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Professores e alunos de arte de todo o mundo estabelecem trocas e fazem espetáculos gratuitos / Fotos: Divulgação

| Natal sedia uma festa internacional da música: o Glomus 2017, que vai até dia 20

16/01/2017 - Por Luciana Medeiros

São 180 estudantes e professores de música, teatro e dança, vindos de 29 países, num evento que torna "inesquecível o verão da capital do Rio Grande do Norte", diz o coordenador Fábio Presgrave.

Desde o dia 10 de janeiro, a capital do Rio Grande do Norte virou também uma espécie de meca de estudantes e professores de música. Está em curso o evento bienal da Glomus, a Global Music Network, uma rede internacional de escolas superiores de artes. São 13 dias de encontros, aulas, eventos e principalmente trocas entre participantes do mundo inteiro – um número que chega a 180 músicos, vindos de 29 países. A programação é toda gratuita.

Presgrave/ Divulgação

– É um festival atípico, com alunos e professores de música de todos os cantos do mundo realizando trocas fantásticas – diz o coordenador do Glomus 2017, o violoncelista Fábio Presgrave, também coordenador de Relações Internacionais da Escola de Música da UFRN, única escola da América do Sul que integra a rede.

Do Conservatório de Lyon, na França, a Universidades na Tanzânia e na Malásia; dos cursos superiores de Música na Califórnia e na Carolina do Sul (EUA) ao Centro de Música do Nepal, os instrumentos de cada local se harmonizam numa programação que não vê fronteiras entre clássico e popular. Fábio ressalta que as apresentações estão todas lotadas.

– A expressão do público nas apresentações é indescritível, emocionante. A relação com a Glomus transformou a Escola de Música, a Universidade e a própria cidade de Natal de maneira incrível.

Fundada por três academias dos países nórdicos, a Glomus promove, a cada dois anos, seu encontro numa cidade diferente. A princípio voltada apenas para a música, já reúne teatro e dança também. Fábio lembra que a relação com o Glomus veio no bojo de um “forte processo de internacionalização da UFRN”, área que ele comanda.

– As melhores escolas do mundo têm na internacionalização um pilar. E algumas das instituições participantes da Glomus firmam mais de 100 acordos internacionais.

O envolvimento com a instituição começou com a vinda de duas jovens dinamarquesas que vieram estudar em Natal e transmitiram a boa impressão aos dirigentes das escolas delas. Uma comissão da Glomus veio conhecer o trabalho e, um ano atrás, Natal ganhou a disputa para sediar a edição 2017 do Festival.

– Na minha época de estudante, todo mundo sonhava em estudar na Europa. Vemos que o movimento contrário hoje não é raro. O grupo ficou muito bem impressionado, especialmente com a articulação com os projetos sociais: na época, estávamos atendendo a cerca de mil alunos pelo Pronatec.

Alunos e professores começaram a chegar dia 7 e a programação para o público começou dia 11 de janeiro, com um concerto da Sinfônica da UFRN no Hotel Holiday Inn. As apresentações seguem no Solar Bela Vista, Auditório da Escola de Música da UFRN, Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte, Parque das Dunas, Pinacoteca do Estado, e auditório da Escola de Governo.

– As trocas entre músicos e alunos têm sido fenomenais. Já achávamos que ia ser um evento importante para Natal, mas a reação é emocionante – diz Presgrave. – Ontem (domingo, 15) tivemos uma jam session no Parque das Dunas e batemos recorde de público do lugar com 8 mil pessoas, que é uma das atrações turísticas mais importantes da cidade.

O financiamento do Festival é bem dividido: a UFRN bancou parte da hospedagem e a alimentação (“um espírito comunitário da Glomus: todo mundo no bandejão – e estão gostando”, ri Fábio), além da estrutura toda atendendo ao Festival. A Glomus providencia a vida dos alunos e artistas, num esquema solidário: professores e alunos de países mais ricos financiam a vinda de grupos dos países mais carentes.

O carioca Fábio, que é também coordenador de Pós-Graduação da Escola de Música, está em Natal há 9 anos, depois de passar pelas mais importantes orquestras brasileiras como solista.

– Estamos na contramão desse desmonte da cultura brasileira, a exemplo do que aconteceu com a Oficina de Música de Curitiba. Por isso, vemos que Natal se transformou nesse momento um centro nevrálgico dessa luta pela cultura no Brasil. A população daqui está dando um recado muito impactante da necessidade de cultura numa sociedade.

Os próximos dias trazem os últimos eventos. Uma jam session terça (17) na Pinacoteca do Estado, prédio do Século XIX, começa com uma roda de coco de jambê (“uma tradição do Rio Grande do Norte, que vai receber aos poucos os instrumentistas e dançarinos do Glomus. Vai ser uma experiência antropológica!”); um duo de cravo e oboé do Conservatório de Lyon se apresenta dia 18, quarta, que segue com uma dança de bambus da Malásia e música chinesa (“sem fronteiras entre clássico e popular”). O encerramento, dia 19, traz a Orquestra da Glomus.

– É uma Torre de Babel, com 60 pessoas, misturando instrumentos de todas as origens, coral e grupo de dança. Vivemos aqui a preservação e a troca, com oficinas e aulas, e a parte da criação, com os eventos.

O sonho de Fábio é repetir em janeiro de 2018 um encontro complementar, aproveitando o entusiasmo e o sucesso.

Veja aqui a programação.