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András Schiff, Emmanuel Pahud, Quarteto Emerson e Diana Damrau/ Fotos: Divulgação

| No céu carregado da crise, há estrelas – as atrações internacionais de 2017

23/01/2017 - Por Debora Ghivelder

Temporada reúne a diva Diana Damrau, o pianista Andras Schiff, o contratenor Philippe Jaroussky, o Quarteto Emerson e orquestras como a Filarmônica de Praga e a Orquestra Nacional do Capitólio de Toulouse, entre outras atrações

 

Quando o tempo é de crise econômica, nas temporadas brasileiras costuma minguar o número de atrações internacionais. É natural:  esse tipo de artista demanda, para os produtores, investimentos em altos cachês, sempre cotados em moeda estrangeira.

Mas, apesar da crise, a temporada 2017 reserva algumas boas surpresas, sem contar as estrelas já listadas em reportagens sobre as séries da Osesp e da Filarmônica de Minas:  a paulista traz Isabelle Faust, Nathalie Stutzmann, e Krzysztof Penderecki; a mineira tem Pinchas Zukerman, Anna Vinnitskaya, Alexandre Dossin, para citar alguns exemplos. No Rio, a Série Dell’Arte Concertos Internacionais e, em São Paulo, a Sociedade Cultura Artística, também garantem um bom elenco em suas respectivas programações, assim como o Mozarteum Brasileiro que, além de marcar presença no teatro L’Occitane em Trancoso, na Bahia, também garante atrações para a Sala São Paulo. Confira abaixo.

Trio Wanderer

28 e 29 de março – Sala São Paulo

Formado pelos franceses Vincent Coq (piano), Jean-Marc Phillips-Varjabédian (violino) e Raphaël Pidoux (violoncelo), todos formados pelo Conservatório de Paris, o grupo volta ao Brasil (vieram ao Rio em 2008) para abrir a temporada da Cultura Artística. Premiado, o trio se detaca pela sua afinidade com o repertório romântico. São duas apresentações: na primeira, tocam obras de Beethoven, Schubert e Tchaikovsky; na segunda, de Beethoven, Fauré, Copland e Ravel.

Philippe Jaroussky |Le Concert De La Loge

19 de abril –  Theatro Municipal, RJ
24 e 25 de abril – Sala São Paulo

Jaroussky é o mais conhecido contratenor de sua geração. É especializado em música barroca e vai enveredar exatamente por este repertório, calcado em árias de Haendel, nas apresentações em que canta acompanhado do grupo Le Concert de La Loge, fundado em 2015 por Julien Chauvin. O francês Jaroussky, 38 anos, é detentor de prêmios como o Victoires de la Musique (2004, 2007 e 2010) e o Echo Klassik (2008).

Diana Damrau, soprano | Nicolas Testé, baixo-barítono & Orquestra Sinfônica Mozarteum Brasileiro

1 e 2 de maio – Sala São Paulo – SP

Diva do Metropolitan Opera House, já definida como a melhor soprano coloratura em atividade, a alemã Diana Damrau é nome fortíssimo da cena lírica internacional. Ela se apresenta ao lado do francês Nicolas Testè, acostumado aos palcos das principais casas europeias e norte-americanas. Os dois estarão acompanhados pela recém-nascida Orquestra Sinfônica Jovem Mozarteum Brasileiro, regida pelo maestro  Carlos Moreno. Em tempos de crise, quando muitos conjuntos sinfônicos lutam pela sobrevivência, o surgimento de uma nova orquestra é notícia mais que alentadora. O programa ainda está sujeito a ajustes.

Benjamin Grosvenor

21 de maio – Theatro Municipal, RJ
23 e 24 de maio – Sala São Paulo

Aos 24 anos, o pianista inglês vem se firmando como nome forte do instrumento de sua geração. Suas interpretações conquistam o público não só pelo domínio da técnica mas pelo modo eletrizante com que defende o repertório. Ele vai apresentar programa com obras de Schumann, Mozart, Beethoven, Scriabin, Enrique Granados e Liszt .

Potsdam Chamber Orchestra | Emmanuel Pahud

6 e 7 de junho – Sala São Paulo

A orquestra alemã Potsdam Chamber estará sob a regência do inglês Trevor Pinnock, especialista em música barroca e dono de um Gramophone Award pela gravação dos Concertos de Bradenburgo. Com o flautista franco-suíço Emmanuel Pahud como solista, outra fera nos repertórios barroco e clássico, o conjunto apresenta programa calcado em sinfonias de Haydn e Mozart, além do concerto para flauta nº7 de François Devienne, pouco ouvido por aqui.

Filarmônica de Praga / Divulgação

Prague Philharmonia

20 e 21 de junho – Sala São Paulo
22 de junho – Theatro Municipal, RJ

Fundada em 1994 com o nome de Philharmonia de Câmara de Praga, pelo famoso regente Jiří Bělohlávek, a Prague Philharmonia renovou o cenário da música tcheca. Regida por Milan Turkovich e tendo a violinista alemã Rebekka Hartmann como solista, o grupo apresenta obras de Smetana, Sibelius e Dvorá na récita carioca. Em São Paulo, o conjunto conta com o violinista russo Vadim Repin como solista, à frente de um programa que não foi divulgado pelo Mozarteum.

Northern Sinfonia |Julian Rachlin, violino e direção artística

27 e 28 de junho – Sala São Paulo

Pupilo do falecido maestro Lorin Maazel, o talentoso violinista lituano Julian Rachlin vai também reger a orquestra inglesa. Fundada em 1958, o grupo foi eleito pelo jornal The Guardian a melhor orquestra de câmara britânica. No programa, Sibelius, Hindemith e Mendelssohn.

YOA – Orquestra das Américas

1 e 2 de agosto – Sala São Paulo
3 de agosto – Theatro Municipal, RJ

Comandada desde 2011 por Carlos Miguel Prieto, a orquestra que reúne músicos de países americanos, conta com o duo dos irmãos violonistas Sérgio & Odair Assad como solistas na s apresentações da capital paulista. O programa reúne obras de Stravinski, Gershwin, Javier Farias, De Falla e também de Sérgio Assad. No Rio, o grupo terá a violinista Nadja Salerno-Sonnenberg à frente de programa com obras de Copland, Stravinsky e Piazzolla.

Pretty Yende, soprano | Javier Camarena, tenor | Angel Rodriguez, piano

8 e 9 de agosto – Sala São Paulo

Nome em ascensão na cena lírica, a soprano sul-africana Pretty Yende faz sua estreia no Brasil com este recital em que se apresenta com o tenor Javier Camarena, sério candidato a um lugar no pódio dos grandes tenores. Eles estarão acompanhados pelo pianista cubano radicado no México, Angel Rodrigues. Programa não divulgado.

András Schiff

19 de agosto – Theatro Municipal, RJ
22 e 24 de agosto – Sala São Paulo

O pianista húngaro dispensa maiores apresentações. Mestre do instrumento, Schiff retorna ao Brasil. Vastamente premiado, dono de notável personalidade artística, Schiff vai dedicar-se às peças de Bach (O Cravo bem temperado, Livro I, no primeiro programa) e sonatas de J.Bach, Bartók, Janácek e Schumann (este segundo programa é o que será apresentado também na récita carioca).

Quarteto Emerson

12 e 13 de setembro – Sala São Paulo -SP

O grupo americano está entre os melhores – há quem afirme que é o melhor – quarteto de cordas da atualidade, multipremiado. O grupo formado pelos violinistas Eugene Drucker e Philip Setzer, o violista Lawrence Dutton e o violoncelista britânico Paul Watkins está de volta ao país após três anos. O programa tem Schumann, Bartók e Brahms na primeira récita; Mozart, Shostakovich, Beethoven, na segunda.

Orquestra Nacional do Capitólio de Toulouse

29 e 31 de outubro – Sala São Paulo
30 de outubro – Theatro Municipal, RJ

A Orquestra Nacional do Capitólio de Toulouse estará acompanhada pelo aclamado pianista francês Bertrand Chamayou , dono de sólida de carreira e da trompetista e conterrânea Lucienne Renaudin-Vary, sob a batuta de seu diretor musical e maestro titular Tugan Sokhiev. O russo, que é também diretor da Sinfônica de Berlim e diretor artístico e maestro principal do Teatro Bolshoi de Moscou, rege a orquestra francesa na execução de obras de Debussy, Stravinsky, Kórsakov e Shostakovich em São Paulo, e Stravinsky, Shostakovich e Debussy, no Rio.

Cappella Mediterranea

12 de novembro – Theatro Municipal, RJ
13 e 14 de novembro – Sala São Paulo

Liderados pelo argentino Leonardo García Alarcón, criador do conjunto, o grupo especialista no repertório barroco traz na bagagem peças de Monteverdi.

Nelson Freire

22 de Novembro – Theatro Municipal, RJ

Dono da mais expressiva carreira do piano brasileiro, Freire se apresenta em recital na casa carioca. O programa ainda não foi divulgado.

Informações sobre os concertos: Cultura Artística (SP), Mozarteum (SP) e Dell’Arte (RJ)