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Foto: Divulgação (LP&M)

| Morre o escritor, crítico e jornalista Lauro Machado Coelho, aos 74

01/02/2018 - Por Equipe Tutti

Um homem de grande cultura e generosidade, apaixonado por música e ópera, deixa um legado jornalístico e literário marcante, pela profundidade, pela capacidade de transmitir conhecimento e pela paixão

 

Uma autoridade incontestável em música clássica e ópera morreu nessa quinta, 1º de feveireiro. Lauro Machado Coelho, crítico musical e jornalista, escritor , professor, tradutor de fôlego, faleceu aos 74 anos, de complicações decorrentes de uma infecção. Lembrado por sua vasta cultura e, igualmente, pela sua imensa generosidade, Coelho publicou em muitos veículos e teve uma colaboração muito estreita com o Estado de S. Paulo.

– Em seu trabalho jornalístico ou em seus livros, oferecia uma compreensão ampla a respeito das obras de que tratava, em que se evidenciava seus muitos campos de atuação – aponta o jornalista também especializado em música e ópera João Luiz Sampaio, um admirador do mestre que privou da sua convivência pessoal e profissional. – . O jornalista tinha obsessão pelos fatos; o jornalista especializado em política internacional entendia a arte em seu contexto histórico, social e cultural; o professor apostava na didática; e o apaixonado por música articulava todos esses aspectos para fazer da obra comentada algo com que o leitor ou o aluno pudesse se relacionar de maneira direta, rica, entendendo que a arte era fundamental, em um nível individual, para a compreensão de nós mesmos.

Mineiro, militou a princípio no Jornal da Tarde (SP), como repórter da editoria internacional e também na crítica de cinema. Passou pela revista Época, Rádio Cultura e foi crítico de música do Caderno 2 do Estadão.

– Lauro tinha o raro dom de exibir uma vasta sabedoria sobre literatura, cinema e música clássica de uma forma clara, precisa. E sua pesquisa sobre a história da ópera é essencial para a cultura brasileira – reitera Ubiratan Brasil, editor de cultura do jornal paulista. – E, acima de tudo, um homem encantador, de uma gentileza rara.

Construiu também uma obra literária referencial: os dez volumes de sua História da Ópera (Ed. Perspectiva) são indispensáveis para quem aprecia o gênero.  Em 2006, lançou Shostakovich: Vida, Música e Tempo (Ed Perspectiva). Mais tarde, uma série dedicada a Liszt, Bartók, Bruckner e Sibelius (Editora Algol). Traduziu ainda  poemas da russa Anna Akhmátova (L&PM) e, em 2008, lançou a biografia da poeta: Anna, a Voz da Rússia – Vida e Obra de Anna Akhmátova. Lauro também foi coordenador dos corpos estáveis do Teatro Municipal de São Paulo na década de 1990.

João Luiz Sampaio resume:

– Ele fará falta para o meio musical. E era um amigo cuja generosidade será lembrada, sempre.

O velório acontece hoje, 1º, entre 21h e meia-noite, e amanhã, 2, das 7h ao meio-dia, no Theatro São Pedro, em São Paulo.