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| ‘Norma’ volta ao Municipal do Rio em concerto cênico, com Elizabeth Blancke-Biggs no papel título

30/04/2017 - Por Luciana Medeiros

Estreando no Brasil, a americana considera Norma uma de suas personagens favoritas. A regência é de Roberto Tibiriçá e no elenco estão Denise de Freitas, Eric Herrero e Pepes do Valle.

 

“Deusa, espalha sobre a Terra a paz”. A sacerdotisa Norma, atormentada, canta essas palavras na ária Casta Diva, uma das mais famosas da ópera italiana, uma das marcas registradas de Maria Callas. A protagonista implora pela paz em meio à revolta de seu povo contra a ocupação romana na Gália, 50 anos antes de Cristo. E ela própria, amante do inimigo – o romano Pollione – se vê preterida pela jovem Adalgisa. Callas, aliás, cantou Norma no Municipal carioca em 1951.

A trama da ópera de Vincenzo Bellini que estreou em 1831 no Scala de Milão volta ao palco do Theatro Municipal do Rio nesta segunda, dia 1º de maio, em forma de concerto cênico, para três récitas. É uma produção da casa, com o seu coro e sua orquestra – segundo evento da temporada 2017, sob a nova direção artística de André Heller-Lopes, depois da ópera Jenufa, que estava prevista para 2016 e foi apresentada esse ano.

No papel título, a soprano dramática norte-americana Elizabeth Blancke-Biggs, que faz sua estreia no Brasil.

Norma é uma maravilhosa personagem, mulher forte e apaixonada, mas que se precipita no ciúme, o que a fragiliza e nos traz identificação como seres humanos – descreve a soprano. – Adoro personagens assim, e tento trazer suavidade e delicadeza ao papel.

No elenco estão também o tenor Eric Herrero como Pollione, as mezzo-sopranos Beatriz Simões (Adalgisa, na estreia) e Denise de Freitas (dias 4 e 6/5), Pepes do Vale (Oroveso), Noeli Mello (Clothilde) e  Ivan Jorgensen (Flávio). A regência é de Roberto Tibiriçá, que retorna ao pódio do Municipal depois de quase duas décadas.

– Estou muito feliz em voltar à casa e justamente com Norma, um dos maiores exemplos do bel canto e que consagrou grandes sopranos como Maria Callas – diz o maestro. – E com um elenco de primeira grandeza. Elizabeth Blancke-Biggs é um espetáculo!

A americana da Califórnia, que estudou com a soprano romena Virginia Zeani, percorre o repertório italiano com desenvoltura – “meu marido, o regente Michael Recchiuti, estudou na Itália com grandes nomes e costumamos trabalhar juntos na preparação dos papeis”- e também encarna Elektra e Salomé, de Richard Strauss.

– Tenho cantado, do verismo italiano de Puccini, a Tosca e Minnie, da Fanciulla del West, assim como a Lady Macbeth e a Abigaille de Nabucco, das óperas de Verdi, papeis coloratura, além de ter estreado Turandot ano passado – conta ela. – E também interpreto ópera alemã. Na verdade, a técnica para as óperas italianas tem me dado um alicerce importante para efeitos como o legato e o piano na música alemã. Isso é muito interessante. Em Norma, posso usar uma vasta gama de nuances vocais. É uma fantástica experiência.

Entre os próximos compromissos da americana está a abertura do novo centro de artes em Xian, na China, com Turandot (“imagine só, cantar essa princesa na China!”).

Na primeira récita de Norma em concerto cênico, 1º de maio, terá preços populares de R$ 10, em homenagem ao Dia do Trabalho.

 

SERVIÇO

Norma, de Vincenzo Bellini
Ópera em forma de concerto-cênico
Regência: Roberto Tibiriçá

Elenco:
Norma – Elizabeth Blancke-Biggs
Adalgisa – Beatriz Simões (dia 1º) e Denise de Freitas (dias 4 e 6)
Pollione – Eric Herrero
Oroveso – Pepes do Vale
Clothilde – Noeli Mello
Flávio – Ivan Jorgensen

Coro e Orquestra do TMRJ

Local: Praça Floriano, s/nº, Cinelândia, Centro do Rio

Ingressos:
Dia 1º: R$ 10 (qualquer setor)

Dias 4 e 6:
Frisa/camarote: R$ 100
Plateia/balcão nobre – R$ 100
Balcão superior e balcão lateral – R$ 72
Galeria e galeria lateral – R$ 36

Classificação etária: livre