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O pianista Sérgio Tiempo o maestro Karabtchevsky (Fotos: divulgação)

| Isaac Karabtchevsky rege Tchaikovsky com a Osesp e o pianista Sergio Tiempo

28/11/2017 - Por Luciana Medeiros

O regente faz quatro concertos com a 'Sinfonia n. 5' do compositor russo e, em três deles, tem o argentino Sergio Tiempo como solista do 'Concerto nº 1 Para Piano em Si Bemol Menor, Op. 23'

 

Quando Isaac Karabtchevsky subir ao pódio da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, dia 3 de dezembro, estará fazendo sua última participação em mais uma temporada da mais importante orquestra brasileira da atualidade. Fecha nesse dia – um domingo de manhã – uma série de quatro concertos, três deles com o pianista argentino Sergio Tiempo, substituindo de última hora o russo Boris Berezovsky. A relação entre a Osesp e o regente se consolidou nos últimos anos em uma colaboração constante, principalmente em torno da obra sinfônica de Villa-Lobos (1887-1959), num trabalho que inclui a recuperação das partituras, os concertos e CDs. É o Festival Vila Villa.

Dessa vez, no entanto, o programa, que faz parte da temporada regular da Orquestra, é Tchaikovsky (1840-1893). Isaac rege, dias  30 de novembro, 1 e 2 de dezembro o Concerto nº 1 Para Piano em Si Bemol Menor, Op.23 com Tiempo e completa com a Sinfonia nº 5 em Mi Menor, Op. 64. Dia 3, faz o tradicional concerto domingueiro matinal com o Coro da Osesp – no programa, a quinta Sinfonia de Tchaikovsky e, de Borodin, Príncipe Igor: Danças Polovtsianas nº 8 e 17.

 – Tchaikovsky é o poético absoluto – conta o maestro, por telefone, diretamente de seu sítio na serra fluminense. – O motor de uma mudança de paradigma na virada do século XIX para o século XX, o criador de uma linguagem espiritual.

Esse gênio romântico – descrito por um jovem Gustav Mahler como um “cavalheiro adorável”, ao assisti-lo reger a estreia de Eugene Onegin – é associado muitas vezes ao emocional, ao feminino caricato, à comoção derramada. Como ressalta o pesquisador californiano Richard Turiskin em seu artigo reproduzido nas notas de programa, Tchaikovsky seria reconhecido por seus contemporâneos como “como o gênio orientador da chamada Era de Prata da cultura russa”. Não é coisa para fricotes.

– Tchaikovsky é sempre atual – garante Karabtchevsky. – Ele se identificava profundamente com os temas de seu país. Nas óperas, na música de câmara, em tudo havia um elemento eslavo ao fundo.

Isaac vem trabalhando com a Osesp num longo e frutífero projeto, que já trouxe diversos prêmios: a apresentação e a gravação da integral de Sinfonias de Villa-Lobos. As temporadas de 2016 e 2017 foram iniciadas – ou tiveram uma prévia – com a apresentação a preços populares dessas sinfonias. A próxima temporada também começa com esse programa. Dia 20 de fevereiro, serão ouvidos na Sala São Paulo o poema sinfônico Uirapuru, de 1917, considerado uma das primeiras obras primas do brasileiro; o segundo movimento da Sinfonia n. 7 e o monumental Choros no. 10 (1925), o ‘Rasga Coração’.

– Tem sido um trabalho de extrema importância, esse da Osesp, uma grande responsabilidade assumida pela orquestra  – aponta Isaac. – Inclui até o resgate de páginas que se julgavam perdidas nas partituras de Villa. E ano que vem lançaremos o box com as onze sinfonias. E eu estou felicíssimo com eles.

Serviço dos concertos aqui; abaixo, o vídeo com a Sinfonia n. 4 com a Osesp