|

| Morre no Rio o compositor e produtor Sergio Roberto de Oliveira, aos 46

19/07/2017

Sai do cenário um dos nomes mais atuantes da música contemporânea brasileira, tendo sido indicado ao Grammy Latino duas vezes e responsável pelos principais lançamentos eruditos da atualidade

Lutando contra um câncer no pâncreas desde fevereiro do ano passado, faleceu na madrugada nesta quarta-feira, 19 de julho, o compositor e produtor carioca Sergio Roberto de Oliveira, aos 46 anos, diretor da A CASA Discos, gravadora especializada em música erudita contemporânea, fundada em 1998, tendo lançado mais de 30 CDs. O velório será no Memorial do Carmo, a partir das 16h de hoje, até a cremação, que será feita amanhã, às 13h, no mesmo local.

Duas vezes indicado ao Grammy Latino (2011 na categoria “Melhor Composição Clássica Contemporânea” e 2012 pelo CD “Prelúdio 21 –Quartetos de Cordas” no qual atuou como produtor e compositor), Sergio Roberto de Oliveira vinha participando decisivamente no cenário musical brasileiro e internacional e continuou produzindo e compondo até o fim da vida. Sua ópera Na Boca do Cão, com interpretação da soprano e atriz Gabriela Geluda e direção de Bruce Gomlevsky, foi sua última obra escrita e segue em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil até o dia 30 de julho. Mesmo bastante debilitado, produziu os discos “Trio Paineiras interpreta Compositores de Hoje” – no qual participa com sua música “Paineiras”  e que chega ao mercado neste mês de julho – e o CD de estreia do Harmonitango, com lançamento previsto para outubro.

Desde sua primeira indicação ao Grammy Latino, em 2011, Sergio Roberto de Oliveira se dedicou intensamente na difusão de sua obra e da música de concerto carioca. Produziu e lançou inúmeros títulos neste segmento, como os CDs do Quinteto Lorenzo Fernandez, Trio Capitu, os dois do Duo Santoro, Cristiano Alves, Ayran Nicodemo, Ricardo Tacuchian, The Biedermeiers, Duo Bretas-Kevorkian, GNU, Orquestra Sinfônica Nacional, escrevendo obras para a maioria destes.

Publicada nos EUA, Inglaterra e Alemanha, sua música já foi executada em 8 países, tendo sido convidado com frequência para palestras sobre sua obra no Brasil e no exterior. No campo da música para cinema, lançou em 2014 o curta “Ao Mar”, e compôs a trilha para os filmes “Alla Prima” e “A Dívida”, sendo indicado com o último no Festival Internacional de Cinema de Madri na categoria “Melhor Música para filme” e no International Filmmaker Festival of  World Cinema de Milão na categoria “Melhor Trilha Sonora”. Seu grupo de compositores, Prelúdio 21, é um dos mais ativos do mundo e tem tido destaque no cenário da música contemporânea brasileira, atuando há 17 temporadas ininterruptas. Oliveira era ainda membro do grupo de compositores Vox Novus, baseado em Nova York, e da Academia Latina de Artes e Ciência da Gravação.

(texto de Fábio Cezanne)