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Miguel Proença / Divulgação

| Miguel Proença volta à Sala Cecilia Meireles, sábado (5)

03/11/2016 - Por Luciana Medeiros

O pianista interpreta peças de Chopin, Villa, Brahms e Gluck no recital da série dedicada ao instrumento e fala de seu projeto Piano Brasil, na oitava edição, que já percorreu 145 cidades brasileiras

 

O palco da Sala Cecilia Meireles é muito familiar ao pianista Miguel Proença, que estará de volta à casa carioca no sábado (5) para um recital da série Piano na Sala. Aliás, não somente o palco, onde o pianista gaúcho se apresentou quase incontáveis vezes nos 54 anos de sua carreira nacional e internacional: toda a Sala, que ele dirigiu entre 1983 e 1987, é parte de sua memória e de sua vida. Ele ri com as lembranças da sua passagem pelo gabinete.

– Naquela época, administrávamos a escassez; eu ia muitas vezes distribuir ingressos para o pessoal da Lapa, na rua, para povoar algumas plateias. Banheiros eram uma dor de cabeça! Naturalmente, a reforma fez tudo ficar mais lindo, e é sempre muito emocionante tocar na Sala – afirma, às vésperas do recital em que apresenta peças de Gluck, Brahms, Villa-Lobos e Chopin.

O pianista vem de um ano de muito trabalho, na oitava edição de seu projeto Piano Brasil, que já percorreu, ao todo, 145 cidades brasileiras, das grandes capitais às pequenas localidades. Patrocinado esse ano pelo BNDES – “já tivemos outros apoiadores, mas em 2016 contamos só com o banco”-, Piano Brasil tem por objetivo central levar recitais a cidades ou públicos com pouco acesso à música clássica. Depois de doze paradas só em 2016, vai ainda a Belém, Goiânia e Campinas.

– É um projeto de continuidade do qual me orgulho muito. Toco onde for possível: teatros, cinemas, clubes. O que importa é abrir portas para a música, atraindo gente de todas as idades e formações de maneira simples, clara. E isso venho conseguindo fazer.

Miguel celebra tanto casas cheias como também os espetáculos em que toca para estudantes explicando as peças em linguagem didática. E conta histórias, é claro, dessas jornadas. Em Quaraí, sua cidade natal, ele precisou levar um afinador para trabalhar quatro dias no único piano da cidade – “e ele fez um milagre”. No Acre, o pianista recebeu no camarim, antes do espetáculo, a visita de um indígena, que se apresentou como filho do pajé de tribo local.

– Ele me disse que queria ouvir Villa-Lobos. Quando toquei Saudades das Selvas Brasileiras, ele chorou.

A peça que fez o filho do pajé se emocionar está no programa deste sábado. Miguel começa o recital com a onírica Dança dos Espíritos Abençoados, da ópera Orfeu e Eurídice de Gluck, em arranjo para piano de Wilhelm Kempff , e segue com os Intermezzos de Brahms – a última composição para piano solo do alemão -, encerrando a primeira parte com as Saudades de Villa, de 1927,  e a Hommage a Chopin, de 1947, peça encomendada ao brasileiro pela UNESCO, para a celebração dos cem anos do compositor polonês. A segunda parte é dedicada integralmente a Chopin e inclui a Sonata em Si Menor, Op.58 nº3, considerada uma das mais difíceis peças do repertório chopiniano, técnica e musicalmente.

– Começo com Gluck, uma peça que me dá paz, me alinha com a minha sonoridade. E encerro a noite com um monumento do romantismo, a Sonata em Si menor.

São 80 minutos de piano. Para Miguel Proença, é mais um reencontro com o público carioca e a alegria de tocar num ambiente repleto de boas memórias.

– Vou matar as saudades da Sala, que bom.

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