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Foto: divulgação

| Petrobras Sinfônica foca em 2017 no repertório original e nas frentes pop e urbana

05/12/2016 - Por Equipe Tutti

Em ano de orçamento apertado, orquestra decide compensar a ausência de grandes nomes com programas diferentes, renovação das séries e nova identidade visual

 

Uma nova cara e novas séries – ou  divisões diferentes das séries – marcam a entrada da Petrobras Sinfônica numa outra fase, que começa na temporada 2017. Em tempos difíceis para a música clássica no Rio, a orquestra carioca lança a temporada do ano que vem privilegiando um repertório variado e pouco executado em palcos cariocas em detrimento de grandes e dispendiosas estrelas internacionais. A orquestra também aposta cada vez mais em  formatos que incluem fortes incursões na música popular e em ambientes inusitados.

O anúncio da temporada 2017 foi precedido por uma mudança na identidade visual do grupo, baseada na divisão das atividades. As séries tradicionais, que abarcam os concertos em palcos como o Municipal do Rio, ficam mantidas dentro do Mundo Clássico. É dele que fala o diretor artístico da Petrobras Sinfônica, Isaac Karabtchevsky.

– Estamos contrapondo a falta de nomes espetaculares com a versatilidade do repertório – explica o maestro, responsável pela programação do ano que vem.

Entre as obras raramente executadas no Rio, a  temporada traz a Sinfonia n. 4 ‘Romântica’, de Bruckner, Morte e Transfiguração, de Richard Strauss, e a Sinfonia n. 10 ‘Ameríndia’, de Villa-Lobos, inédita no Rio.

Segundo o maestro, a programação foi concebida para estimular o público a conhecer novas obras e não apenas ir aos concertos atraído por grandes solistas ou maestros que, às vezes, “custam o equivalente ao orçamento de uma orquestra para o ano todo”.

Abertura

Já na abertura da temporada, no dia 18 de março, a Petrobras Sinfônica lança mão de uma parceria pouco explorada entre Mozart e Rossini no primeiro concerto da série Portinari.

No programa, Jean Louis Steuermann toca o Concerto para piano n. 24 em dó menor, do compositor austríaco, seguido das aberturas de cinco óperas do italiano que captou como poucos o espírito das obras de Mozart.

Karabtchevsky lembra que Mozart foi o precursor de um estilo inovador de ópera em que a orquestra não apenas acompanha: é protagonista.

– Isso permitiu o desenvolvimento de uma linguagem orquestral que comunga perfeitamente com a linha vocal. Daí a ideia de colocar o concerto para piano junto com as aberturas de Rossini, que trazem o mesmo impulso criativo que foi a marca de Mozart.

Strauss

050-leveAinda na Portinari, o concerto de agosto é integralmente dedicado ao alemão Richard Strauss, mais ausente da vida musical brasileira nos últimos anos. O programa proposto por Karabtchevsky inclui Don Juan, Concerto para trompa e orquestra nº 1 em mi bemol maior, Suíte O cavaleiro da rosa e Morte e transfiguração.’

– É uma pena que Strauss venha sendo pouco tocado porque ele tem um repertório extraordinário. Morte e transfiguração, por exemplo, é uma obra genial que não se faz aqui há 30 anos – observa o maestro.

Em novembro, a Petrobras Sinfônica executa pela primeira vez no Rio ‘Amerindia’, a décima sinfonia composta por Villa-Lobos para o quarto centenário de São Paulo num estilo muito peculiar, bem ao modo do compositor.

– É uma grande fantasia sobre a formação da cidade que inclui órgão, coral, grande orquestra, além de três solistas, e que eu vim a descobrir recentemente dentro do ciclo Villa- Lobos – adianta o maestro, que no ano que vem finaliza a gravação das onze sinfonias de Villa (seriam doze, mas a quinta se perdeu) pelo selo Naxos.

Em junho, o jovem regente Felipe Prazeres, maestro assistente da Petrobras Sinfônica, comanda a orquestra tocando composições de Francisco Braga, Aran Khachaturian, Zoltán Kodály e Johannes Brahms.

O orçamento de 2016 foi de R$ 12.300 mil, sendo R$ 11.150 mil da Petrobras. O de 2017 ainda não está definido – ano, aliás, em que o grupo comemora os trinta anos da relação entre a Petrobras e orquestra. Para Karabtchevsky, trata-se de uma das mais bem sucedidas parcerias entre uma empresa pública e um organismo sinfônico na América Latina.

– Nessas três décadas, a orquestra saiu de uma posição de terceira ou quarta via para ser considerada hoje uma das principais do Rio.

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Reformulação das séries e novo visual: os novos Mundos

A nova identidade visual (criada pela Faaz Comunicação) apresenta inclusive uma nova logomarca. Além do Mundo Clássico, que abrange as séries de assinaturas Djanira e Portinari, o Festival de Câmara e as apresentações na Sala Cecília Meireles, a Orquestra Petrobras se desenha sobre dois outros conceitos: o Mundo Pop e o Mundo Urbano.

– As cores são vivas, as marcas seguem a diretriz de ‘popularizar sem perder a essência’ – diz o diretor executivo Mateus Simões. – O Mundo Pop é baseado no nosso projeto Clássico É…, que fez rock esse ano e que em 2017 vai se aproximar do samba. Inclui também concertos com convidados e a série infantil, que passa a se chamar Projeto em Família.

O terceiro Mundo, o Urbano, engloba as apresentações fora dos espaços tradicionais, como a série nas Igrejas, que passa a se chamar Pelo Rio e se aventura em novos espaços de apresentação, como as ruas, shoppings, pontos turísticos – isso, em todo o Estado do Rio. A série Em Ação faz apresentações em escolas e hospitais como a APAE e o Instituto Benjamin Constant, para o público dessas instituições. Os Concertos Secretos, divulgados pouco antes de acontecer, também serão mantidos. Tudo gratuito.

– É uma ênfase na raiz da orquestra, que nasceu para levar a música a um público novo, às vezes não muito acostumado ao som sinfônico – conclui Felipe Prazeres.

Os links:

Os Mundos
Veja o novo site com a programação para 2017.