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Foto: Julia Rónai

| La Tragédie de Carmen: estreia brasileira da versão de Peter Brook no Municipal RJ

09/08/2017 - Por Luciana Medeiros

A ópera de Bizet ganhou em 1983 uma versão de Brook com os quatro personagens principais em cena. A montagem carioca tem sete récitas de 9 a 19/8, incluindo o Domingo a R$ 1

 

Estreia nesta quarta, 9 de agosto, no Municipal do Rio a primeira montagem brasileira da versão de Peter Brook, o encenador britânico de grande prestígio mundial, para a ópera Carmen, de Bizet. Serão sete récitas reunindo boa parte dos artistas da casa e cantores convidados, à frente de uma formação de 30 instrumentistas da Orquestra do Theatro, e do balé, coreografado por Marcelo Misailidis.  A temporada inclui o Domingo a R$ 1, no dia 13 de agosto.

A montagem subiu à cena pela primeira vez em 1983 e é uma criação de Brook, encenador de fama internacional, em parceira com o escritor Jean-Claude Carrière e o compositor Marius Constant, sobre o original de Bizet – um dos hits líricos mundiais. A ideia foi reunir em 90 minutos o principal enredo, focando a trama no conflito repleto de paixão, ciúme e sangue dos quatro principais personagens – a cigana Carmen, D. José, o toureiro Escamillo e Micaela.

– A Carmen original é possivelmente a opera perfeita, isso é inegável – afirma o diretor artístico do Municipal, André Heller-Lopes. – Nietzsche já dizia. Brook e Constant concentraram a ação e aproximaram tudo do texto do Merimée, tirando concessões à opera francesa. É uma Carmen ‘íntima’ e, por isso mesmo, mais trágica.

Os três elencos que encarnam os quatro personagens se revezam  e são formados por brasileiros – solistas do coro do TMRJ, como Flávia Fernandes, Ivan Jorgensen, Lara Cavalcanti e Gisele Diniz;  estudantes da Academia de Ópera Bidu Sayão, como Cintia Graton, Tatiana Nogueira; e convidados, entre os quais  cantores de carreira estabelecida como Carolina Faria, Eric Herrero e Leonardo Neiva além de Matheus Pompeu e Frederico Oliveira.

– Adoro vozes generosas, operísticas, claro, e trabalhar com esse material é o que me cativa.  Falar individualmente dos solistas, com três elencos, é difícil. Lara Cavalcanti e Tatiana Nogueira são duas grande vozes jovens que temos no Rio. Gisele Diniz e Ivan Jorgensen são exemplos do excelente nível de artistas que temos no coro, sólidos, prontos para qualquer desafio; Flavia Fernandes é uma cantora infalível e de voz com muita personalidade, uma das mais importantes cariocas de sua geração. Leonardo Neiva e Eric Herrero são dois dos melhores cantores líricos brasileiros da atualidade, é um golpe de sorte para o TMRJ que eles estivessem livres para vir aqui. Neiva veio de um recital em Recife e segue direto para o Uruguai, onde canta no Solis. Quanto ao Eric, excelente tenor de voz cheia, e além de tudo alto e bom ator, agora mudou-se para o Rio.

Além do elenco, dirigido por Menelick Carvalho e Julianna Santos, Heller-Lopes ressalta a presença de Priscila Bomfim, que rege a orquestra com Jésus Figueiredo, como a estreia de uma maestrina no teatro histórico do Rio.

– Ele é maestro do coro e ela, diretora musical da Academia [Bidu Sayão]. Priscila é, incrivelmente, a primeira mulher a reger uma ópera do fosso do TMRJ. Como pode isso ter demorado tanto?

A força do enredo, concentrada na ciranda de amor e dor dos personagens principais, é o que sustenta o poder da cena, segundo Heller-Lopes. E a força de trabalho dos artistas do Municipal, nesse momento difícil da vida pública?

– Temos tido boas noticias em termos de patrocínios. O movimento SOS TMRJ, feito pelos funcionários, teve o dom de mostrar como o TMRJ está no coração de todos nós. Fechamos com várias empresas, em especial com a Petrobras, para uma programação alinhavada até o fim de 2018, que vai sendo anunciada passo a passo, “à moda carioca”.

 

Ópera-balé, a partir da versão de Peter Brook para a ópera Carmen de Bizet. Música de Georges Bizet, arranjada por Marius Constant

Direção Cênica: Juliana Santos e Menelick Carvalho

Regência: Priscila Bomfim / Jesus Figueiredo

Elenco:

Carmen:  Carolina Faria (dias 9, 10, 12, 13) / Lara Cavalcanti ( 18) / Cinthia Graton (17, 19)

D Jose: Eric Herrero (9, 12,  18) / Ivan Jorgensen (17, 19)/ Matheus Pompeu (10, 13)

Micaela: Flavia Fernandes (9, 12,  18)/ Gisele Diniz (17, 19) / Tatiana Nogueira (10, 13)

Escamillo: Leonardo Neiva (9, 10, 12,) / Daniel Germano (13, 17) / Fred Oliveira (18, 19)

 

Datas: 9,10,12,17 e 18 de agosto às 20h e 19 de agosto às 20h30.

Valores:  Camarotes/frisas: R$ 300 – Plateia/balcão nobre: R$ 50 – Balcão superior: R$ 30 – Galeria: R$ 20

Ingressos disponíveis na bilheteria do Theatro e pelo site www.ingressorapido.com.br

Data: 13/0 às 11h30

Valor:  R$1,00 – Ingressos disponíveis somente na bilheteria do Theatro

Lotação:  2226 lugares

Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Praça Floriano, s/nº – Centro

Informações – (21) 2332-9191