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Som + Eu: educação musical no Morro da Providência / Foto: Divulgação

| Música e cidadania em projeto vitorioso no Morro da Providência

13/03/2017 - Por Debora Ghivelder

Fundado em 2011, Som + Eu amplia ação em núcleo na Baixada Fluminense e passa a oferecer aulas de canto coral, além das turmas de música

 

Moana Martins é pianista, formada pelo Conservatório Brasileiro de Música. Desde 2011, é também coordenadora geral do Projeto Som+ Eu, baseado no Morro da Providência, instituição social sem fins lucrativos, voltado para educação musical de crianças, adolescentes e jovens de 6 a 19 anos e para os pais dos jovens. Enquanto a crise financeira do país dificulta o alargamento de horizontes de forma geral, o projeto das Unidades Pacificadoras começa a dar sinais evidentes de esgarçamento, o Som + Eu celebra conquistas. As aulas, iniciadas na primeira semana de março, agora contam também com canto coral. E o projeto passou a ter também um núcleo em Campos Elíseos, Duque de Caxias.

– Desde que o projeto começou as crianças cresceram. Alguns estão na universidade, estudando música e querendo ser multiplicadores do projeto. Hoje estou feliz, saí de uma reunião e vamos empregar oito jovens como multiplicadores – vibra Moana, ela mesma egressa de um projeto social no interior da Bahia. – Sei bem o que é querer ser incluído, querer participar e ser cidadão.

Hoje o projeto, só no núcleo da Providência, está com 300 alunos matriculados. Mas ainda há vagas disponíveis. A ideia é chegar a 543 participantes. As aulas são inteiramente gratuitas. Os alunos que se destacam concorrem a uma bolsa auxílio, que vai de R$ 100 a R$ 200, dependendo da necessidade ou não de vale transporte.

– No ano passado concedemos algo em torno de 18 a 20 bolsas – diz Moana, contando ainda que o projeto expandiu também o tempo passado em aula. – Passamos de quatro para oito horas na semana, sendo seis obrigatórias.

O Som + Eu oferece aulas de violino, viola, violoncelo, contrabaixo, flauta doce e transversal, clarinete, saxofone, trompete, trombone, prática de orquestra, teoria e percepção musical. Todos os instrumentos são disponibilizados pela escola. Nas aulas, são formados os grupos: Orquestra de Câmara da Providência, Orquestra Juvenil da Providência e o grupo de sopro – o Clarins da Providência, que participa de uma agenda de apresentações organizada pela instituição.

– Procuramos ter a maior gama de instrumentos possível, tal qual uma orquestra. Mas, às vezes, esbarramos em algumas dificuldades. Um tímpano, por exemplo, custa R$ 20 mil. Também ainda não oferecemos o lanche de uma forma regular porque o patrocínio que recebemos ainda não cobre todas as nossas necessidades.

Moana, que espera ampliar o naipe de instrumentos num futuro breve, incluindo a harpa, por exemplo, já tem planos para o novo coro do projeto, que sairá das novas aulas iniciadas agora. O grupo vai integrar o espetáculo em homenagem a Tom Jobim, programado para acontecer em junho.