André Heller, músico por formação, diz que “vê o convite com grande emoção, como um desafio e um dever”

Após posicionamento do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República, do qual é integrante desde o ano passado, o ator Milton Gonçalves não permanecerá à frente da presidência do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, para o qual foi nomeado. De acordo com o ator, a secretaria executiva do Conselho entrou em contato informando que poderia configurar conflito de interesse no caso dele assumir cargos de direção com espaços culturais, devido ao exercício de cargo de conselheiro e influência de Milton junto à classe artística. Assim, Milton Gonçalves, que optou por permanecer no Conselho, será exonerado. O próprio Secretário de Cultura, André Lazaroni, assumirá a presidência do Teatro Municipal, já informando que não receberá salários (repassará integralmente o valor para a própria Fundação Teatro Municipal), o que representará uma economia para o principal equipamento cultural do Estado neste tempo de crise. E outra novidade é que o presidente André Lazaroni já chega anunciando o novo diretor artístico, o diretor de óperas André Heller-Lopes, carioca, professor da Escola de Música UFRJ desde 1996; com doutorado em Londres. Especializou-se na Royal Opera House Covent Garden de Londres, na Ópera de São Francisco e no Metropolitan Opera de NY.

– Eu sou um “cara da opera”, fã de balé clássico, músico por formação. Acima disso tudo, um carioca apaixonado pelo Rio. Minha trajetória foi sempre de dar acesso à opera, de formar novos artistas e público há mais de 20 anos. Esse é um teatro que está no coração do Rio e que eu gostaria que entrasse em mais corações. É um grande teatro brasileiro e especialmente para o brilho dos grandes artistas nacionais. Eu vejo esse convite com grande emoção, como um desafio e um dever. Estou aqui para ajudar – comenta Heller.

Como Coordenador de Ópera da Prefeitura do Rio de Janeiro, Heller desenvolveu uma série de ópera em DVD para a terceira idade e, especialmente, o projeto “Ópera no Bolso” voltando para levar jovens de Rede pública de ensino à ópera e a formação de jovens artistas; durante quase 6 anos, mais de 30 mil crianças viram sua primeira ópera e mais de 150 jovens tiveram a chance de cantar papéis solistas. Sua especialidade é a ópera e a música de concerto; sua paixão é a descoberta e a formação de jovens talentos. Sem pertencer a uma família musical, André Heller-Lopes estudou Ciências Sociais e estagiou no Centro de Estudos Afro-Asiáticos antes que a paixão pelo teatro, dança e música falassem mais alto: acabou sendo o mais jovem professor do Departamento de Vocal da Escola de Música da UFRJ, e um dos nomes mais respeitados da ópera em todo Brasil — elogiado pelo público e premiado pela critica especializada. Ganhou por três vezes consecutivas o prêmio Carlos Gomes de melhor diretor cênico de ópera do Brasil. Mais informações sobre o novo diretor seguem em texto anexo.

– Mediante o impedimento do nosso querido Milton Gonçalves, resolvi acumular a função de presidente e fico no comando do teatro ao lado de Andre Heller, que acaba de aceitar meu convite para assumir a direção artística com toda a liberdade de criação, dando acesso a todos os públicos, incluindo o popular e o nacional. Quero conduzir o trabalho privilegiando o diálogo com todos os setores do teatro. Um fator determinante para minha decisão foi propiciar uma economia na folha de pagamento, repassando a quantia que seria destinada ao salário do presidente do teatro para qualificar remuneração da equipe técnica, já que nosso Estado atravessa na atualidade uma crise de grandes proporções – afirma o secretário André Lazaroni.