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Monumento a Johann Strauss no Vienna Stadpark

| Os 150 anos da première de ‘Danúbio Azul’: a valsa das valsas, de Johann Strauss II

17/02/2017 - Por Luciana Medeiros

Reconhecida imediatamente já nos primeiros acordes, celebrada mundo afora, a obra teve sua estreia num baile de Carnaval em Viena.

 

Há criações artísticas universais, ou reconhecidas onde quer que sejam vistas ou ouvidas. A valsa Danúbio Azul, de Johann Strauss filho, é uma delas. Neste dia 15 de fevereiro, completaram-se 150 anos da estreia da peça que, originalmente, se chamou An der schönen blauen Donau (No Belo Danúbio Azul). Em alemão, ela é habitualmente chamada Donauwalzer. A première se deu, então, durante o Carnaval, no salão da piscina pública Dianabad de Viena. Strauss estava na corte imperial e quem regeu a estreia foi Rudolf Weinwurm.

É uma espécie de hino informal da Áustria. Em 27 de abril de 1945, ao ser proclamada a independência após a anexação alemã, o Danúbio Azul foi interpretado diante do Parlamento por falta de um hino nacional para a nova república. É tocada triunfalmente a cada encerramento do concerto de Ano Novo da Filarmônica de Viena. Os passageiros da Austrian Airlines escutam a valsa nas aterrissagens e decolagens. É trilha também de um espetacular momento do filme 2001, Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick, de 1968.

 

Strauss recebera a encomenda da Associação Masculina de Canto Coral de Viena no ano anterior, mas demorou a entregar a obra: alegou que, durante a guerra entre a Áustria e a Prússia, não conseguiria compor nada alegre e só começou a escrever quando a paz foi assinada, em outubro.  Mesmo com a derrota da Áustria, que acabou com o sonho dos Habsburgo de dominar a confederação germânica, a canção, que tinha letra e só depois se consagrou com a versão orquestral, foi um sucesso. Historiadores reportam o uso pioneiro da palavra “schlager”, que significa “canção da moda”, para definir a receptividade da valsa.

No mesmo ano, a canção se espalhou. Foi tocada e celebrada na Exposição Universal de Paris e em Londres; nos Estados Unidos, o próprio Strauss regeu a peça na performance de dois mil músicos e 20 mil coristas.

Se a valsa não é considerada genial do ponto de vista musical, tem admiradores de respeito. Richard Wagner, por exemplo, não escondia seu encanto pelo primor da introdução da valsa, e Johannes Brahms teria anotado certa vez num guardanapo um comentário sobre a obra-prima de Strauss: “Infelizmente, não é minha.”

Uma exposição na Hausdemusik em Viena celebra a data redonda. O curador é Thomas Aigner.

Ouça aqui com a Filarmônica de Viena sob a regência de Dudamel, no Concerto de Ano Novo de 2016 (a peça começa nos 4 minutos e 20 segundos).