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Lawrence Foster/ Foto: Divulgação

| Um americano muito europeu na batuta da Gulbenkian

08/11/2016- Por Luciana Medeiros

O regente Lawrence Foster se apresentou em São Paulo e no Municipal do Rio regendo a orquestra portuguesa. Antonio Meneses foi o solista dessa turnê, que integra a Série O Globo/Dell'Arte.

 

O regente americano Lawrence Foster – nascido em 1941 em Los Angeles – trilhou um caminho para fora de seu país natal. Alçado aos 18 anos ao posto de diretor musical do Balé de São Francisco, na Califórnia, e assistente de Zubin Mehta na Filarmônica de LA, Foster – no Brasil para quatro concertos à frente da Orquestra Gulbenkian – se considera hoje muito mais europeu do que americano. Descendente de romenos, tem especial interesse na obra de George Enescu (1881-1955).

– Sinto-me muito confortável na Europa, amo a tradição – conta ele, por telefone, de São Paulo, onde regeu naquela noite (8) mais um concerto na Sala São Paulo. – Nos Estados Unidos, as orquestras são maravilhosas, há grandes músicos, mas fico entediado com a vida cultural. Acabo indo para o hotel depois das apresentações.

O primeiro concerto, na capital paulista, foi na segunda (7). Foster conheceu a Sala São Paulo (“espetacular hall sinfônico”) e sentiu o público “atento e caloroso”. Ele tem como solista dessa turnê o violoncelista Antonio Meneses (entrevista aqui).

– Um solista incrível, excepcional – elogia. – Maravilhoso som, repleto de nobreza, precisão e sobriedade. Os brasileiros têm mesmo que ser muito orgulhosos por terem o Antonio. Já toquei também com a pianista Cristina Ortiz, em Londres, e conheço bastante Nelson Freire. São sensacionais. Esse concerto de Édouard Lalo, que Antonio vem solando, é puro romantismo, belíssimo, com uma fantástica estrutura rítmica.

A música brasileira, no entanto, é muito pouco familiar ao regente – “infelizmente”, ele diz. Lembra de ter conhecido o maestro Eleazar de Carvalho em Tanglewood [onde acontece o evento de verão da Sinfônica de Boston e que se tornou um festival/escola mundialmente famoso] e conhece alguma coisa de Villa-Lobos (“o concerto para piano que fiz com Ortiz”) e nada da ópera de Carlos Gomes.

– Mas fiquei muito interessado em conhecer. Aliás, adoro ópera, amo o drama encenado e sinto muita falta de reger produções líricas quando estou imerso nos trabalhos sinfônicos. E vice-versa. A maioria dos regentes tem hoje esse interesse, como Baremboim, por exemplo. Acabo de gravar Verdi com a Gulbenkian.

A orquestra portuguesa esteve sob sua direção entre 2002 e 2010 e hoje Foster atua como regente convidado, “duas ou três vezes por ano”. E só tem elogios para o grupo.

– É uma orquestra com disciplina germânica e sensibilidade latina. Muito especial, muito dedicada, muito sensível. Gravei uma longa série de CDs com eles.

Foster, que é o atual diretor musical da Ópera de Marselha passa somente 24 horas no Rio de Janeiro, que visita pela primeira vez (“estive em São Paulo, 30 ou 35 anos atrás”).

– Agora vai ser rápido. Mas quero voltar em breve.