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Os seis compositores do Prelúdio (foto: José Nasser) | Quarteto Radamés Gnattali

| Prelúdio 21: Contemporâneos em continuidade

27/11/2016 - Por Luciana Medeiros

Grupo de seis compositores mantém há 9 anos a única série no Rio dedicada ao gênero e encerra 2016 com o Quarteto Radamés Gnattali, dia 10, se preparando para o 10º ano em cartaz

Todo último sábado do mês, entre abril e dezembro, o teatro do Centro Cultural da Justiça Federal recebe um público interessado em acompanhar uma experiência bem sucedida: o Prelúdio 21 – Música do Presente. Novembro e dezembro trouxeram o pré-encerramento do ano, com o duo José Stanek (gaita) e Cristina Andreatti (piano), dia 26/11. O Quarteto Radamés Gnattali (excepcionalmente dia 10/12, sempre às 15h), encerra 2016.

A série, que completa dez anos de existência ininterrupta em 2017, é um belo produto do trabalho do grupo reunido em 1998, em que seis compositores juntam forças para estimular a própria produção e divulgar o resultado através de diversos intérpretes.  Caio Senna é um dos integrantes do Prelúdio, embora não estivesse na fundação: “entrei lá por 2003”.

– Sérgio Roberto de Oliveira, [José] Orlando [Alves] e Neder Nassaro botaram a bola em campo e fomos chegando: Alexandre Schubert, Marcos Lucas e eu. A cada concerto, o Prelúdio 21 convida um grupo de intérpretes para executar suas obras. Eventualmente também tocamos.

São estéticas e histórias diferentes, as de cada um dos integrantes. Neder, diz Caio, “talvez o mais radical”, é ligado à música eletroacústica e aleatória. Sérgio Roberto tem “uma relação forte com a música popular”, Alexandre Schubert pode ser identificado com “o neoclássico”. Orlando, diz Caio é “um estruturalista”. Já Marcos Lucas trabalha com “instrumentos reais e as técnicas expandidas dos instrumentos”.

– Eu? Sou um romântico francês da virada do século XIX – brinca Caio.

Em 2016, a série convidou a soprano Gabriela Geluda, o Quinteto Lorenzo Fernandes e o Trio Capitu, entre outros [veja a lista completa no fim da reportagem]. Todos os concertos têm entrada franca e os programas são formados pelas obras dos integrantes do Prelúdio, com peças especialmente compostas para os intérpretes – “em geral, metade do programa”. Compositores como Pauxy Gentil Nunes e Rami Levin integraram temporariamente o grupo.

– Todos compomos pensando no intérprete – explica Caio. – São trabalhos muito diferentes, sempre experiências maravilhosas.

capa_cd_1gg– Temos uma relação sensacional com o Quarteto Radamés Gnattali. O disco que eles fizeram conosco foi indicado ao Grammy de 2012, e já fizemos três ou quatro concertos com o Quarteto na série. Já fizemos quase tudo, e pouca coisa não funcionou.

Um dado importante: a série tem o maior público médio da instituição carioca (“é comum termos 80 pessoas ‘na plateia, isso é uma multidão para a música contemporânea”, diverte-se).

A série, única no gênero no Rio de Janeiro,  já foi renovada para 2017.  A programação do ano que vem sai em fevereiro.

 

Serviço Prelúdio 21  de 10 de dezembro, sábado, 15h  –

Centro Cultural Justiça Federal – Teatro / Av. Rio Branco, 241 – Centro / Tel. (21) 3261-2550

Entrada Franca – Distribuição de senhas meia hora antes

Classificação Livre

 

INTÉRPRETES DE 2016

Abril – Gabriela Geluda, Sara Cohen e Paulo Passos

Maio – Quinteto Lorenzo Fernandez

Junho – Gabriela Geluda, Sara Cohen e Paulo Passos

Julho – De Volta às Origens [concertos em que o Prelúdio 21 repete a fórmula que utilizava nos 5 primeiros anos de sua história: cada compositor convida um intérprete diferente para apresentar sua música].

Agosto – João Luis Areias e José Wellington

Setembro – Trio Capitu

Outubro – De Volta às Origens

Novembro – José Staneck e Cristina Couto Andreatti

Dezembro – Quarteto Radamés Gnattali