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Foto: Andy Terzes

| Marcelo Lehninger rege a Petrobras Sinfônica com solo de Sonia Goulart

27/09/2017 - Por Luciana Medeiros

O regente volta à cidade e ao palco onde estreou para dois concertos com a mãe como solista. É a volta do jovem maestro ao Rio depois de quatro anos de ausência

 

Marcelo Lehninger, aos 37 anos, parece mais jovem do que é, com um sorriso largo no rosto redondo. Para um regente com carreira internacional, é efetivamente uma idade muito tenra. Nesta sexta (29) e no sábado (30) ele volta à Sala Cecilia Meireles, no Rio, para reger a Petrobras Sinfônica – e tem como solista do Concerto para piano nº 2 em fá menor, Op. 21, de Chopin, sua mãe, Sonia Goulart. O programa tem ainda ensaio aberto na Fundição progresso, na Lapa, na quinta (28), às 14h30.

– São muitas as coincidências emocionantes nesse concerto – conta ele, por telefone, recém-chegado ao Rio. – Essa peça foi a última que minha mãe tocou antes que eu nascesse; grávida de nove meses, aqui na Sala Cecília Meireles! Foi aqui na Sala também que eu a vi pela primeira vez como pianista, tocando Brahms. E tem mais: foi na Sala que eu regi a mesma Petrobras Sinfônica quando ganhei, em 2001, o concurso Eleazar de Carvalho.

Faz algum tempo que Marcelo não se apresenta na cidade: esteve à frente da OSB em maio de 2014. Mas esteve em Minas – ele foi, aliás, assistente de Fabio Mechetti na criação do vitorioso projeto da Filarmônica de Minas – e em São Paulo em 2015 e 2016. Sobre a situação da música carioca, diz que acompanha pouco – mas, do que sabe, só tem a lamentar.

– Existe uma geração no Brasil e no mundo que teve a música na formação. Depois disso, um vazio. Não há outra solução para a grande arte a não ser a educação do público, um projeto a longo prazo. De qualquer maneira, hoje temos a Internet a nosso favor. E as instituições estão se movimentando para adaptar suas linguagens ao mundo de hoje. É inevitável.

Marcelo dá como exemplo programas que atraem as jovens plateias com formatos mais descontraídos, que liberam a movimentação, por exemplo.

– Há programas pré e pós concertos em muitos lugares com lounge, drinques, DJ – ele cita. – O jovem acha a experiência tradicional tediosa. São outros tempos mesmo.

Sua nova casa orquestral é a orquestra de Grand Rapids, Michigan, nos Estados Unidos, que assumiu com um primeiro contrato de cinco anos a partir desse mês. Lehninger veio da New West Symphony, em Los Angeles. Como regente convidado, já fez um grande e prestigiosíssimo circuito mundial, com o aval de Kurt Masur e Mariss Jansson, por exemplo. Mas foi a parceria com James Levine, outro titã da batuta, na Boston Symphony, que projetou Marcelo no métier.

–  Entrei como assistente de Levine e, quando chegou o limite máximo estabelecido para o posto, que é de três anos, me convidaram para ser regente associado – conta ele. – É um título muito raro de ser concedido, foi uma honra. Com os problemas de saúde de Levine, fiquei bastante à frente dessa orquestra espetacular.

Marcelo assegura que a música brasileira vai estar nos programas da nova orquestra – “Camargo Guarnieri, Ronaldo Miranda, entre outros”. E toca com a Grand Rapids Symphony em abril de 2018 no Carnegie Hall, com Nelson Freire como solista. E a ópera?

– Olha, adoro ópera, mas aqui nos Estados Unidos acaba-se escolhendo entre música sinfônica e os palcos líricos.

Sonia Goulart tocou sob a regência do filho na Califórnia e volta agora à dobradinha.

– Ela é incrível, tem uma energia e uma jovialidade enormes, tocando maravilhosamente bem – derrete-se Marcelo. – E estamos preparando uma surpresa, se tiver bis: uma peça a quatro mãos no piano!

Programa

Marcelo Lehninger, regente
Sonia Goulart, piano

Frederic Chopin – Concerto para piano nº 2 em fá menor, Op. 21
Ludwig Van Beethoven – Sinfonia nº 5 em dó menor “Destino”, Op. 67

Serviço
28/9 (quinta-feira), 14h30
Local: Fundição Progresso – Rua dos Arcos 24 – Lapa – RJ
Telefone: (21) 2220-5070
Capacidade: 90 pessoas
Entrada gratuita
Classificação: livre

29 e 30/9 (sexta-feira e sábado), 20h
Local: Sala Cecília Meireles – Rua da Lapa, 47 – Lapa, Rio de Janeiro
Telefone: (21) 2332-9223
Ingressos: R$20 (meia-entrada) e R$40 (inteira)
Classificação etária: livre