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Em sentido horário: Antonio Meneses com a Gulbenkian; os pianistas Jean-François Heisser e Jean-Frédéric Neuburger; o pianista Leif Ove Andsnes; cna de Lo Schiavo; Daniel Ciobanu no Concurso BNDES; o Quatuor Ébène e Joyce Didonato

| Os destaques de 2016

30/12/2016 - Por Equipe Tutti

O melhor do ano, na opinião de nossos colaboradores, amigos e parceiros. Concertos, recitais, highlights em geral.

 

Tutti Clássicos pediu a uma pequena turma de músicos, jornalistas, críticos, musicólogos e apreciadores de concertos e óperas que fizessem uma listinha de destaques do ano que acaba na temporada carioca. De São Paulo, nosso colaborador Irineu Perpétuo manda suas lembranças do que houve de melhor.

Foi interessante notar a diversidade das escolhas, ressaltando que o concerto de Antonio Meneses com a Gulbenkian foi citado em três dos seis cariocas, seguido pelo Concurso BNDES de Piano, a Integral das Sonatas de Prokofiev na Sala, a première no Brasil do Mantra, de Stockhausen, os dois últimos na Sala Cecília Meireles, além do recital do pianista Leif Ove Andsnes e do concerto do Quatuor Ébène.

Tutti destaca também a concessão do título de Doutor Honoris Causa pela Escola de Música da UFRJ à compositora (e colaboradora do site) Jocy de Oliveira – a primeira mulher a receber o título na mais importante universidade de música do Rio.

 

Aqui vão os destaques:

NO RIO DE JANEIRO:

 

Arthur Dapieve – jornalista e crítico

Leif Ove Andsnes. O recital do respeitado pianista norueguês teve Beethoven, Debussy e Chopin, três dos maiores autores para o instrumento, mas para mim foi com as pouco conhecidas obras de Sibelius que a noite alcançou seus momentos mais transcendentes – no Theatro Municipal. Produção: Dell’Arte

Ivan Magri. O tenor italiano foi Rodolfo na La Bohème em concerto, no Municipal, sob a batuta do paulistano Eduardo Strausser. Ganhou a plateia pela beleza e naturalidade do canto, realçados pela antipatia da soprano romena Cristina Passaroiu, a Mimi da vez – no Theatro Municipal. Produção: Theatro Municipal

Antonio Meneses. Acompanhado pela dedicada Orquestra Gulbenkian, de Lisboa, regida pelo americano Lawrence Foster, o grande violoncelista brasileiro tocou o Concerto em Ré menor, de Lalo, pouco ouvido aqui, com precisão e emoção – no Theatro Municipal. Produção: Dell’Arte

Stéphanie-Marie Degand. A Sala já tinha assistido à violinista francesa nas Pieces de clavecin em concerts, de Rameau. Em 2017, ela dirigiu com energia o espetáculo Do Grande Século ao Século das Luzes, feliz encontro da Orquestra Barroca da UniRio e do Centro de Música Barroca de Versalhes. na Sala Cecilia Meireles – Produção:  Centro de Música Barroca de Versalhes e Sala Cecilia Meireles

Luisa Suarez. Aluna da Academia de Ópera Bidu Sayão, criada este ano no Municipal, Luisa cantou o Amor em Orfeu e Eurídice, de Gluck, e a Atalanta de Serse, de Handel, com graça e carisma, além da técnica que permite antever uma carreira sólida. no Theatro Municipal – Produção: Theatro Municipal

 

Jean-Marc Schwartzenberg, especialista em Marketing e frequentador assíduo das salas de concerto

         Hilsdorf / Divulgação

Leonardo Hilsdorf e OSB, regência Lee Mills – Ótima escolha de repertório, um belo concerto de Saint-Saëns (o n. 2, raramente interpretado ainda que muito conhecido), junto com um 4. de Beethoven muito seguro de si. Frescor e precisão nestas interpretações cheias de confiança por parte de um jovem brasileiro com futuro promissor – na Cidade das Artes. Produção: OSB

Joyce di Donato, piano Craig Terry – Simpatia e carisma nesta mezzo vista com certa frequência por aqui. Sempre um prazer, sempre com um repertório escolhido a dedo – desta vez dialogou com estudantes de canto espalhados pela plateia, empolgando a todos –   no Theatro Municipal. Produção: Dell’Arte    

Quatuor Ébène – Em tempos de questionamentos e inseguranças sobre o futuro da música clássica, o Quatuor Ébène traz parte das respostas tão esperadas: jovens “cool” com uma visão despretensiosa da música de câmara. Ainda assim, interpretação vigorosa e respeitosa da complexa Grosse Fugue de Beethoven, precedido por Haydn e Debussy. Ficou a vontade de ouvi-los nos outros repertórios pelos quais são conhecidos, com fusões de Jazz e World Music – no Theatro Municipal. Produção: Dell’Arte

Antonio Meneses e Orquestra Gulbenkian de Lisboa, regência de Lawrence Foster – Um artista em plena maturidade, que soube fugir dos óbvios Haydn ou Dvorák com a feliz escolha de um concerto de Lalo que caiu no esquecimento do grande público – foi um sucesso na Paris ebuliente de 1877. Meneses mostrou toda sua musicalidade neste concerto, assim como no incontornável Bach do bis. Acompanhado pela Orquestra Gulbenkian, que carrega consigo décadas de tradição e deixou gravações dos anos 70 e 80 que são referência até hoje no repertório clássico.  A orquestra ainda nos brindou com belas interpretações da Inacabada de Schubert e da 8ª de Dvorák – no Theatro Municipal. Produção: Dell’Arte

 

José Schiller (músico, videomaker, apresentador do programa Américas em Concerto na Rádio Roquette Pinto)

“Destaquei alguns concertos ou eventos entre os que assisti e que me pareceram trazer alguma renovação ao calendário ou cenário da cidade – uns pelo ineditismo, repertório, outros pela importância. Quis valorizar iniciativas que tentam gerar desdobramentos e não somente concertos maravilhosos, que são igualmente importantes, essenciais”.

Bienal da Ópera Atual (BOA) – pelo estímulo à produção de música cênica contemporânea por compositores brasileiros – na Escola de Música da UFRJ. Produção: Funarte

Camerata Romeu / Divulgação

Camerata Romeu de Cuba em concerto no Festival Villa-Lobos – um desempenho exemplar de uma orquestra de cordas jovem e sempre renovada. Um nível de execução que emociona pelo comprometimento musical de um conjunto que vive intensamente o que toca, sem partitura, as peças decoradas – na Sala Cecilia Meireles. Produção: Museu Villa-Lobos /  Sarau

Clelia Iruzun – execução de alto nível de um repertório pouco apresentado em nossas temporadas. Alternou Haydn com peças para piano de Federico Mompou, praticamente desconhecido entre nós, mas um nome expressivo da música espanhola, completamente diferente da linha nacionalista que conhecemos – na Sala Cecilia Meireles. Produção: Sala Cecilia Meireles

Antonio Meneses com a Gulbenkian – não se contenta em ser um solista consagrado, busca o desafio de obras expressivas que tragam variedade e renova sistematicamente seu repertório, o que oferece boas surpresas e interesse em cada concerto – no Theatro Municipal. Produção: Dell’Arte

Integral das Sonatas de Prokofiev para piano – uma rara oportunidade de apreciar o ciclo completo e a trajetória criativa do compositor na forma sonata – no Espaço Guiomar Novaes – Produção: Sala Cecilia Meireles com curadoria de  Myrian Dauelsberg

O desafio da OSB pela superação da crise que se instalou – A orquestra é maior do que a circunstância.

 

Jocy de Oliveira, compositora

Stockhausen – MantraUm concerto memorável na Sala Cecilia Meireles com Jean-François Heisser e Jean-Frédéric Neuburger. Para refletir, uma verdadeira viagem. na Sala Cecília Meireles – Produção: Dell’Arte e Sala Cecilia Meireles com curadoria de Jean-Louis Steuerman

Vassilakis

Concerto em memória de Boulez – Raríssima oportunidade para ouvir o mestre do século XX, com o pianista Dimitri Vassilakis – na Cidade das Artes. Produção: Cidade das Artes

Concerto para mão esquerda de Prokofiev – executado brilhantemente por Linda Bustani com a Orquestra Petrobras, regência de Carlos Prazeres. Obra nunca apresentada no Brasil – na Sala Cecília Meireles. Produção: Sala Cecilia Meireles

A luta titânica da OSB para sobreviver à crise – É preciso que a sociedade se mobilize e compreenda o valor  histórico desta orquestra para a vida musical da cidade.

Projeto Música Brasilis – dirigido e executado pela excelente musicista Rosana Lanzelotte, programando anualmente na cidade concertos de qualidade.

 

Lauro Gomes, radialista

Orquestra Tonhalle de Zurique,  regência de Lionel Bringuier, piano Nelson Freire – Programa com Rossini, Schumann, Mahler. Condução brilhante e segura e mais a interpretação madura e sensível de Nelson Freire, no apogeu da sua capacidade artística, num concerto memorável sob todos os aspectos – no Theatro Municipal do Rio. Produção: Dell’Arte

Concurso Internacional de Piano BNDES – 5ª edição do concurso que se tornou um marco mundial. Grandes intérpretes num inesquecível embate. – na Sala Cecília Meireles e no Municipal. Produção: Instituto Arte Plena

Eliane Coelho, soprano e Luiz Gustavo de Carvalho, piano –  Canções de Brahms, Korngold e Schumann com Eliane em plena maturidade, em interpretações soberbas e definitivas. Classe e autoridade no duo com Luiz Gustavo. – na Sala Cecília Meireles. Produção: Sala Cecilia Meireles

Ópera Don QuixoteO Municipal abriu sua temporada lírica com a versão de Jorge Takla, direção primorosa, numa encenação inspirada em gravuras de Gustave Doré, com cantores de altíssimo nível – no Theatro Municipal do Rio. Produção: Theatro Municipal do Rio em parceria com o Theatro São Pedro (SP)

Ciclo Integral das Sonatas de Prokofiev – Concepção de Jean Louis Steuerman e Myrian Dauelsberg, com os pianistas André Carrara, André Signorelli, Daniel Burlet, Felipe Naim, Luiz Rabello, Patrick Rodrigues, Patrícia Glatz, Sérgio Monteiro e Silas Barbosa. Pela primeira vez no Brasil, todas as sonatas de Prokofiev, apresentadas em elevado apuro artístico e técnico. Magníficas apresentações – no Espaço Guiomar Novaes da Sala Cecília Meireles. Produção: Sala Cecilia Meireles.

 

Manoel Corrêa do Lago, musicólogo

Mantra, para dois pianos, de Karlheinz Stockhausen – apresentado pelo notável duo francês Jean-François Heisser e Jean-Frédéric Neuburger, provavelmente a 1ª audição brasileira, quase 50 anos apos sua composição,  de uma obra seminal da literatura musical da 2a metade do século 20; na Sala Cecília Meireles. Produção: Dell’Arte e Sala Cecilia Meireles com curadoria de Jean-Louis Steuerman

Suite Lírica de Alban Berg pela Orchestre D’Auvergne – transcrição para orquestra de cordas da versão original para quarteto de cordas de uma das obras máximas da Escola de Viena – na Sala Cecília Meireles. Produção: Sala Cecilia Meireles.

Lo Schiavo – belíssima montagem (cenários , cantores brasileiros, complexo trabalho de revisão de Roberto Duarte) que há quase duas décadas não era apresentada nos palcos cariocas. É um grande “clássico” brasileiro que não pode estar ausente do repertório – no Theatro Municipal do Rio. Produção: Theatro Municipal do Rio

Trilogia amazônica – por iniciativa de André Cardoso, foram criadas novas e originais coreografias para quatro poemas sinfônicos (“amazônicos”) de Villa-Lobos, concatenados com sucesso: Uirapuru, Amazonas, Erosão e Alvorada na Floresta Tropical no Theatro Municipal do Rio. Produção: Theatro Municipal do Rio

 

EM SÃO PAULO – POR IRINEU FRANCO PERPÉTUO

Filarmônica de Viena, com Valery Gergiev – Orquestra superlativa com regente mesmerizante – na Sala São Paulo. Produção: Cultura Artística

Kaufmann /Youtube

Jonas Kaufmann – Um tenor cativante no auge da forma – na Sala São Paulo. Produção: Mozarteum Brasileiro

Quarteto Ebène – Refinamento e senso de estilo em apresentação memorável – na Sala São Paulo. Produção: Cultura Artística

Leif Ove Andsnes, piano – Um dos mais completos artistas da atualidade – na Sala São Paulo. Produção: Cultura Artística

Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk, de Chostakóvitch -Uma afinada trupe russa fazendo Chostakóvitch com conhecimento de causa – no Theatro Municipal de São Paulo. Produção: Theatro Municipal de São Paulo e Ópera Helikon de Moscou