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Foto: Gregor Hohenberg / Sony Music Entertainment

| Pretty Yende, que encantou o Met, se apresenta terça e quarta (8 e 9) em São Paulo

08/08/2017 - Por Debora Ghivelder

A soprano sul-africana canta ao lado do tenor mexicano Javier Camarena em programa amparado no repertório lírico italiano

 

São Paulo desfruta  da chance de ouvir a soprano sul-africana Pretty Yende, estrela em franca ascensão no cenário lírico mundial. Ela canta terça e quarta, na Sala São Paulo, ao lado do consagrado tenor mexicano Javier Camarena. As apresentações – as primeiras a reunir os dois em recital – marcam a estreia de ambos em palco brasileiro e fecham a série de concertos internacionais do Mozarteum Brasileiro. Os dois se dedicam ao repertório da opera italiana.

A história de Yende, 32 anos, assemelha-se à de um conto de fadas dos nossos tempos. Nascida na pequena cidade de Piet Retief, ela teve seu primeiro contato com o mundo lírico aos 16, ouvindo o famoso Dueto das Flores, de Lakmé, de Leo Delibes, em um anúncio de televisão. Foi quando decidiu que queria ser cantora de ópera. Sua trajetória foi meteórica: em pouco tempo estreava no Scala de Milão e seguia para a consagração no Metropolitan de Nova York – na casa norte-americana, em 2013, tendo apenas um mês para se preparar, cantou Le Comte Ory de Rossini, ao lado de Juan Diego Flórez.

Em fevereiro último, Yende voltou a encantar a plateia do Met, ao substituir a incrível soprano alemã Diana Damrau no papel de Elvira, em I Puritani, de Bellini. Ao Tutti Clássicos, Pretty Yende deu a seguinte entrevista:

Tutti Clássicos – Você pode nos contar como foi seu contato com a ópera, quando era adolescente?

Pretty Yende – A primeira vez em que ouvi ópera foi em 2001. Estava assistindo TV com a minha família, em noite depois do jantar. E eu vi o anúncio da British Airways que tinha a música do dueto de Lakmé (de Leo Delibes) ao fundo, e parecia que alguém tinha vindo e acendido as luzes. Eu não sabia o que era, ou mesmo acreditava que aquilo podia ser humanamente possível, porque soava sobrenatural para mim. Fui ao meu professor de escola secundária, perguntei o que era e ele me disse que se chamava ópera. Tendo a confirmação de que era algo humanamente possível, pedi-lhe que me ensinasse.

TC- Em fevereiro passado, você substituiu Diana Damrau em I Puritani. A imprensa disse que sua performance foi um triunfo. Como foi a experiência? Você teve algum tempo para se preparar?

PY- Eu me senti absolutamente honrada pelo Met ter me confiado outra ópera, depois de , em 2013, ter feito Le Comte Ory, com Juan Diego Florez, para aclamação da crítica. A diferença desta vez foi que eu já fiz minha estreia de Elvira na Opera House de Zurique e também I Puritani está rapidamente se tornando meu papel favorito e, de certa forma, um fechamento de círculo. Quando a viagem do bel canto começou, , e eu estava em na academia teatro Alla Scala, a primeira música que cantei foi a cena da loucura de Elvira. Interpretar esse papel no Met foi bastante histórico por si só, pois fui a primeira cantora negra a cantá-lo naquele palco e na história da ópera. E tive ainda mais alegria por compartilhar o palco com Javier Camarena.

TC- Você reúne uma série de heroínas no seu repertório. Tem uma favorita? Existe um papel que você queira muito cantar?

PY- Eu tive o  privilégio e a honra de ter sido presenteada com papéis que têm um grande significado histórico e que são também conhecidos pela beleza musical. Cantando Rossini, Donizetti e Bellini, principalmente, tive o luxo de interpretar algumas das mais lindas músicas já escritas. Escolher apenas um é realmente difícil, mas se eu posso mencionar um papel que está rapidamente se tornando um papel muito importante e mais solicitado pelas casas de ópera mundiais, é Lucia [di Lamemoor, ópera de Donizetti]. Um papel que nunca  soube que poderia cantar e que ainda me ensinou muito sobre o verdadeiro significado de ser um cantor de ópera. Fui muito encorajada pelo crescimento vocal e pela forma calorosa que fui recebida, e continuo sendo, em palcos diversos – da Ópera de Berlim à Opera Bastille, com ovações de pé depois da cena da loucura. Foi um momento verdadeiramente histórico em cerca de cinco noites. Estou ansiosa para vivê-lo no Metropolitan Opera nesta próxima temporada. Papéis futuros? Seria um sonho tornado realidade para mim interpretar as três rainhas de Donizetti e, finalmente, Norma, se e quando a voz permitir.

TC- Você gosta de viajar e destaca que é importante ser feliz. Você está feliz com sua jornada e sua vida? O que você pode dizer para alguém que quer se tornar um cantor de ópera?

PY- Fui verdadeiramente abençoada na minha #prettyjourney, Eu tenho tanto pelo que ser grata, mas devo dizer que tem sido igualmente alegre e desafiador demais, num esforço contínuo pela excelência. Para qualquer um que deseje ser um cantor de ópera, eu diria para estar preparado a ser totalmente comprometido e dedicado a isso, não desistir, nunca perder a esperança, e fazer o impossível.

TC- Você pode nos contar um pouco sobre o programa que você está prestes a cantar no Brasil e também sobre Javier Camarena?

PY- Foi uma grande alegria reunir o programa que vamos cantar no Brasil com Javier. Estamos muito entusiasmados e certos de que o público vai aproveitar também. Espero que seja uma noite para nos lembrarmos sempre,  da melhor maneira possível.

Abaixo, a cantora na Opera Bastille, em Paris, como Lucia, de Gaetano Donizetti, em outubro/novembro de 2016.


Serviço
Pretty Yende, soprano & Javier Camarena, tenor
Angel Rodriguez, piano
8 e 9/8 – Às 21h
Sala São Paulo: Praça Júlio Prestes, 16
Preços/Setores: R$ 210 (D); R$ 340 (C); R$ 480 (B); R$ 600 (A)
Ingressos: Mozarteum Brasileiro – (11) 3815-6377 www.mozarteum.org.br e Ingresso Rápido www.ingressorapido.com.br (11) 4003.1212 (ambos sem taxa de conveniência), e na bilheteria da Sala São Paulo.