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Felipe Prazeres regendo a Opes / Foto: Laís Moss

| “O rock e o clássico: que venham mais misturas felizes como esta!”

07/02/2017 - por Felipe Prazeres

A Orquestra Petrobras Sinfônica entra por fevereiro com o projeto Ventura, em que interpreta o álbum do grupo Los Hermanos. O regente assistente e spalla da orquestra fala da mistura que, em suas palavras, "renova o público".

 

Não é de hoje que vemos orquestras sinfônicas interpretando clássicos do rock e bandas de rock revivendo grandes clássicos da música de concerto. A mistura pode ser bastante interessante, mas também corre o risco de cair no vulgar. Vejo a qualidade dos arranjos que são propostos como uma linha tênue. Lembro da Filarmônica de Berlim – ao meu ver, a orquestra referência no mundo clássico – interpretando com maestria um álbum da banda alemã Scorpions, e da Filarmônica de Londres com o Metallica: ambos valem a pena serem escutados com calma.

Os arranjos dessas duas orquestras são primorosos e valorizam a riqueza instrumental de uma sinfônica, na qual todos os naipes são explorados de forma igualitária. Às vezes, isso não acontece e uma sinfônica se transforma em uma mera acompanhadora tocando notas longas (as chamadas “bolachas”). Pode até não incomodar tanto para quem escuta, mas pode se tornar extremamente maçante para quem toca. Vale conferir também o grupo finlandês Apocalyptica, que certamente foi fonte de inspiração para o 2 Cellos. Todos, sem exceção, são grandes instrumentistas e vêm dando fôlego na mistura do clássico com o rock.

Em novembro de 2016, a Orquestra Petrobras Sinfônica criou a série Álbuns, na qual interpreta grandes discos na íntegra, iniciativa que é parte do projeto de reformulação das séries de concertos. A escolha do Ventura, dos Los Hermanos, para abrir o projeto não poderia ser mais feliz. As melodias são extremamente gostosas de cantar e o público da banda continua fiel.

Lembro que, no final de um show no Teatro João Caetano, o público, na maioria jovem e que nunca tinha assistido uma orquestra sinfônica ao vivo, ficou extasiado com a mistura. Eles acabaram conferindo a programação regular da orquestra, o que é maravilhoso para o mundo da música de concerto: é a renovação do público!

Falando um pouco do show. O álbum tem 15 músicas e é dividido da seguinte forma: sete músicas são interpretadas por jovens cantores que estão despontando no momento, a Roberta Campos e o Rodrigo Costa, e oito somente a orquestra toca. É lindo ver o público cantando junto, observando o universo timbrístico de uma sinfônica. Afinal, os solos percorrem todos os naipes da orquestra e, em vários momentos, o público também segue a dinâmica, obedecendo aos fortes, aos pianos… Ou seja, tudo que é possível ser feito para enriquecer ainda mais as melodias do álbum.

Como disse no início do texto, os arranjos são fundamentais para o sucesso do projeto e nós temos tivemos a sorte de contar com o trabalho genial de Marcelo Caldi. Parabéns para a Petrobras Sinfônica, parabéns para o Los Hermanos pelo belo álbum e  e que venham mais misturas felizes como esta!

 

Felipe Prazeres é regente assistente e spalla da Orquestra Petrobras Sinfônica, que abrirá a turnê do projeto Ventura Sinfônico neste sábado, na Fundição Progresso (RJ)

 

Serviço:

Rio de Janeiro

Data: 11 de fevereiro de 2017 (sábado), às 22h

Fundição Progresso – Rua dos Arcos 24 – Lapa – (21) 3212-0800

Preços: R$ 80 (meia) e $160 (inteira)

Capacidade: 4000 pessoas

Classificação: livre

Apresentação seguida por show do Bloco pra Iaiá, dedicado ao Los Hermanos

Porto Alegre

Data: 16 de fevereiro de 2017 (quinta-feira), às 20h

Local: Auditório Araújo Vianna – Av. Osvaldo Aranha 685 – (51) 4003-1212

Preços: R$ 80 (meia) e R$ 160 (inteira)

Capacidade: 3628 pessoas

Classificação: livre

São Paulo

Data: 17 e 18 de fevereiro de 2017 (sexta-feira e sábado), às 21h

Local: Teatro Bradesco – Bourbon Shopping – Rua Palestra Itália 500, 3° piso – (11) 3670-4100

Preço: R$ 100 (meia) e R$ 200 (inteira)

Capacidade: 1439 pessoas

Classificação: livre