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João Mauricio Galindo à frente da Jazz Sinfônica / Divulgação

| Jazz Sinfônica encerrou temporada 2016 com ‘divinas sobras’

06/12/2016 - Por Luciana Medeiros

O Concerto das Américas, com regência do diretor artístico João Mauricio Galindo, na Sala São Paulo, teve peças de Pixinguinha, Kurt Weill, Tom Jobim e Chick Corea, entre outros

 

Séculos XVI, XVII, XVIII. A música europeia tornava-se uma arte nobre, com regras rígidas, e descartando certos elementos harmônicos e rítmicos – proibindo seu uso, até. Mas às colônias americanas, chegaram todos esses elementos vetados, que foram mesclados aos sons e batidas africanos e indígenas. Foram as sobras e as misturas que fizeram a potência da música americana. Pelo menos assim pensa o regente e diretor artístico da Jazz Sinfônica, João Mauricio Galindo, que encerrou a temporada 2016 à frente do grupo na Sala São Paulo.

– Essa é uma teoria que eu tenho – diz Galindo. – Certos intervalos de notas eram considerados diabólicos, por exemplo; o ritmo da música polifônica era interno. Aqui, tudo foi reprocessado e gerou música extraordinária como o jazz, o blues, o samba, o choro, o frevo, enfim: a música popular que todo mundo admira. A escala do blues, por exemplo, não tem nada a ver com o sistema tonal.

O encerramento da temporada 2016 da Jazz Sinfônica acontece na Sala São Paulo, na série que leva o nome da casa de concertos. O programa é uma viagem que vai do sul do continente, com Piazzolla, ao Canadá.

– Procurei montar um painel que tivesse esse roteiro, a começar pelo Rio da Prata.  Vai desde  Fantasia Portenha de Kleberson Buzo, construído sobre temas do compositor argentino, até My Ship de Kurt Weil e The Farewell de Thad Jones. No meio, o Brasil de Tom Jobim e Pixinguinha e a América Central bem representada pela suíte do mexicano Johnny Richards.

O primeiro concerto da Jazz Sinfônica aconteceu em 1990. O projeto, de montar uma orquestra sinfônica tradicional, com 82 figuras e todos os naipes, para tocar música popular, foi ideia de Arrigo Barnabé e tornou-se pioneiro – é, diz Galindo, “até onde sei, um grupo único no mundo, com concertos regulares e essa formação”.

– Existe a Metropol na Holanda, que tem cerca de 40 elementos e nos considera sua grande inspiração – completa o regente.

A próxima temporada ainda é uma incógnita. Há uma forte mobilização dos músicos para assegurar a continuidade do grupo. Além das apresentações, a Jazz Sinfônica produz continuamente um acervo de arranjos, convocando orquestradores para escrever as partituras da música popular para Orquestra.

– Nós temos hoje um acervo gigantesco – lembra Galindo. – Cerca de cem partituras por ano são produzidas. Meu sonho é ter um selo editorial para organizar essas partituras e mandar para o mundo todo. Vamos torcer por tudo isso.

 

Dia 07\12, quarta-feira, às 21h

JAZZ SINFÔNICA – João Maurício Galindo | regência

Local: Sala São Paulo – Praça Júlio Prestes, s/n – Metrô – Luz
Informações: (11) 3223-3966. – Capacidade: 1.436 lugares
Classificação etária: 10 anos

Ingressos: entre R$ 50 e 120, com meia-entrada para todos os setores, e podem ser adquiridos na bilheteria da Sala São Paulo ou pelo site da Ingresso Rápido: www.ingressorapido.com.br

Programa:

Fantasia Portenha – Kleberson Buzo -Sobre temas de Astor Piazzolla

Chovendo na Roseira   – Tom Jobim –  Arranjo | Fernando Corrêa

Carinhoso – Alfredo da Rocha Vianna   – Arranjo | Nelson Ayres – Solista | Chico Macedo

 Um a Zero – Pixinguinha e Benedito Lacerda  – Arranjo | Nailor Azevedo – Solista | Paula Valente

Três peças da Suíte “Fuego Cubano” – Johnny Richards   -Orquestrações| Rodrigo Morte

Laura – David Raksin   – Arranjo | Fernando Corrêa – Solista |Sidnei Borgani

My Ship – Kurt Weil   – Arranjo | Gil Evans – Orquestração | Alexandre Mihanovich – Solista | Nahor Gomes

La Fiesta –  Chick Corea –  Arranjo | Tony Klatka –  Orquestração | J. M. Galindo

 

The Farewell – Thad Jones – Orquestração | Fábio Prado

Duração: 90 minutos

Ingressos: R$ 120 a R$ 50

Na bilheteria da Sala São Paulo e pelo site da Ingresso Rápido (www.ingressorapido.com.br)

A Orquestra Jazz Sinfônica é uma instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, administrado pelo Instituto Pensarte, Organização Social de Cultura.

www.jazzsinfonica.org.br
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@jazzsinfonica