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| Sinfônica Nacional interpreta compositores de agora

21/10/2016 - Por Luciana Medeiros

Orquestra lança disco com peças inéditas de compositores brasileiros em concerto neste domingo, 23/10, na Sala Cecilia Meireles, celebrando boa fase

 

Nascida de um decreto presidencial em 1951, a Orquestra Sinfônica Nacional – até 1984, foi a Orquestra da Rádio MEC – veio se reinventando fortemente ao longo os últimos oito anos. Quando o grupo de 80 músicos subir ao palco da Sala Cecília Meireles nesse domingo, 23 de outubro, às 17h, para lançar o CD OSN interpreta compositores de hoje (selo A Casa Discos), estará comemorando uma temporada que foi, segundo a violoncelista Janaína Salles, foi “na contramão da crise”.

– Fizemos uma média de dois concertos por mês, no Teatro do Centro de Artes da UFF, em Niterói, e na Sala Cecilia Meireles, sempre lotados, a ponto de colocarmos telão do lado de fora – diz a musicista, que integra a comissão artística de 2016, formada por três integrantes do conjunto.

O disco virou realidade pela proposta do compositor Sérgio Roberto de Oliveira, que capitaneia o selo A Casa. A proposta era gravar obras compostas nos últimos anos, e veio ao encontro do espírito que move a OSN.

– Nós temos muito interesse em mostrar a música de hoje – explica Janaína. – Fazemos anualmente a Mostra de Música Brasileira da Atualidade. A ideia do Sérgio casou com essa proposta.

compositores-de-hoje-2com-cristiano-menezes-e-aloysio-fagerlande-menorO CD, que é o primeiro gravado pela Sinfônica Nacional desde 2008, traz obras do próprio Sérgio Roberto (Phoenix, dedicada ao clarinetista Cristiano Alves e à OSN), da compositora Rami Levin (Expressões, também dedicada à orquestra), Marisa Rezende (Fragmentos), de Pauxy Gentil-Nunes (Variações para fagote e orquestra, para o fagotista Aloysio Fagerlande) e de Alexandre Schubert (Jornada fantástica num trem de ferro). A regência é de Tobias Volkmann que, desde o inicio desta temporada, é o “principal regente convidado”.

– Nós estabelecemos essa posição, que implica na presença do regente em cerca de 60% dos concertos – explica a violoncelista, evocando a mudança operada pela OSN em 2009, quando o grupo optou por trabalhar sem regente titular e diretor artístico fixos. – É uma relação profissional muito frutífera.

A Sinfônica Nacional, que é ligada ao Governo Federal através da Universidade Federal Fluminense, recentemente abriu concurso e admitiu doze músicos – outro movimento contrário ao das orquestras cariocas, em fase de enxugamento. Além da série de concertos regular, mantém iniciativas como o projeto Sons de Orquestras, em que se apresenta em escolas com obras em formato mais didático.

– Estamos numa ótima fase, com apoio do reitor da UFF – encerra Janaína, e completa, com bom humor: – Ficamos miraculosamente incólumes à crise, porque nosso orçamento já era tão restrito que não foi reduzido.

Serviço do concerto aqui.