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O regente associado Marcos Arakaki e a Filarmônica de MG / Fotos: Bruna Brandão - Rafael Mota

| O Barroco é a estrela da série ‘Fora de Série’, da Filarmônica de Minas

04/03/2017 - Por Luciana Medeiros

Orquestra tocou peças de Rameau, Lully, Charpentier, Couperin e Ravel. Mais oito concertos estão programados nessa série em 2017, sempre aos sábados, 18h

 

 

O regente Marcos Arakaki começou a se aproximar da música clássica, ainda bem criança, ouvindo As Quatro Estações de Vivaldi, uma das mais celebradas peças do período barroco – na verdade, um hit mundial da música de concerto. E o regente associado da Filarmônica de Minas Gerais não está sozinho. O barroco permanece uma fascinação para quem entende de clássicos e também para quem não conhece música a fundo.

– Não resta a menor dúvida:  acho que  a música do período barroco pode ser principal porta de entrada de qualquer criança [para a música clássica] – afirma Arakaki. – Foi  minha também, Vivaldi, Corelli, Bach… São peças que tocam direto a sua alma sem muita explicação, de um contraponto riquíssimo, diversas vozes, diversas linhas andando simultaneamente, mas com uma estrutura e uma organização matemáticas absurdamente perfeitas.

A Filarmônica iniciou sua terceira bateria de concertos da Fora de Série com o barroco francês, sob a batuta de Arakaki. O primeiro, em 2015, executou em nove sábados, sempre às 18h, as nove sinfonias de Beethoven. Ano passado, a série explorou as diversas facetas de Mozart: em família, com Salieri, na ópera.

– Nossos concertos regulares acontecem às quintas e sextas, na série de assinaturas – explica o regente. – Nossa orquestra é muito grande e o publico pedia muito musica barroca.

São três os compositores homenageados isoladamente: Bach, Vivaldi – com As Quatro Estações, é claro – e Haendel, os “três expoentes”, define Arakaki. Outros concertos apresentam o barroco italiano, com Tartioni, Corelli. Ainda serão apresentados compositores que vieram depois e se inspiraram em obras, temas ou criadores do período, em “O barroco através do tempo”.

– Teremos Stokovsky, Respighi, que se basearam em Bach, por exemplo. E, como estamos em Minas, não poderíamos deixar de programar o barroco mineiro, apesar da época não ser a mesma do barroco europeu – conta. – Já estávamos no período do classicismo, mas o barroco mineiro ganhou esse nome por causa do rococó, do rebuscado, das igrejas barrocas aqui de Minas.

O barroco, que abriu portas para uma forte expansão da música ao financiar os compositores nas cortes e na criação sacra, tinha “uma visceralidade no modo de viver da época”, explica o regente.  Com a chegada do Classicismo, que “ veio para condenar o ornamento, o rococó, tudo muito limpo”, o barroco caiu no esquecimento – do qual foi resgatado por Mendelssohn quando redescobriu Bach.

– Ele era de origem judaica, se converteu ao protestantismo e escreveu a Sinfonia da Reforma para ser aceito. E regeu A Paixão Segundo São Mateus em 1829, trazendo de volta a música de Bach e do período barroco. Nesse meio tempo, muita coisa do barroco virou embrulho de pão – lembra Arakaki.  – E Pablo Casals redescobriu as Suítes de Bach no fim do século XIX e as colocou num outro patamar, como a bíblia dos violoncelistas.

Dos nove concertos, o regente associado está à frente de cinco. Além da execução das obras, na Fora de Série o regente faz uma pequena explanação sobre o tema e o objetivo daquele concerto, introduzindo o público àquele universo. “Uma interação mais intimista com o público, que tem sido um sucesso estrondoso”, aponta Arakaki.

– Falo aqui sobre baixo contínuo, da influência visceral do período barroco na evolução da orquestra e da história da musica nos períodos subsequentes, no elenco da orquestra,  de quais instrumentos  continuaram  na formação e que outros instrumentos deixaram a orquestra, como viola da gamba e o  alaúde.

Esse primeiro concerto traz peças de Lully (“o grande nome da corte de Luis XIV; mesmo depois de morto sua música e o seu estilo duraram mais de 50 anos na corte”), Rameau (“que,  com sua inventividade e suas ideias conseguiu superar a hegemonia de Lully”), Charpentier (“que não conseguiu um lugar na Corte, mas foi muito bem acolhido pelos nobres e pela Igreja”); Couperin (“A Sultana, que Darius Milhaud, aliás adido cultural no Brasil em 1917, orquestrou”) e Ravel (“inspirado no barroco, Les tombeaux de Couperin, uma suíte em quatro movimentos, obra riquíssima que ele escreveu baseada no barroco”).

Arakaki, que foi da OSB para a Filarmônica de Minas em 2011, considera a orquestra mineira “um projeto vitorioso do governo do Estado, com Fábio Mechetti e Diomar Silveira liderando uma história grandiosa, mas com pé muito no chão, um ambiente e uma estrutura muto felizes”.

– É uma luta diuturna, hercúlea, de Fábio e Diomar. Mas temos aqui uma orquestra tocando cada vez melhor.

 

Primeiro concerto Fora de Série:  Barroco Francês-  4 de março – 18h  – Sala Minas Gerais

Marcos Arakaki, regente; Programa: RAMEAU, LULLY, CHARPENTIER,  COUPERIN/Milhaud, RAVEL

PRÓXIMOS CONCERTOS DA SÉRIE:

1 abril – VIVALDI – Fabio Mechetti, regente, Nicolas Koeckert, violino / Sessão extra dia 2, domingo

6 maio – PACHELBEL | TELEMANN | E MAIS – Marcos Arakaki, regente

17 junho – NUNES GARCIA | LOBO DE MESQUITA | E MAIS – Marcos Arakaki, regente, e cantores líricos

15 julho – HAENDEL | BRAHMS –  Fabio Mechetti, regente

12 agosto – J. S. BACH | VILLA-LOBOS –  Fabio Mechetti, regente, Cláudia Azevedo, soprano

16 setembro – STRAVINSKY | RESPIGHI | E MAIS – Marcos Arakaki, regente

11 novembro  – ALBINONI | CORELLI | E MAIS –                Marcos Arakaki, regente. Érico Fonseca, trompete

9 dezembro –  J. S. BACH e companhia – Fabio Mechetti, regente,E cantores líricos

Agenda aqui.

 

Ingressos: R$ 40 (Balcão Palco e Coro), R$ 50 (Mezanino), R$ 62 (Balcão Lateral), R$ 85 (Plateia Central) e R$ 105 (Balcão Principal). Meia-entrada para estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação.

Informações: (31) 3219-9000 ou www.filarmonica.art.br

Funcionamento da bilheteria: Sala Minas Gerais – Rua Tenente Brito Melo, 1090 – Bairro Barro Preto

De terça-feira a sexta-feira, das 12h às 21h./ Aos sábados, das 12h às 18h./ Em sábados de concerto, das 12h às 21h./ Em domingos de concerto, das 9h às 13h.

São aceitos cartões com as bandeiras Amex, Aura, Redecard, Diners, Elo, Hipercard, Mastercard, Redeshop, Visa e Visa Electron.