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Ciobanu leva o primeiro prêmio no V Concurso Internacional BNDES de Piano / Foto: Vania Laranjeira

| Jovem romeno leva primeiro prêmio do V Concurso Internacional BNDES de Piano

11/12/2016 - Por Débora Ghivelder

Daniel Ciobanu (24) foi o grande vencedor da quinta edição da competição, que teve a final no sábado (10), no Municipal do Rio. Joo Hyeon Park e Andreas Ioannides ganharam o segundo e o terceiro prêmios

 

O público aclamou o sul-coreano Joo Hyeon Park ao final da peça escolhida para o confronto final da V edição do  Concurso Internacional BNDES de Piano. Era o mais do que conhecido Concerto n.1 em Si Bemol Menor, op.23, de Tchaikovksky, o epíteto do romantismo, com a abertura brilhante e seu dramático crescendo emocional. E não deu outra: Joo foi o favorito do público, prêmio que sai da urna colocada bem na entrada da plateia. Mas, para os jurados, ele ficou em segundo lugar, levando R$ 75 mil.

O juri consagrou mesmo o romeno Daniel Ciobanu, o mais jovem dos três concorrentes da final – a bem da verdade, também aplaudidíssimo. Em termos de comportamento e vestuário, Ciobanu já se destacava na turma de semifinalistas, com suas calças saruel e cabelos amarrados em coque. Verdade seja dita: dessa turma, quase todos mostraram-se perfeitamente… jovens.  Das reações musicais, ele havia tocado na semifinal uma ovacionada Quadros de uma Exposição, de Mussorgsky.  Na final, ele tocou o Concerto n. 3 op. 26 em Dó Maior de Prokofiev, uma obra repleta de alegrias e variações delicadas. Seu prêmio é de R$ 120 mil e uma série importante de concertos nos Estados Unidos, Europa e na América do Sul.

Andreas Ioannides foi o terceiro colocado (prêmio de R$ 60 mil), tendo sido o primeiro a se apresentar no sábado – e tendo escolhido o monumental Concerto n. 5 em Mi Bemol Maior, op 73, “Imperador”, de Beethoven, que ocupou toda a primeira parte da disputa antes do intervalo. Foi justamente esse concerto que Nelson Freire tocou, aos 12 anos, naquele mesmo palco, no Concurso do Rio de Janeiro em 1957 – ficou em sétimo lugar, mas em compensação ganhou uma bolsa de estudos em Viena das mãos do presidente Juscelino Kubistchek, que acompanhava atentamente o concurso.

Não havia presidente da República no Municipal, sábado. Havia um público entusiasmado. Melhor dizendo: havia uma presidente do juri, a respeitadíssima Elisso Virsaladze (a segunda à esquerda), pianista e professora professora no Conservatório Tchaikovsky em Moscou e na Universidade de Música de Munique. O corpo de jurados teve o jornalista Irineu Perpétuo (o primeiro à esquerda), Elisso, a pianista Linda Bustani, Tamás Ungár, pianista e professor húngaro, Dang Thai Son, pianista vietnamita, Luis Ascot, pianista e professor argentino e o pianista e professor  polonês Piotr Paleczny.

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A mecânica do Concurso, para quem não acompanhou desde o início, foi a seguinte: das 150 inscrições aceitas, foram selecionados 19 que disputaram dias 1 e 2/12 as oito vagas para as semifinais, que aconteceram dias 4 e 5/12. Dia 5 já foi anunciado o primeiro par de prêmios: o da Fundação Ginastera (U$ 3 mil para quem melhor interpretasse uma obra do compositor argentino), que foi para a russa Liza  Kliuchereva (17), considerada uma promessa de peso; e o de Melhor Intérprete de Música Brasileira, de R$ 17 mil – no caso, das peças de Camargo Guarnieri, o homenageado desta edição – que foi para Lucas Thomazinho (21).

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Lilian Barretto

Thomazinho havia sido o único dos seis brasileiros a ser selecionado para a Semifinal. Ele é um dos bolsistas do Concurso – uma das ações do Instituto Arte Plena e do BNDES é a busca de jovens talentos do piano pelo Brasil para conceder bolsas de estudo com os melhores professores do mundo. Foram cinco bolsistas a disputar nessa edição.

– O nível dos candidatos foi extraordinário – diz Lilian. – Poderiam ter passado pelo menos mais uns três ou quatro para a final.  Fiquei muito feliz porque vi um imenso público jovem em todas as etapas e, em especial, na finalíssima.

Na entrega dos prêmios, a chefe do departamento de economia da cultura do BNDES, Luciane Gorgulho, já apontou a realização dos próximos concursos em 2018 e 2020.  Lilian assegura que as chamadas “ações estruturantes” prosseguem.

– Vamos abrir novas inscrições de bolsas no primeiro semestre. Vamos fazer séries de concertos, inclusive com os vencedores desta edição, em 2017 e 2018. O que se fez, apesar dos tempos difíceis que estamos vivendo, foi uma reafirmação da solidez e da importância  do Concurso, que os jurados, uma verdadeira tropa de choque internacional das competições, atestaram.

Lilian revela, por fim, que Daniel Ciobanu quase não participa. Nem Joo Hyeon Park.

– Tanto Joo quanto Daniel foram repescagens, eram os dois primeiros suplentes.Aliás, a vencedora de 2014, Tamila Salimdjanova, estava no mesmo caso. Cada vez mais me convenço de que o concurso é uma janela do destino para esses talentos aparecerem. Quando têm de aparecer, isso acontece.

A edição de 2018 homenageará o pianista Arnaldo Estrella e o compositor Guerra-Peixe.

Vídeos do concurso no site.

 

 

 

 

  • Joo Hyeon Park à frente da OSB regida por Roberto Tibiriçá / Foto: Vania Laranjeira

  • Andreas Ioannides no palco, com a OSB / Foto: Vania Laranjeira

  • Ciobanu, IOannides e Park nos camarins / Foto: Vania Laranjeira

  • Liza Kluitchereva e Lucas Thomazinho, ganhadores dos prêmios Ginastera e de Musica BRasileira / Foto: Vania Laranjeira

  • Luciane Gorgulho, do BNDES, entrega o prêmio a Ioannides