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Foto: Divulgação

| Paulo Szot no Rio: na Série Lírica da Sala Cecília Meireles, recital do barítono

18/08/2017 - Por Luciana Medeiros

Com uma agenda lotada, o mais importante barítono brasileiro da atualidade faz um ú recital na cidade e retorna para Paris. Ele enfatiza: "a técnica vocal é única para os gêneros, o que muda é o estilo".

 

Com Liza Minelli na entrega do Tony 

O início da bonita história profissional de Paulo Szot já é bem conhecido. Em linhas gerais, o jovem de 19 anos saiu da pequena Ribeirão Pires, em São Paulo, para estudar balé na Polônia, machucou o joelho e se descobriu cantor num coral, atividade alternativa na universidade. A voz de barítono, excepcional, os dotes de ator e – por que não? – o belo físico foram abrindo caminho no mundo da ópera e, mais tarde, também na Broadway: ganhou o Tony, mais importante prêmio do teatro americano, por seu papel em South Pacific, musical de Rodgers & Hammerstein. Hoje, Paulo é o mais importante nome da ópera brasileira mundo afora, protagonizando várias produções nos maiores templos da atividade, nos cinco continentes.

Nessa sexta, 18, ele faz seu primeiro recital no Rio de Janeiro – voz e piano, apenas, no palco da Sala Cecilia Meireles. Ele é o terceiro nome da Série Lírica idealizada por Miguel Proença, que já apresentou Atalla Ayan e Eliane Coelho esse ano. Com a casa lotada, Szot canta Mahler, Ravel, Santoro, Tchaikovski, Verdi, Villai-Côrtes, Ronaldo Miranda ao lado do pianista Nahim Marun. E os musicais?

– Optei por fazer um programa mais clássico – conta ele, a caminho do Rio, depois de sua participação no Festival de Campos do Jordão. E provoca:  – Mas quem sabe um bis?

Szot vai demonstrar sua versatilidade. Além e aquém da potência operística. Na verdade, diz ele, não existe grande diferença técnica entre os estilos, gêneros e tipos de produção.

– Aprendi que a técnica é a mesma, o que muda mesmo é o estilo, o que se usa em termos de quantidade de drama, digamos assim. São potências diferentes, mas a grande escola de ópera desenvolve o trabalho muscular que é aplicado em todas as ocasiões – ele explica.

Na ópera O Nariz, de Shostakovich, que potagonizou no Met NY

Paulo acaba de sair de uma temporada de três semanas na Pennsylvania vivendo um papel que sonhava cantar: Juan Perón em Evita, de Andrew Lloyd Weber. Ele já havia sido convidado para a nova montagem da Broadway, de 2012 – que teve Ricky Martin no papel de Che Guevara – mas a agenda não permitiu. Paulo segue do Rio direto para Paris, onde retoma a montagem de Così Fan Tutti, de Mozart, dessa vez para o lançamento do DVD da montagem. Só esse ano, além da produção da Ópera de Paris, ele cantou no Carnegie Hall e com a NY Philharmonic na virada do ano (“delicia de concerto com a Joyce diDonato”), voltou ao Lincoln Center Theatre, onde fez South Pacific, para uma gala, esteve em Amsterdam protagonizando uma opera contemporânea – The New Prince, de Mohammed Sayrus –, entre muitos outros compromissos.

Para 2018, estará em Madrid para uma nova montagem de The Street Scene, de Kurt Weill, e canta com Marin Alsop à frente de várias orquestras – em Londres, Chicago e Baltimore –  a Missa de Leonard Bernstein, pelo centenário do regente e compositor.

– Estou colhendo bons frutos dessa caminhada que se baseia na música de qualidade e não em fronteiras artificias – ele garante. – Tenho ainda outros papeis que sonho fazer, tanto nos musicais quanto na ópera, como em Nine, de Arthur Kopit, ou o Scarpia da Tosca, que nunca cantei. É um leque grande!

Sorte do público.

 

Programa

Mahler, Eines Fahrenden Gesellen, 3 canções de Ravel, do ciclo D. Quixote a Dulcineia; 4 canções brasileiras, de Santoro, Ronaldo Miranda e Villani-Côrtes; árias de Tchaikovsky e Verdi.