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Cia Brasileira de Ballet em 'O Quebra Nozes'- Foto: Cris Gomes

| Natal é sinônimo de ‘O Quebra Nozes’. Balé terá versão encenada no Oi Casa Grande, no Rio

06/12/2017 - Por Debora Ghivelder

Título popular do repertório clássico, balé já teve numerosas adaptações, todas preservando a música impactante de Tchaikovsky

 

 

Poucos compositores escreveram tão bem para balé como Tchaikovsky. Com a proximidade das festas do final do ano, é comum que o clássico O Quebra Nozes, cuja história é passada no natal, tome conta das principais casas de espetáculos mundo afora. Além de se encantar com a história e o mundo de fantasia, é boa chance para se ouvir a partitura de Tchaikovsky, uma das mais populares, com as melodias que se tornaram memoráveis como a dança russa, o Trepak, a Marcha, a Dança da Fada Açucarada e a indefectível Valsa das Flores.

Já tendo criado música para O Lago do Cisnes e A Bela Adormecida, Tchaikovsky começou a compor a partitura de O Quebra Nozes em 1891, terminando o trabalho em 1892, um ano antes de sua morte por cólera. Muito crítico, o compositor avaliou o resultado como de qualidade inferior à sua A Bela Adormecida. Tchaikovsky também não o  o agradou o fato de a comissão do Teatro de São Petersburgo tenha escolhido adotar adaptação francesa de Alexandre Dumas para ser usada ao invés da fábula original escrita por E.T.A. Hoffman, O quebra-nozes e o rei dos ratos.

Os balés de Tchaikovsky foram criados em parceria com o coreógrafo e libretista Marius Petipa. Tchaikovsky compôs seguindo exigências precisas de Petipa, muito rígido em suas demandas. Ainda assim, a música de Tchaikovsky é eloquente e de imensa fluidez. Desde sua estreia até os dias atuais, O Quebra-Nozes recebeu diversas versões coreográficas que, em comum, preservam apenas a música de Tchaikovsky. Aliás, pouco se vê, hoje, da versão original de Petipa, que não foi bem recebida na estreia pelo público e revista por Lev Ivanov.

Um dos mais populares balés do repertório clássico, o balé conta a história da menina Clara que ganha de presente, na noite de Natal, um quebra-nozes. Clara adormece e, em seu sonho, o objeto transforma-se num príncipe. Ele deve enfrentar o Rei dos Ratos em um universo em que predominam aventura e fantasia.

Foto: Cris Gomes

No Rio, os cariocas terão uma única oportunidade de ver no palco o clássico natalino. A versão da Companhia Brasileira de Ballet, sob a direção de Jorge Texeira – que assina concepção e coreografia –  ocupa o Teatro Oi Casa Grande em cinco récitas, de 8 a 10 de dezembro. Nos papeis principais em 2017 estão as bailarinas Ana Flávia Alvim e Danielle Marinho, como Clara, os bailarinos Breno Lucena e Diovani Cabral, como Quebra-Nozes e ainda as convidadas Luciana Davi (da São Paulo Cia de Dança) e Mel Oliveira (Primeira Solista do TMRJ) como A Fada Açucarada e Rainha das Neves, além de Mozart Mizuyama (da São Paulo Cia de Dança) e Alyson Trindade (Primeiro Solista da CBB) como Príncipe e Rei das Neves.

Theatro Municipal do Rio não apresentará o balé

O Theatro Municipal não apresentará, este ano, a versão de Dalal Achcar, que tradicionalmente encerra as atividades da casa de ópera carioca. Em nota, a direção do TM explicou a Tutti Clássicos a razão de o balé ter sido suspenso neste ano especialmente difícil para a instituição e promete uma versão restaurada da obra para 2018.

“O Quebra-Nozes é um balé muito querido ao TMRJ, cuja produção criada há várias décadas é considerada uma das mais belas no mundo. Ela precisa ser apresentada, sim, mas na sua melhor forma e no mais alto nível artístico. Depois do acidente do ano passado, quando uma criança caiu no fosso — por sorte não se machucando — a direção do Theatro Municipal do Rio de Janeiro reuniu-se com Dalal Achcar, coreógrafa responsável pela versão, para avaliar que esforços seriam necessários para recriar o famoso espetáculo. Levantou-se que, para podermos montar este balé, seria necessário um gasto superior a 1 milhão de reais. A reforma dos cenários, bem como a confecção de novos figurinos, demandaria, também, vários meses. Por ser uma produção tão querida e emblemática para o Theatro, é necessário que ela seja feita com cuidado.

Em consideração e respeito a situação do país e do Estado do Rio de Janeiro, a FTMRJ julgou que seria desaconselhável gastar esse montante em uma produção – e sem ter certeza de que tudo ficaria a contento em tão pouco tempo. Por esse motivo, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro optou por não montar O Quebra-Nozes em 2017 e decidiu começar já no início de 2018 o projeto de restauração do espetáculo.”

SERVIÇO

DATA:
8, 9 e 10 de dezembro
LOCAL:
Teatro Oi Casa Grande (Shopping Leblon – Av. Afrânio de Melo Franco, 290A – Leblon, Rio de Janeiro – RJ)
HORÁRIO:
Sexta(8): 17h e 20h; Sábado (9): 16h e 20h; Domingo (10): 19h30
PREÇO:
• Inteira: R$ 80,00
• Meia: R$ 40,00