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Homero Francesch: solista de grandes orquestras europeias/Foto: galerie-pic

| Homero Francesch, nome forte do piano uruguaio, abriu a série Piano na Sala

07/03/2017 - Por Debora Ghivelder

Radicado há mais de 40 anos na Europa, músico abriu a série 2017 da Cecilia Meireles (RJ) com recital que incluiu obras de Mozart, Ravel e Brahms

Homero Francesch é um dos grandes nomes do piano do Uruguai. Figura, numa curta lista que conta também com o nome de Dinorah Varsi (1939-2013), entre os uruguaios que tocaram com a Filarmônica de Berlim. E está acostumado a se apresentar com grandes orquestras, nas grandes salas da Europa: dividiu palco com as filarmônicas de Viena e Munique, por exemplo. Por aqui, concedeu um recital na quinta (9), às 20h, abrindo a série Piano na Sala, na Cecília Meireles.

O fato de ser uruguaio não significa que sua presença seja frequente neste continente. Há três meses, ele se apresentou em Montevidéu, quebrando um jejum de 25 anos.

– Eu nasci no Uruguai, mas há mais de 40 anos vivo na Europa. Isso significa muitas ausências da América Latina – diz ele, que reside na Suíça e vem pela segunda vez ao Rio.

Para Homero, o Brasil tem uma imagem sensual e amável.

– O Brasil, para mim, é um país rico em relação à cultura, com variedade, cores. É bonito, exuberante, amigável, sensual. Todos esses adjetivos povoam os pensamentos de cada latino quando visualizam o seu país. Esta cidade, para mim, é a epítome de tudo isso e ansioso para desfrutar meus dias aí e encontrar amigos – conta Francesch.

Ele, que tem no currículo a gravação de todas as sonatas de Mozart para piano, em cinco volumes, na apresentação carioca vai tocar a Sonata em Si Bemol Maior, K 570.

– É uma sonata tardia de Mozart. Seu primeiro movimento mostra uma bela simplicidade com um caráter lírico. Eu escolhi esta sonata, acima de tudo, por causa do segundo movimento com sua versatilidade. Você pode até ouvir algumas reminiscências do Concerto para Piano em dó menor. O rondó no terceiro movimento é muito bonito e cita uma melodia de A Flauta Mágica.

Ravel e Brahms

Além da peça do compositor austríaco, completam o programa a Sonata em Fá Menor No. 3, Opus 5, de Johannes Brahms e Miroirs, deMaurice Ravel. Francesch frisa que este trabalho se alinha entre as principais criações do impressionismo francês, com Gaspard de la nuit e as obras mais importantes de Debussy.

– Os cinco movimentos mostram uma fantasia soberba e rica e levam o ouvinte imediatamente a um humor especial. É raro que uma composição musical provoque tal ligação entre artista e público, e é por isso que eu quero tocar Miroirs no Riov – diz. E completa: -.Já a terceira e última sonata para piano de Brahms é um exemplo de precocidade e uma validação do compositor como músico e ser humano. Ele não tinha nem 20 anos de idade ao compor esta sonata, um monumento pianístico e musical. Realmente amo esta obra-prima, que toco frequentemente.

De fora da seleção ficou Beethoven, com cuja obra Francesch tem bastante intimidade. Perguntado sobre a possibilidade de plateia ser brindada com uma peça do compositor ao final, a título de bis, ele afasta a hipótese, mas não sem fazer alguma graça e semear para o futuro:

– Infelizmente, você não pode tocar uma sonata completa de Beethoven depois de um programa como este. Mas se quiser, volto no ano que vem para fazer um recital com apenas sonatas de Beethoven. Será um grande prazer para mim.