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Secretário de Estado de Cultura André Lazaroni / Foto: Jotha Kayber

| Secretário de Cultura acumula a presidência do Theatro Municipal e fala sobre a nova gestão

10/3/2017 - Por Equipe Tutti

Ele promete diálogo com todos os setores e a busca de soluções para pagamentos atrasados. Diz que a vocação da casa para a ópera, o balé e concertos não exclui os espetáculos com foco na 'cultura nacional'

 

O Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, André Lazaroni que, com a desistência do ator Milton Gonçalves, resolveu assumir também a Presidência do Theatro Municipal do Rio, fala a Tutti Clássicos sobre o que pretende para o principal equipamento cultural do Rio. Ele diz que deseja popularizar a casa, afirma que a temporada ainda não está definida, admite que as dificuldades financeiras pesam e acredita que terá tempo para se dedicar à dupla função. E aponta: os rumos da gestão da Sala Cecilia Meireles ainda não foram definidos.

Tutti – Quais serão as principais metas de sua gestão à frente do Municipal?

Secretário André Lazaroni – Estabelecer um amplo de diálogo com todos os setores do teatro, que por sinal já venho fazendo desde que assumi o cargo de Secretário de Estado de Cultura. Tive reuniões com os profissionais do teatro para ouvir suas principais reivindicações, antes mesmo de cogitar assumir a presidência do Teatro Municipal. Vou analisar as demandas e buscar soluções para regularizar a questão dos pagamentos atrasados. Serei um gestor com foco administrativo. Na parte técnica, o diretor artístico André Heller-Lopes será o responsável pela condução dos trabalhos. Vai atuar em sintonia comigo e me manter atualizado de todos os passos.

André Lazaroni e André Heller / foto: Jotha Kayber

O senhor dispõe de verbas para realizar a temporada?

– O Estado, como um todo, está passando por sérias dificuldades financeiras e isso é de conhecimento público. Não há dinheiro sobrando. Vamos avaliar como conduzir os trabalhos com as possibilidades que temos. Mas claro que haverá espetáculos e temporada, e a ideia é dar acesso ao grande público, incentivar a ida ao Municipal entre todas as classes sociais. Tudo será adequado à atual realidade do Estado, o que não significa ficar parado.

Vai prosseguir com a temporada alinhavada pela gestão anterior?

– Estamos chegando agora e vamos avaliar, tomar conhecimento das propostas mas, em princípio, a ideia é dar continuidade ao que estava funcionando bem. Temos interesse em manter o domingo a R$ 1. André Heller, nosso diretor artístico, está empenhado em democratizar a plateia do Municipal, entregar boa música e dança a quem antes não tinha acesso.

O senhor declarou o desejo de popularizar o Theatro Municipal. Isso significa facilitar o acesso a uma parcela maior da população através de programas a preço popular, por exemplo, ou significa adotar uma linha de programação diferente? Se sim, que tipo de programação o senhor tem em mente?

– A prática de programações e dias especiais com preços populares é uma alternativa. Não há necessidade de se ter exclusivamente um tipo de programação em detrimento de outra. [O Municipal] Terá balé, ópera, concerto, e também apresentações com foco na cultura nacional. A dança tem diversas segmentações e há trabalhos de qualidade sendo desenvolvidos em todos os campos.

O senhor não acha que a vocação do Teatro Municipal é a ópera, o balé e os concertos? E que há outros palcos importantes, como o João Caetano, por exemplo, para abrigar espetáculos de outra natureza?

– Claro que a ópera, o balé e os concertos são a vocação do Teatro Municipal. Mas não vejo impedimento, se houver possibilidade e contexto, em inserir espetáculos culturais de qualidade, de dança ou de música, que sejam de outro estilo. Abrir as portas do Municipal, o maior equipamento cultural do Estado, para públicos diversos. Parece que há uma resistência a isso. Nem quero acreditar que todos pensem desta forma. E também levar espetáculos da programação do Municipal para outros palcos mais populares, saindo um pouco do eixo Zona Sul e Centro e nos aproximando de outras regiões e do interior.

O senhor acha que terá tempo hábil para exercer tanto a função de secretário como a de Presidente da Fundação?

– Sim, totalmente. Tenho experiência administrativa, estou no meu quarto mandato como deputado, gosto de trabalhar, começo cedo e vou até tarde, quero honrar as responsabilidades que me são concedidas. Sei que o trabalho é complexo e exige uma atenção especial. Mas trabalharei em equipe e sei delegar funções, assim como busco me cercar de pessoas competentes e gosto de acompanhar o que está sendo feito. Acredito em mentes novas, em pessoas com fome de trabalho, a cultura está ávida por isso, se não juntarmos esforços nessa crise absurda, não teremos resultados.

O senhor também pretende fazer alterações na gestão da Sala Cecília Meireles?

– No momento, não há definição sobre isso.