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Norma/ Foto: Bill Cooper

| ‘Norma’ vai ao cinema

22/11/2016 - Por Debora Ghivelder

Produção do clássico de Bellini abre temporada da Royal Opera House nas telas grandes. É a estreia 2016 das produções britânicas no circuito brasileiro.

 

Considerada  um dos principais exemplos do bel canto, Norma, de Vincenzo Bellini, foi a obra escolhida para abrir a nova temporada da inglesa Royal Opera House nos cinemas brasileiros. O filme terá uma única exibição este mês, dia 28, nas salas das redes Cinemark e Cinépolis.

Ainda este ano, a Royal Opera House apresentará também Così Fan Tutte, com exibição agendada para  12 de dezembro. Para 2017, a temporada reserva outras cinco produções, entre óperas e balé. Anastasia, balé de Kenneth Macmillan, ganha as telas em 13 de fevereiro. Já Il Trovatore, de Verdi; o balé A Bela Adormecida; Madama Butterfly, de Puccini, e Otello, de Verdi, ainda não têm datas de lançamento definidas.

Nesta montagem de Norma,  a emocionante história de rebelião, amor, traição  é transportada para os dias atuais na visão do diretor Àlex Ollé, do grupo catalão La Fura del Bals. A crítica, aliás, não gostou nada da concepção. O Telegraph, por exemplo, disse que a abordagem quase surrealista, “confunde e ofusca sem fazer o drama parecer mais crível ou relevante”. Antonio Pappano, diretor da Royal Opera Music, que conduz a partitura marcante, guiando o coro e o elenco, arrancou fartos elogios da mesma imprensa especializada.
NORMA_ROH, Conductor; Antonio Pappano, Norma; Sonya Yoncheva, Pollione; Joseph Calleja, Adalgisa; Sonia Ganassi Oroveso; Brindley Sherratt, Flavio; David Junghoon Kim, Clotilde; Vlada Borovko,

     Sonya Yoncheva/ Foto: Bill Cooper

No papel título, um dos mais atraentes do repertório lírico feminino e imortalizado por Maria Callas, está a soprano búlgara Sonya Yoncheva. Coube a ela assumir o enorme desafio de cantar o papel depois que a top-diva russa Anna Netrebko deixou a produção, sob a alegação de mudanças na voz, frustrando tanto os envolvidos no espetáculo como o público. Ainda que não de forma unânime, a performance de Yoncheva agradou, com folga, a druidas e romanos. E o Pollione, cantado pelo tenor Joseph Calleja, foi fartamente exaltado.

Boa chance para conferir a visualmente impactante montagem da história sobre o conflito entre dois povos antigos com diferentes religiões. De um lado estão os druidas – liderados pelo sacerdote Oroveso e sua filha Norma. Do outro, estão os ocupantes romanos liderados por Pollione, com quem Norma secretamente tem dois filhos. Já no início da ópera, Pollione transfere sua afeição para Adalgisa, uma jovem sacerdotisa druida. É ver e tirar a as próprias conclusões.

A atração de Norma

Criado para Giuditta Pasta, Norma é considerado um dos papeis mais difíceis do repertório para soprano. Poucas cantoras se aventuram nele e um número menor ainda é capaz de defendê-lo com sucesso. Neste último grupo encontram-se Rosa Ponselle, que atuou no início  dos anos 1920, Joan Sutherland, Montserrat Caballé e, ainda mais recentemente, Cecilia Bartoli. Mas a Norma mais famosa, até hoje, é mesmo a de Maria Callas

Um dos maiores talentos que a cena lírica já viu, dona de voz única, de grande emoção e inigualável dramaticidade, Callas teve sua trajetória profundamente ligada ao papel de Norma. Sua interpretação para  Casta Diva é considerada imbatível e consolidou a sua reputação de prima-dona. Aliás, a gravação da mais famosa apresentação de Norma, com Callas à frente da orquestra do La Scala regida pelo maestro Tullio Serafin, é um marco histórico.

Foi o papel de Norma o que ela mais interpretou ao longo da carreira: 92 vezes (bem mais que Tosca, para citar outro papel marcante), excursionando pelas melhores casas de ópera até sua última apresentação completa da peça em Paris, em 1965.