|

| Não é olimpíada, mas é maratona: Concurso Internacional BNDES de Piano vai de 1 a 10 de dezembro

24/11/2016 - Por Debora Ghivelder

Competição tem prestígio internacional já sedimentado e reúne, em cinco dias de provas, 19 instrumentistas de 11 países

 

Não é só de competições do nível de um Chopin ou de um Tchaikovsky que se alimenta o circuito de concursos de piano. Começa, no próximo dia 1 de dezembro, a quinta edição do Concurso Internacional BNDES de Piano. Brasileiro e carioquíssimo, o evento realizado pelo Instituto Arte Plena consolidou-se desde a sua fundação, em 2009, e tem cada vez mais respaldo no cenário internacional.

Como se mede esse prestígio? A começar, pelo número de inscrições. E serão 19 selecionados oriundos de 11 países – de um total de 150 inscritos de 37 nações diferentes – que chegam para competir e tentar chegar à final, marcada para o dia 10 de dezembro. É gente de todo canto: da China, Coreia do Sul e Japão ao Canadá, passando por Rússia, Bielorrússia, Romênia, Polônia, Portugal, Grã-Bretanha.

O Brasil está representado por seis jovens pianistas.  As etapas eliminatórias e as semifinais acontecem na Sala Cecília Meireles e a final, no Theatro Municipal, com a participação da Orquestra Sinfônica Brasileira sob a regência do maestro convidado, Roberto Tibiriçá. A entrada é grátis.

Júri expressivo

Outro bom indicativo do peso de uma competição é a formação do júri. A quinta edição do Concurso BNDES tem o corpo de julgadores  presidido por Elisso Virsaladze, nome de peso na seara acadêmica. Professora do Conservatório de Moscou e da Hochschulle de Munique, na Alemanha, ela também é conhecida como uma grande intérprete da obra de Schumann ( se apresentou no Rio, há dois anos).

Na bancada também estarão o vietnamita Dang Thai Son, vencedor do Chopin de Varsóvia (foi o primeiro asiático a conquistar vitória em um concurso de peso, desbancando Ivo Pogorelich); o polonês Piotr Paleczny, premiado em cinco concursos, entre eles também o Chopin, e diretor do mais antigo festival de piano existente no mundo – o International Chopin Piano Festival de Duszniki Zdroj; o húngaro Tamás Ungár, fundador e diretor executivo da Piano Texas International Academy & Festival e membro desde 1978 do corpo docente da Texas Christian University (TCU) Piano Faculty e ainda o argentino, professor Honorário do Conservatório de Genebra Luis Ascot, que ostenta prêmios como o Paderewski Award e o Prize of Virtuosity suíços.

Completam o corpo de jurados dois brasileiros: a pianista Linda Bustani, que tem sólida carreira de solista e venceu diversos concursos como o Vianna da Motta, em Portugal, e o jornalista, crítico, tradutor, escritor, Irineu Perpétuo, também colaborador de Tutti Clássicos.

Por último, mas nem por isso de menor importância, há o prêmio. O vencedor leva para casa R$ 120 mil e uma agenda de concertos no Brasil, na Europa e nos EUA na temporada de 2016/2017. O segundo lugar recebe R$ 75 mil e o terceiro, R$ 60 mil. Há ainda o Prêmio Melhor Intérprete de Música Brasileira – este ano voltado para o repertório de Camargo Guarnieiri (1907-1993) – de R$ 17 mil, e o Prêmio do Público (R$ 8 mil).

A Fundação Ginastera oferece, ainda, um prêmio ao candidato que incluir na prova semifinal a Sonata nº 1 ou a Sonata nº 2 do compositor argentino Alberto Ginastera. O prêmio será de US$ 3 mil, para o melhor intérprete da obra.

nelson-e-d

Nelson Freire e Lucia Branco (1957)

– Nossos prêmios estão dentro da média oferecida por outros concursos internacionais, afirma Lilian Barretto, à frente da organização da competição. – Somos hoje o único concurso do Brasil certificado pela World Federation of International Music Competitions, e um dos dois concursos avalizados pela Instituição na América Latina.

Esta edição homenageia também a pianista e professora Lucia Branco (1903-1973), por cujas aulas passaram alguns dos grandes nomes do piano nacional como Jacques Klein, Luiz Eça, Arthur Moreira Lima, Nelson Freire e Tom Jobim. Dos 19 concorrentes, oito avançarão às semifinais. Desses, três concorrem na final com orquestra.

Apoio à atividade pianística

lilian-ao-piano

     Lilian Barretto / Foto: Ana Branco

Desde que foi criado, o concurso, com suas provas que atraem sempre uma plateia numerosa e animada, é apenas a parte visível do trabalho feito pelo Instituto Arte Plena. Fora do palco, a instituição trabalha – sempre apoiada pelo BNDES- para identificar, suprir e apoiar necessidades no segmento da música de concerto, e do piano em particular.

– Nossas ações se baseiam, em muito, naquilo que sentimos a cada concurso. Durante quatro décadas não tivemos competições de porte. E ficamos sem saber onde estavam os novos talentos, os futuros bons pianistas. Então começamos com esse mapeamento. Hoje, concedemos bolsas de estudo a pianistas promissores no país, identificando as necessidades de cada um deles. Até hoje já garantimos 13 bolsas – orgulha-se Lilian.

Ao identificar e tentar suprir ou minimizar dificuldades, o Arte Plena já comprou, em 2010, 20 pianos para doação a instituições de ensino de música como a Escola de Música da UFRJ e o Conservatório Brasileiro de Música. Em 2011, lançou o livro Guiomar Novaes do Brasil, um recorte da carreira internacional da pianista, trazendo gravações inéditas com a Filarmônica de Nova York. Implementou, também, um curso para afinadores de piano.