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Orquestra Sinfônica Nacional da UFF / Foto: Divulgação

| Orquestra Sinfônica Nacional da UFF abre dia 13 seu primeiro simpósio de música e pesquisa

02/02/2017 - Por Luciana Medeiros

O grupo sinfônico sediado em Niterói organiza simpósio em que o músico performer reafirma sua atividade também como pesquisador. O evento é aberto e as inscrições vão até dia 8/2

 

Musico, pesquisador ou ambos? Ambos, por que não? Na segunda, 13/ 2, a Sinfônica Nacional da UFF dá a partida em seu  primeiro Simpósio de Música e Pesquisa, reunindo integrantes da orquestra sediada em Niterói e convidados. O assunto principal – a conjugação produtiva dos papeis de performer e estudioso – está no centro das conversas. As inscrições, pelo site, são gratuitas e podem ser feitas até dia 8/2.

– É uma nova proposta – afirma o violoncelista Hudson Lima, responsável pela organização do  Simpósio. – Acredito que seja uma iniciativa pioneira no Brasil, um simpósio em que os músicos se apresentam como pesquisadores. Existe uma noção de que pesquisa e performance não seriam produtivas se agregadas, poderiam prejudicar uma à outra. Nós achamos que não, que são perfeitamente possíveis essas duas atividades.

O projeto do Simpósio nasceu em 2015 e foi abraçado pelo Centro de Artes da Universidade Federal Fluminense.

Este primeiro simpósio teve sua chamada de trabalhos aberta apenas para os músicos da orquestra, em dezembro.

– É nossa primeira experiência – continua Hudson. – Nós montamos esse painel com os membros da orquestra e chamamos pesquisadores convidados. Na próxima edição, queremos inscrições de toda a comunidade acadêmica. Nossa intenção é que o simpósio seja anual.

Hudson aponta a diversidade de trabalhos apresentados como um dos trunfos da iniciativa. Há pesquisas sobre a história da própria orquestra, dos métodos de ensino de música, dos cruzamentos de gêneros – clássico, folclore, samba -, destaques para Villa-Lobos e Guerra-Peixe, trabalhos sobre etnomusicologia, empreendedorismo, as relações da música com a política e a luta de classes, entre muitos outros trabalhos.

– A OSN, com sua bem sucedida autogestão, está dando mais um passo à frente ao abrir espaço para o músico pesquisador, que não abre mão de tocar e nem de estudar – finaliza Hudson.- Todos os participantes, palestrantes ou ouvintes receberão um certificado de participação que poderão ser solicitados virtualmente.

 

A programação segue abaixo. :

I Simpósio Música e Pesquisa – Orquestra Sinfônica Nacional – UFF ( SIMUPE )

Dia 13 de fevereiro de 2017

09h – Credenciamento dos ouvintes

09h30 às 10h15 – Mesa de abertura

Fórum: Considerações sobre Música e Pesquisa – Robson Leitão, Hudson Lima, Tobias Volkmann, Waleska Beltrami

10h15 às 11h25 – Mesa 1: A Orquestra Sinfônica Nacional,  diálogos entre a fonografia e a composição musical brasileira

Raul d`Oliveira – Catálogo de gravações da Orquestra Sinfônica Nacional: história, periódicos e a temporada de 1964

Resumo: O presente artigo tem como objetivos realizar uma síntese da dissertação de mestrado defendida por este autor em 2013, e apresentar os primeiros dados obtidos com a continuidade da pesquisa. Intitulada A “Orquestra Sinfônica Nacional e sua história: catálogo comentado das gravações realizadas pela Rádio MEC entre 1961 e 1963”, a dissertação investiga as origens da orquestra, composição e objetivos, além de elaborar um catálogo com as gravações referentes ao seu primeiro triênio. Gravações essas que fizeram a orquestra se destacar como um dos principais conjuntos na história da música sinfônica do país. Como início de uma segunda fase da pesquisa, o artigo avança para o ano de 1964, dando sequência ao catálogo e revelando novos dados a partir da leitura dos periódicos da época. Eliane Mey e Marc Bloch conceituam as ações catalográficas e históricas, respectivamente.

Dr. Frederico Barros (pesquisador convidado) – Universidade Federal do Rio de Janeiro – Escola de Música – Um outro tipo de maracatu de orquestra – sinfonismo e folclore em uma obra de César Guerra-Peixe

Resumo: Maracatus do Recife, livro lançado por César Guerra-Peixe em 1955, celebrizou-se pela minuciosa pesquisa que lhe deu origem e pelo cuidado no tratamento do material apresentado. Fruto de suas preocupações nacionalistas e nutrido pelo movimento folclórico da época, nem sempre olhamos para tal livro em busca do que seu autor fez dele em termos de produção composicional.

Desse modo, exploro aqui como Guerra-Peixe transpôs o maracatu que conheceu em Pernambuco para sua música orquestral, aproveitando a rara oportunidade de partir do que o próprio compositor escreveu sobre tal manifestação cultural.

Priscila Farias  – Considerações sobre a Escrita Idiomática do Concertino para violino e Orquestra de Câmara de Cesar Guerra-Peixe.

Resumo: O presente trabalho é o resultado da dissertação de Mestrado desenvolvido pela violinista Priscila Farias e defendido em 2003 na Escola de Musica da UFRJ: “A Escrita Idiomatica do Concertino para Violino e Orquestra de Câmara  de Cesar Guerra-Peixe” aborda a contextualização histórica do Movimento Armorial, assim também como o trabalho pioneiro no campo de pesquisas folclóricas musicais, as diversidades nordestinas, realizada pelo o autor. A obra apresenta ainda o desenvolvimento da escrita idiomática onde Guerra utiliza todos os recursos técnicos possíveis da escola técnica violinistica  tradicional e a transpõe para a sonoridade melódica da rabeca nordestina. O Concertino representa uma significante obra da literatura violinistica  pelo  seu caráter virtuosístico e representativo  do folclore nordestino no que tange a técnica composicional e sua relação com os elementos  característicos  regionais.

 

11h40 às 12h30 – Mesa 2 – Entre a produção sonora e a performance, possibilidades de investigação.

Marcio Miguel Costa – O processo de construção de uma performance baseado no modelo tripartite de semiologia musical de Nattiez 

Resumo: Uma mensagem, uma vez separada do seu emissor, pode ser interpretada de diferentes formas. Da mesma maneira, na música ocidental de concerto, uma performance dificilmente pode ser replicada, mesmo quando executada pelo mesmo intérprete, pois envolve escolhas pessoais que variam de acordo com a época e local. Utilizando o modelo Tripartite de Semiologia Musical de Nattiez, este trabalho mostrará como funciona o processo de construção de uma interpretação. Inicialmente, serão apresentados e brevemente discutidos alguns conceitos que subsidiam este processo. Posteriormente, nos deteremos no modelo tripartite de Nattiez, tecendo considerações acerca de seus procedimentos e aplicabilidade no processo de elaboração de uma performance. 

Helder Teixeira – Transições sonoras de tubos acústicos na flauta

Resumo: Os sons ligados na flauta Böhm se comportam de formas distintas de acordo com o modo como se processa a transição. O som musical é predominantemente característico de um sistema linear. Todavia, na alteração dos tubos acústicos na flauta ocorre uma mudança no regime de oscilação para um sistema com características não-lineares. A instabilidade sistêmica que ocorre na alternância dos regimes de oscilação é altamente perceptiva. Desta forma, este artigo procura, resumidamente, conhecer fenômenos que ocorrem na região transitória do legato e que interferem na qualidade do fluxo melódico do som.

 Dia 14 de fevereiro :

09h – Credenciamento dos ouvintes:

09h30 às 10h40 – Mesa 3Propostas de ferramentas e suportes técnicos para o ensino dos instrumentos musicais

Taís Soares – Pontos de Contato: Uma Porta Ao Melhor Entendimento da Produção de Som no Violino

Resumo: No intuito de contribuir com as pesquisas voltadas à técnica do violino, esse artigo propõe o desenvolvimento do discurso pedagógico sobre os cinco pontos de contato no violino juntamente com o estudo de sonoridade no instrumento. Para tal haverá a contribuição de obras dos pedagogos autores-violinistas: Ivan Galamian, Carl Flesch e Simon Fischer que descreveram em seus livros a importância do estudo de sonoridade através dos pontos de contato. O objetivo central é estabelecer relações entre a técnica instrumental (desempenho motor, estudo do caráter e estilos musicais) e as estratégias pedagógicas (discursos e métodos) na formação do violinista. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica de livros, artigos e tratados dos três autores citados acima comparando suas opiniões sobre o assunto.  A fundamentação teórica desse artigo é alicerçada em obras de referência da literatura violinística somada às obras dos autores mencionados.

André de Melo Santos – Ferramentas para Educação Musical.

Resumo: O artigo “Um Aplicativo Para a Leitura Rítmica” refere-se aos resultados alcançados no Mestrado mencionado acima, concluído em 2015. Ele apresenta o processo de confecção de dois protótipos, um analógico e outro digital, para uma mesma ferramenta didática, que busca auxiliar o professor na aproximação do estudante de música com a questão da leitura/escrita do ritmo. São abordadas também as questões técnicas e pedagógicas decorrentes das etapas de pesquisa, desenvolvimento e testagem dos produtos finais, bem como os desdobramentos do aperfeiçoamento e aplicação em escala da proposição inicial. Espera-se que a avaliação acerca da opção pelos conteúdos teóricos definidos e ainda a análise dos dados referentes à aplicação prática e sistemática, em sala de aula, dos modelos produzidos – desde então até o presente momento -, possam ser objeto de explanação e debate durante a realização do Simpósio em: https://www.youtube.com/channel/UCfpKg9AHbyt3lvWLJs0G2pw há vídeos dos pré-protótipos, até a aplicação dos modelos concluídos após redação do artigo.

Keeyth Vianna – Uma Introdução Ao Violino Para Crianças: Repensando o Folclore Brasileiro como Recurso Didático

Resumo: Esta pesquisa tem o objetivo de apresentar, como produto final, um método com o intuito de ser uma introdução ao estudo do violino dirigido para crianças na faixa etária de quatro a oito anos. Objetivando o desenvolvimento da técnica necessária à criança iniciante ao violino, optou-se pela utilização da música folclórica brasileira, organizando-a em etapas, por grau de dificuldade, da forma mais gradual e agradável possível. O presente artigo demonstra os resultados parciais dessa pesquisa, que tem a orientação da Pra. Dra. Inês de Almeida Rocha, do Prof. Dr. Paulo Bosísio e co-orientação da Pra. Mariana Isdebski Salles. No decorrer da pesquisa, além das canções, foram incluídos outros elementos do folclore brasileiro, como os personagens de lendas e uma história introdutória ambientada numa floresta encantada, para envolver a criança em seu processo de aprendizado. Todas as canções folclóricas serão apresentadas com letras para auxiliar no processo de compreensão de conceitos como melodia, pulsação e ritmo, facilitando o aprendizado do instrumento. Além disso, as canções terão arranjos que consistem em duetos para violino, no qual o tema principal é tocado pelo aluno e o acompanhamento, pelo professor. O método apresentará informações de posturas, exercícios e conteúdos técnicos fundamentais, de forma leve, criativa e lúdica. Acreditamos que a pesquisa em andamento poderá contribuir para o avanço técnico de estudantes, em especial, àqueles que participam de classes de ensino coletivo, estimulando a sociabilidade, valendo-se também da oportunidade que o folclore oferece para experiências interdisciplinares no ambiente escolar.

 10h40 às 11h30 – Mesa 4 – O contrabaixo: o instrumento e algumas de suas possibilidades pedagógicas

Natália Terra – METODOLOGIA SUZUKI: uma aplicação para contrabaixo à moda brasileira

Resumo: Esta pesquisa visa utilizar a metodologia do pedagogo e violinista Shinichi Suzuki, que tem como base o “método da língua materna”, onde se valoriza a escuta, a imitação e a repetição, para o aprendizado do instrumento. Suzuki aproveita as músicas já conhecidas pelas crianças para estimular o interesse e facilitar o aprendizado. Com o intuito de criar um material semelhante ao do método Suzuki mas que fosse composto por peças conhecidas pelas crianças brasileiras, fizemos uma coletânea de músicas folclóricas brasileiras. Aplicamos esse material em um grupo de crianças na faixa dos 8 aos 14 anos do Espaço Cultural da Grota, em Niterói – RJ, juntamente com um grupo de controle da mesma faixa etária, onde utilizamos o método Suzuki para contrabaixo. Observamos o desenvolvimento das crianças durante 4 meses e fizemos relatórios avaliando a evolução dos dois grupos.  

Claudio Alves – Trajetória e análise das propostas para o ensino do contrabaixo de Sandrino Santoro

Resumo – O presente trabalho consiste em documentar, descrever e analisar os aspectos técnicos das propostas de ensino do contrabaixo de Sandrino Santoro, tendo em vista a documentação e a perpetuação de seus métodos para as futuras gerações. A pesquisa encontra suporte para argumentação no contexto histórico do desenvolvimento do estudo do contrabaixo no Rio de Janeiro da metade do século XX até os dias de hoje, bem como na história de vida de Santoro enquanto imigrante e sua formação musical diversificada e fragmentada. Através do levantamento de entrevistas, dos aspectos técnicos e da metodologia utilizada por Santoro, bem como o levantamento de pedagogos reconhecidos na literatura do contrabaixo e de instrumentos de cordas, podemos contextualizar a formação da metodologia desenvolvida por Santoro e sua relevância no desenvolvimento da vida artístico-cultural em nosso país. Por fim, a pesquisa poderá ser útil para formação dos contrabaixistas brasileiros – e mesmo estrangeiros – revelando-lhes traços centrais das propostas de ensino do contrabaixo de Sandrino Santoro, refletindo sobre o seu impacto nas últimas quatro décadas. 

 

11h45 às 12h05 – Vanja Ferreira – Estudo de concerto para harpa: uma perspectiva brasileira 

RESUMO – Este artigo discorre sobre questões técnicas e interpretativas observadas no Estudo de Concerto para Harpa, da compositora Diva Lyra, durante preparação de uma segunda edição digitalizada da obra, por Vanja Ferreira, em junho de 2015. Sendo, até recentemente, encontrada apenas em cópias de edição particular, não publicada para fins comerciais, a segunda edição digitalizada incluiu proposta interpretativa, acrescida à partitura após avaliação do texto musical e a partir da reflexão acerca da necessidade de apresentação das composições brasileiras para harpa, com fins didáticos. 

 12h05 às 12h30

Apresentação Artística  – Carlos André – Panorama da Música Brasileira para Violino Solo da década de 1940

Resumo: O violinista tem se dedicado, de uns anos para cá, a obras para violino solo ou desacompanhado. Apresentando recitais com esse tipo de repertório no Museu de Arte Moderna em 2013 e no Cine Arte UFF em 2014.

Sobre este último em particular, tratou-se de uma homenagem ao centenário de nascimento de César Guerra-Peixe, que chamou de “Roda de Amigos para Violino Só”, nome inspirado em uma de suas obras mais conhecidas. Apresentei obras de J. S. Bach, Max Reger, Ernani Aguiar, Niccolo Paganini e do próprio Guerra-Peixe. Neste caso, obras do seu período dodecafônico, chamadas “Música no.1” e “Música no. 2”, ambas de 1947, que seriam mais tarde renegadas por ele quando enveredou pela estética nacionalista. Teve acesso a este repertório graças a Jane Guerra-Peixe, sobrinha do compositor e responsável pela sua obra.

Para complementar este breve panorama, incluiu a Sonata para Violino Solo de Cláudio Santoro, de 1940, também de estética dodecafônica, livremente inspirada na Sonata I em sol menor para violino solo de Bach. Mais tarde, tanto Guerra-Peixe quanto Santoro seriam profundamente influenciados pelos ideais do “II Congresso Mundial de Compositores Progressistas” de 1948, em Praga, que defendeu a composição de obras musicais de caráter nacionalista e, por causa disto, eles deixariam o dodecafonismo de lado. Mesmo assim, achou interessante a oportunidade de revisitar obras do primórdio da carreira destes compositores, em que eles professavam uma estética musical bem diferente da que utilizariam em obras posteriores. Isso posto, eis o programa da apresentação:

Cláudio Santoro – Sonata para Violino Solo (1940) – I – Prelúdio /  II – Allegro con brio /  III – Lentamente /   IV – Allegro gracioso

César Guerra-Peixe: Música no. 2 –  I – Andantino / II – Larghetto /   III – Allegro moderato

César Guerra-Peixe: Música no. 1 – I – Moderato /  II – Adágio / III – Allegro

Dia 15 de fevereiro

09h – Credenciamento dos ouvintes

09h30 às 11h15

Mesa 5 – Reflexões sobre a prática da performance, ensaios críticos sobre o fazer musical à luz de etnografias.

 Giseli Sampaio Orquestra Sinfônica Nacional x Orquestra Sinfônica Nacional Popular: consonâncias e dissonâncias entre o clássico e o samba.

Resumo: Este trabalho relata os bastidores e a preparação para um concerto em homenagem ao samba. Desde a construção dos ensaios, da postura e do comportamento de cada músico, dos solistas e do maestro, do ambiente de ensaio, da produção, do público quantitativo bem como suas reações me diante de cada obra. A diferença entre tocar música clássica e música popular para a OSN (Orquestra Sinfônica Nacional), uma única orquestra com duas faces diferentes em relação ao concerto clássico e popular. Foi analisada a visão dos músicos, maestro e do público mediante ao concerto popular. Segundo Goffman(apud Lehmann,p.90) pode- se dizer dos bastidores: “um lugar no qual, com relação a uma dada representação, se tem toda liberdade de contradizer conscientemente a impressão produzida pela representação”. 

Trata-se de uma pesquisa em andamento: Uma etnografia dos concertos sinfônicos da OSN (Orquestra Sinfônica Nacional). Uma orquestra que valoriza muito o repertório clássico brasileiro e que nos últimos 2 anos vem inserindo novas séries em seu cronograma anual taiscomo: OSN Cine (exibição do filme com trilha sonora ao vivo), OSN Popular e CD (OSN) de música brasileira da Atualidade em parceria com compositores atuais. A pesquisa teve início com o OSN Popular 1: Cartola, Nelson Cavaquinho e Noel Rosa -100 anos de Samba.

Priscila Alencastre (pesquisadora convidada – Unirio) – Do concerto ao espetáculo: tendências e transformações no campo da música sinfônica em tempos de empreendedorismo cultural

Resumo: O presente trabalho se pretende a ser um comentário crítico preliminar a respeito das disputas que estão ocorrendo no interior do campo da música sinfônica frente aos processos de transformação que o mundo da alta-cultura atravessa desde o progressivo desmonte do estado de bem-estar social após o colapso do modo de regulação fordista/keynesiano. Identificar e compreender as estratégias encontradas pelos diversos agentes, que despontam no campo e o impacto destes artifícios sobre o público de concertos das principais orquestras fluminenses tem sido o objeto de investigação desta pesquisa etnomusicológica em curso. 

 Álvaro Carriello – Música, política e luta de classes: relativismo e objetividade na abordagem das expressões musicais.

Resumo: O pesquisador pretende, a partir desta reflexão, desenvolver um comentário crítico acerca das expressões musicais humanas e as diferentes associações promovidas pelos diversos grupos e classes sociais ao longo da História e seus respectivos potenciais e limites políticos; em contraponto à possibilidade da análise do grau de desenvolvimento destas diferentes expressões musicais humanas em si, e ao restabelecimento de critérios objetivos para tal análise e consequente superação do relativismo analítico no que tange às determinações qualitativas destas mesmas expressões musicais humanas, partindo, para tal, de uma perspectiva marxiana.

10h30 às 11h10 – Palestra – Samuel Araújo (pesquisador convidado – PPGM – UFRJ) – A experiência da Etnografia em Música

Resumo: O pesquisador abordará a música como objeto de políticas de estado, procurando refletir sobre aspectos teóricos e práticos de tal relação, assim como sobre como as questões levantadas podem estar incidindo mais especificamente sobre o campo sinfônico hoje.

 11h25 às 12h30 – Mesa 6 – O artista entre fronteiras: a terra e a arte – Fernando Thebaldi – A experiência camerística em Heitor Villa-Lobos, fonografia dos quartetos de cordas /  Pedro Belchior (pesquisador convidado – UFF) – Pan-americanismo, nacionalismo e universalismo musical em Villa-Lobos

Resumo: A presente investigação busca discutir a tensão dialética, em Villa-Lobos, entre os ideários do pan-americanismo, do nacionalismo e do universalismo musicais. Embora tal discussão já estivesse presente no campo da música de concerto desde o século XIX, é entre as décadas de 1920 e 1950 que ela ganha vigor no continente americano. A aproximação diplomática gradual entre EUA e os países latino-americanos, nesse período, precipita a busca pela construção conjunta de uma linguagem musical continental, com a ambição de aglutinar tradições de países culturalmente tão diversos. Villa-Lobos, cuja trajetória coincide com o auge do pan-americanismo, oferece a possibilidade de compreensão das tensões e negociações inerentes à música de concerto hemisférica em meados do século XX.

Dia 16 de fevereiro

09h – Credenciamento dos ouvintes

09h30 às 10h20 – Mesa 7 – Cognição musical: Propostas interdisciplinares como auxiliares na compreensão da performance.

Anderson Alves – O professor expert: investigações sobre as práticas utilizadas no desenvolvimento da performance musical expert

Resumo: Expertise pode ser definida como a capacidade, adquirida pela prática, de desempenhar qualitativamente bem uma tarefa particular de domínio específico (FRENSCH; STENBERG, 1989, p. 158). No domínio da performance musical, verifica-se ainda certa carência de pesquisas no Brasil, tanto no âmbito da construção da expertise do músico, propriamente, quanto no âmbito da expertise em pedagogia da performance.

O presente trabalho apresenta resultados parciais de pesquisa que desenvolvo em torno da formação do professor de clarineta. Há clarinetistas brasileiros considerados instrumentistas experts, atuando como professores, e isso instigou-me a investigar as práticas utilizadas por professores de clarineta que ajudaram a levar alguns de seus estudantes à condição de solistas de alto nível. Para a realização dessa pesquisa foi necessário, primeiramente, estabelecer um conjunto de critérios que definissem um professor expert, determinado tanto pelo alto desempenho de seus alunos, quanto pelo reconhecimento de seus pares. Assim escolhi três professores experts na formação de clarinetistas, atuantes em universidades brasileiras, e um professor português.

Priscila Farias – Inteligência Emocional Aplicada ao Ensino do Violino

Resumo: Inteligência Emocional aplicada ao ensino do violino  é o tema da monografia    do curso de Pós-graduaçao em Docência do Ensino Superior da Universidade Candido Mendes.Tendo como campos de pesquisas e trabalhos a Escola de Musica da Faetec e a Escola Municipal de Musica Prof.Weberty Bernadino Aniceto, Priscila Farias  propõe uma reflexão metodológica no ensino de violino  na área da psicologia comportamental.O tema   Inteligência Emocional e sua contribuição para a didática no ensino do violino é organizado  em um panorama de psicólogos como Gardner,Goleman,Gardner,Salovey,Segal e Steiner.  Fatores como o quociente de inteligência emocional, inteligência interpessoal e intrapessoal, assim como inteligência musical são analisados e correlacionados com as praticas didáticas.O trabalho metodológico conta com a analise sistemática qualitativa das  entrevistas pessoais aos discentes ,visando uma melhor integração na relação professor e aluno, além de uma aprendizagem mais enriquecedora e produtiva destes. 

 10h20 às 11h15 – Palestra – Pauxy Gentil-Nunes (pesquisador convidado PPGM – UFRJ) – Composição e Pesquisa

11h30 às 12h – Recital Conferência – Jeferson Souza – O Fagote na Música Popular Brasileira – Um Estudo de Caso: Quarteto Leandro Braga

Resumo: O fagote, por ser um instrumento naturalmente usado para a música de concerto, é raramente utilizado na música popular brasileira. Toda a educação superior para o fagote é voltada para a carreira orquestral, música de câmara e solista, ambas ligadas a música de concerto. “O repertório erudito é o que todo fagotista estuda, é a base tradicional. A história do fagote se desenvolveu pelos séculos através da música erudita. Só Vivaldi escreveu 39 concertos para fagote” (SILVÉRIO, 2016). Em 2015, a partir do convite para participar do Quarteto Leandro Braga, tenho tocado regularmente música popular brasileira e tendo aulas de improvisação com o pianista e compositor Leandro Braga. O recital tem como objetivo expor o resultado da inserção do fagote na música popular brasileira junto ao estudo da improvisação, sendo uma das principais ferramentas para a atuação do músico popular.

 Dia 17 de fevereiro

09h Credenciamento dos ouvintes

09h30 às 10h –  Andrea Ernest Dias – Moacir Santos, ou os caminhos de um músico brasileiro.

Resumo: A presente pesquisa traz múltiplas perspectivas de análise da vida e obra do compositor brasileiro Moacir Santos (1926-2006). Por meio de referenciais históricos, musicológicos, etnográficos e analíticos, a autora visa a uma compreensão mais abrangente da produção musical do compositor no contexto da música brasileira e do jazz.  O trabalho foi apresentado ao PPGMUS da UFBA para obtenção de Doutorado em Música, em 2010, e teve o suporte institucional da UFF e da Fundação de Apoio à Pesquisa da Bahia – FAPESB. A tese aprovada foi editada e lançada em livro pela Edições Folha Seca, em 2014. O livro teve sua segunda edição lançada em 2016, numa parceria da Edições Folha Seca com a CEPE – Companhia Editora de Pernambuco.

 10h às 10h30 –  Waleska Beltrami – O repertório Brasileiro para trompa e piano no curso de graduação: discussão e aplicabilidade.

10h45 – Recital de encerramento: Quinteto MP5

O Quinteto de Metais MP5  é  formado por músicos atuantes nas orquestras do Rio de Janeiro, todos solistas. Desenvolvem atividades camerísticas, participam de máster classes, ministram aulas e aqui se reúnem com o objetivo de divulgar o vasto repertório existente para esta formação, difundindo a arte musical, atuando também na formação de novas plateias (concertos didáticos). O Quinteto MP5 se destaca pelo repertório eclético, passeando pelo erudito, popular, folclórico, jazz e contemporâneo, ganhando, assim, notoriedade pelas performances bem humoradas, pela interação com o público em suas apresentações e pela sua singular sonoridade e interpretação. O grupo vem realizando uma intensa pesquisa de material musical: arranjos, adaptações e transcrições de obras nacionais e estrangeiras, englobando vários estilos e épocas. Já atuou em inúmeros projetos culturais, salas de concerto, praças, igrejas, universidades, escolas de música, convenções, entre outras, alcançando um grande sucesso de público e crítica.  Seus integrantes atuam também na área popular, participando de shows e gravações com os grandes nomes da MPB – Caetano Veloso, Simone, Emílio Santiago, Leila Pinheiro, Francis Hime, Rita Lee, Zeca Pagodinho, Ivete Sangalo, Ivan Lins, entre outros –,  no exterior – nos Shows de Al Jarreau e Barry White – e na música instrumental, com os mestres: Carlos Malta, Víttor Santos, Altamiro Carrilho, Henrique Cazes, entre outros; realizando também trabalhos para a televisão como: Chiquinha Gonzaga, Brasil 500, Aquarela do Brasil, Hoje é Dia de Maria e “Afinal, o que querem as mulheres?”; destacando-se ainda pelas atuações nos Musicais: “Ópera do Malandro”, “Tudo é Jazz”, “Cristal Bacharach” e “Marilia Pêra canta Carmen Miranda”.

O grupo iniciou suas atividades em 2009 com o lançamento do primeiro CD intitulado “Música Brasileira”.

Integrantes: Nelson Oliveira (trompete), Delton Braga (trompete), Josué Soares (trompa), Sérgio de Jesus (trombone) e Carlos Vega (tuba).

Serviço: 

Quinteto de Metais MP5 (Simpósio Musical na UFF)

Dia: 17 de Fevereiro de 2017, 10h30

Repertório:

1- Henry Purcell – Prelúdio e Abertura da Rainha Fada / 2- Giovani Gabrieli – Canzon Quarta / 3-  Scott Joplin – The Nompareil (Rag Time) / 4- Raphael Baptista – Divertimento Folclórico nº 1 / 5- Sebastião Gonçalves – Abandonado (Chôro) / 6- Ary Barroso – Folha Morta / 7- Chiquinha Gonzaga – Atraente / 8- Pixinguinha – Proezas do Solon / 9- Charlie Chaplin – Vida de Cachorro  / 10 – B. Bernie / K. Casey – Sweet Greorgia Brown