|

Foto: divulgação

| O violino do século XXI de Ara Malikian está no Brasil

12/05/2017 - Por Debora Ghivelder

Apontado como pop star do violino, músico libanês toca neste sábado no Municipal, abrindo a primeira turnê que empreende pelo Brasil

 

Libanês, de origem armênia, estudou na Alemanha e em Londres e está radicado há mais de 15 anos na Espanha. O multiculturalismo orienta as as escolhas artísticas do violinista Ara Malikian, um popstar do violino, que se apresenta pela primeira vez no Brasil a partir deste sábado (13), no Theatro Municipal carioca. A turnê percorre ainda as cidades de São Paulo (Teatro Bradesco, dia 18), Belo Horizonte (BH Sesc Palladium, dia 20) e Porto Alegre (Teatro do Bourbon Country, dia 21).

Acompanhado por sete músicos, Malikian tem sua apresentação calcada no seu espetáculo A incrível história do violino e o seu repertório é para lá de eclético: vai de  Bach e Vivaldi, passa por músicos contemporâneos como Piazzolla, inclui música cigana e flamenca e traz arranjos de composições populares de obras de rockstars como David Bowie, Led Zeppelin e Radiohead, sem falar nas peças que ele mesmo compõe.

– Eu ofereço a história do meu violino. É uma jornada através da música desde que me iniciei no instrumento, incentivado pelo meu pai – conta Malikian, por telefone. – Meu pai era violinista e adorava o instrumento.

Malikian começou a tocar ainda cedo e se desenvolveu nos estudos em Beirute, apesar das limitações impostas pela guerra civil naquele país. Aos 12, deu seu primeiro recital e, aos 14, partiu para  estudar, com bolsa concedida pelo governo alemão, em Hannover. Ao contrário do que se pensa, a guerra não paralisou as atividades musicais no Líbano, como ele explica:

– É exatamente em momentos como esse que a arte se faz mais necessária. As pessoas que são mais afetadas precisam ir aos concertos. Esse é o poder da arte, o de buscar beleza. É a única maneira de passar pelos momentos difíceis.

Por sete anos, Malikian integrou estantes de orquestras, até decidir dar novo rumo à carreira. Como músico clássico, é vencedor de concursos importantes, como o Felix Mendelssohn (1987, Berlim) e na Pablo Sarasate (1995, Pamplona). É dono de extensa discografia e diversos prêmios, como os Music Awards nas categorias de Melhor Álbum em 2006 (De la felicidad) e Melhor Álbum Clássico em 2007 (Ínsula poética). Como compositor, fez trilhas sonoras para filmes mas diz que não se considera um compositor. Ele acredita que compõe para as próprias necessidades, para apresentações.

– Passei por diversas fases na minha carreira. Adoro orquestras. E fazer parte disso foi uma experiência que tive de viver. Foram sete anos e aprendi muitas coisas e adorei este tempo, até que resolvi mudar. Foi difícil, afinal era um bom emprego. Mas eu queria fazer as coisas do meu jeito. E isso me levou onde estou hoje – explica o músico, que gosta também de tocar para crianças.

Sobre a crise que enfrenta a música clássica, Malikian é um defensor de que a área clássica seja mais aberta a inovações tecnológicas.

– Não sei o que devemos fazer; aliás, ninguém sabe o que devemos fazer para reverter esse quadro. Veja bem, a música clássica vai existir por toda a eternidade. Mas estamos no século XXI, com acesso a diversos recursos tecnológicos. Então, talvez, o circuito clássico devesse pensar mais nisso. Não digo que concertos devam ser feitos com excesso de iluminação, por exemplo. Recursos como esse funcionam para o rock e para o pop. Acho que  o problema não está na música, que é ótima, mas como se comunicar com as  grandes audiências, com o público em geral.

Disso Malikian entende. Suas apresentações unem virtuosismo, explosão e este repertório que transita de Paganini a Bowie.  É um pop star do violino.