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Penderecki / Foto: Mirosław Pietruszyński

| Lenda viva da música, Krzyzstof Penderecki rege a Osesp de 14 a 16/9

14/09/2017 - Por Luciana Medeiros

O compositor polonês, nome de proa da música contemporânea, rege duas de suas obras e tem Isabelle Faust como solista no Concerto nº 1 Para Violino, Op.35, de Karol Szymanowski, dias 14, 15 e 16 de setembro

 

Em 2004, o polonês Krzysztof Eugeniusz Penderecki esteve no Brasil para uma temporada no Rio e em São Paulo. Treze anos depois, ele volta somente a São Paulo para reger, dias 14 e 16, um concerto com duas de suas obras: o Hino a São Daniel, com o Coro da Osesp e Coro Acadêmico da Osesp; e a Sinfonia nº 4 – Adagio. O programa tem ainda Concerto nº 1 Para Violino, Op.35, de Karol Szymanowski (1882-1937), com a artista em residência da orquestra esse ano – a violinista alemã Isabelle Faust.

Chamado de maior compositor vivo da Europa, Penderecki respondeu, a pedido de Tutti, a perguntas de quatro nomes da música brasileira. Todos e cada um dos quatro quiseram saber do mestre polonês, que completa 84 anos dia 23 de novembro, qual foi e qual é ainda sua relação com avanços, revoluções, transformações.

Leia abaixo.

Isaac Karabtchevsky (maestro): Sua relação com a música tonal continua válida depois da Sinfonia n° 2?

Eu tive um período na vida em que fui muito progressista, indo em frente de maneira realmente veloz. Mas, às vezes, percebo que tenho de repousar. A música também tem que descansar. A vanguarda dos anos 1960 foi verdadeiramente uma enorme revolução na música, talvez a maior dos últimos mil anos. Não dá para fazer outra revolução, outra grande mudança. Acho que é muito importante saber que não dá para forçar o tempo todo. O melhor é saber usar o que foi feito, saber tocar ideais, mas não forçar um avanço a qualquer preço, porque isso é o caos.

João Guilherme Ripper (compositor): Como aconteceu a sua ruptura com o dogma do atonalismo?

Muito cedo na minha carreira. Era o fim da década de 1950, ou inicio dos anos 1960. Acho que aquele era o momento certo para avançar com a música – e nós avançamos, eu e artistas mais velhos como Shostakovich, Stockhausen e Boulez. Estávamos tentando fazer alguma coisa diferente. Mas isso não é sempre possível.

Jocy de Oliveira (compositora): No passado, você disse que havia sido “salvo da vanguarda do formalismo pelo retorno à tradição”,  declaração que coincide com seu período ensinando em Yale. A experiência nos EUA influenciou esse pensamento? Stravinsky disse ainda que você é um inventor.  Sua música continua impressionante e viva. Como você encara esses dias de hoje, com a sociedade ocidental em mudanças vertiginosas?

Bem, eu diria que, ao contrário disso, vivemos tempos de estagnação. Há muitos e muitos anos. Não vejo nada que faça sombra sobre a música de vanguarda no que se produz hoje. Os mais jovens se desligaram do que fizemos nos anos 1960 e 1970. Para mim, isso é caótico porque não há estilo. Cada época teve um estilo muito nítido e hoje isso não existe mais.

Tim Rescala (compositor): Você fez uma grande contribuição para a evolução da linguagem musical. Podemos identificar seu estilo, seu jeito de escrever para a orquestra, sua assinatura. Você acredita que, hoje em dia, é possível criar novos sons, fazer novas abordagens do universo sinfônico?

Sem dúvida é possível. Mas não penso mais nisso. Acho que, na grande revolução nos anos 1960 e 1970, meus colegas e eu avançamos – talvez muito, talvez demasiadamente. Acho que é hora de voltar à normalidade.

 

SERVIÇO
Osesp, Penderecki e Faust
14/9 (qui) e 15/9 (sext), às 21h; 16/9 (sáb), às 16h30
Ingressos: entre R$ 46 e R$ 213
Isabelle Faust
17/9 (dom), às 16h
Ingressos: entre R$ 85 e R$ 110
Aposentados, pessoas acima de 60 anos, estudantes e professores da rede pública têm 50% de desconto, mediante comprovação em todas as atividades.
Os concertos dos dias 14, 15 e 16 contam com o apoio do Instituto Adam Mickiewicz, por meio do programa Polska Music. 

 

 
SALA SÃO PAULO
Praça Júlio Prestes, 16
Bilheteria: (11) 3223-3966 (Sala São Paulo: 1484 lugares)
Recomendação etária: 7 anos
Ingresso Rápido: (11) 4003-1212; www.ingressorapido.com.br 
Cartões de crédito: Visa, Mastercard, American Express e Diners.
Estacionamento: R$ 28 (noturno e sábado à tarde) e R$ 16 (sábado e domingo de manhã) | 611 vagas, sendo 20 para portadores de necessidades especiais e 33 para idosos.