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Paulo Francisco Paes: recital na Sala/ Foto: Divulgação

| Paulo Francisco Paes toca pela primeira vez na Sala Cecília Meireles, nesta terça (2)

01/05/2017 - Por Debora Ghivelder

Pianista mistura no programa obras de compositores como Chopin e Rachmaninoff a peças de sua própria autoria. Aos 34 anos, traz a experiência também de trilhas para teatro e cinema para o palco.

 

O pianista Paulo Francisco Paes, vencedor de alguns prêmios nacionais como o Souza Lima (SP) e Furnas Clássica, se apresenta pela primeira vez no Espaço Guiomar Novaes, na Sala Cecília Meireles, na terça (2), às 18h30. Para ele, que frequenta a casa desde os 11 anos, quando se iniciou no piano, esta é uma ocasião e tanto. Aos 34 anos, o programa reflete bem os caminhos assumidos na carreira. Une peças de Chopin e Rachmaninoff a outras tantas de sua própria autoria. Paulo é também compositor, autor de trilhas de filmes de Tizuka Yamasaki, Marco Schiavon e Paulo Thiago.

– Sempre toquei os grandes compositores clássicos, ao estudar o repertório tradicional. Há dez anos comecei a compor e cada vez mais me interessei pela composição. Há três procuro, em meus recitais, tocar estes compositores que adoro e  as minhas composições. Faço também uma mistura de elementos como ritmos brasileiros e impressionismo francês, de que gosto. É muito prazeroso tocar músicos que estudei e toquei por muito tempo, com aquilo que produzo.

Filho do cineasta Paulo Thiago, apreciador da música eternizada nas telas por Ennio Morricone, Nino Rota, Michel Legrand e Bernard Hermann desde criança, Paulo Francisco ingressou na música influenciado por um tio. Hoje une esses dois gostares. Além de trilhas para o cinema, ele cria também para o teatro. São suas, por exemplo, as das peças Emily, dirigida por Eduardo Wotzik,  A Prostituta Respeitosa, de Silvio Guindane e A atriz, dirigida por Bibi Ferreira.

– A música clássica entra no cinema com muita expressividade. Não é um universo estritamente erudito, mas o meu trabalho está bastante dentro do universo da música de concerto.

De sua autoria, o pianista apresenta Reminiscências, Valsa Netuno, Fantasia, InfinitosValente. De Chopin, um de seus compositores preferidos, Balada Nº 3, Op.47, em Lá Bemol Maior e Scherzo Nº 4, Op.54 em Mi Maior, e de Rachamaninoff, Prelúdio Op.23 Nº 4, em Ré Maior. Sobre as obras de próprio punho, ele comenta:

Reminiscências acabei de compor. Tem uma coisa do choro, um lirismo melancólico, uma fusão com ritmos nordestinos e uma influência impressionista francesa, de que sempre gostei. Tem cerca de 8 minutos. A Valsa Netuno traz este nome por uma razão curiosa. Eu gosto muito de astrologia, e o planeta é o regente da música, está  ligado às artes e a uma coisa etérea. Já Fantasia tem elementos contemporâneos, na linha do Keith Jarrett, que tem um certo lirismo e é um pouco cósmico. A música fica algo espacial; eu improviso um pouco, mas não numa linguagem jazzística. Demorei muito para fazer Infinitos, que também tem influências de Jarrett, sem querer soar pretensioso. E Valente, composta há quatro ou cinco anos é um baião virtuosístico. Gosto de encerrar minhas apresentações com ela.

Depois do recital, Paulo Francisco se dedica a gravar seu segundo CD – Chão de Nuvens, lançado há três anos, é o primeiro álbum – e  a dar conta de trilhas já encomendadas.

 

 SERVIÇO:

Recital : Paulo Francisco Paes

Local: Espaço Guiomar Novaes na Sala Cecília Meireles

Dia: 2 de maio de 2017, 18h30