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Sergei Rachmaninov, Frank Sinatra e Bob Dylan

| Tema de Rachmaninov na música popular, em interpretações que vão de Sinatra a Dylan

09/12/2016 - Por Luciana Medeiros

Uma canção gravada por Frank Sinatra em 1945 teve seu principal tema extraído do ultrarromântico Concerto n. 2 para Piano e Orquestra de Sergei Rachmaninov, composto em 1901. E vários gravaram a música depois disso.

 

Não é de hoje que a música popular se inspira nos clássicos. Mas o compositor Ted Mossmann (1910–1977) e seu parceiro Buddy Kaye (1918-2002) fizeram uma das mais conhecidas adaptações de um tema da música sinfônica para o pop. Full Moon and Empty Arms se baseia na principal melodia do terceiro movimento do Concerto n. 2 para Piano e Orquestra de Rachmanninov.

Sergei Rachmaninov (1873-1943) , um romântico da fase final, exilado em 1917 de sua Rússia natal, foi para os EUA, e viveu uma época em que já despontavam Stravinsky, Schoenberg , Webern. Sua música foi proibida em 1931 pelo Soviete para depois ser reabilitada por Stálin – mas ele jamais retornou à Rússia. Nos EUA, viu suas peças serem inseridas em diversos filmes – um deles, pasmem, Quanto mais quente melhor. Ele disse uma vez: “Eu me sinto como um fantasma vagando em um mundo estranho”.

Concerto n. 2 para Piano e Orquestra é de 1901, momento em que  o compositor se recuperou de um grave colapso nervoso. É uma peça de grande dificuldade técnica. O terceiro movimento, (Allegro scherzando), alegre, caminha para o tom triunfal. Este concerto foi tão popular nos EUA que, em 1945 – dois anos após a morte do compositor -, Kaye e Mossmann extraíram do tema de Full Moon and Empty Arms a canção  gravada por Frank Sinatra – mais tarde, também por Nelson Eddy, Sarah Vaughan, Mina  e até Bob Dylan, este em 2012. Em 1975, Eric Carmen também tirou dali outra canção, All by myself, outro hit, também gravada por Sinatra e Celine Dion. Mas essa é outra história.

Rachmaninov, que viveu e morreu na Califórnia, nunca se encontrou pessoalmente com Frank Sinatra.

Aqui, ouça o concerto na íntegra, tocado por  Hélène Grimaud com a Orquestra do Festival de Lucerna, sob a regência de  Claudio Abbado. O tema está mais ou menos em 33’45.

Aqui, Frank Sinatra derrama sua voz de veludo:

e aqui você ouve a reinterpretação de Bob Dylan, Nobel de Literatura 2016, para esse hit: