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Clarice e André / Foto: Divulgação

| Homenagem a João Bosco – Clarice Assad e André Muato na Sala Cecília Meireles

26/1/2017 - Por Debora Ghivelder

Nessa sexta (27), a dupla que inaugurou parceria em 2016 com tributo a Milton Nascimento mergulha na obra de outro mineiro, oferecendo arranjos inéditos para títulos representativos da carreira do compositor

 

O primeiro encontro entre Clarice Assad e André Muato foi virtual. Ela procurava alguém para uma parceria em um projeto que desenvolvia nos Estados Unidos, onde vive há 20 anos. Ele se candidatou, ela ouviu o material e adorou. Só havia um problema: André estava no Brasil. Quando ela veio ao país, a parceria finalmente se estabeleceu com um tributo a Milton Nascimento, ano passado, na Sala Cecília Meireles. Agora, a dupla volta à mesma Sala, nesta sexta, 27, para uma apresentação amparada pela música de João Bosco.

– Quisemos fazer um tributo ao João. Isso veio daquela ideia central de escolher um compositor que contribui de maneira significativa para a nossa música e que também tenha influenciado músicos de outros países. A produção do João é muito variada: tem bolero, tem balada, samba, até mesmo pop – diz Clarice, compositora, arranjadora, cantora e pianista, acostumada a se apresentar do Carnegie Hall ao Jazz Lincoln Center, passando pela holandesa Concertgebouw e a ter suas obras defendidas por nomes como o mestre do violoncelo Yo Yo Ma.

A escolha do repertório foi calcada não só em questões afetivas como também na busca por peças que garantissem uma boa representatividade da variada obra de Bosco.

– Cresci ouvindo Elis Regina. E ela gravou muito coisas do João. Acho que aí está representado o meu lado afetivo – diz, Clarice, que incluiu na seleção o standard O Bêbado e a Equilibrista. – Mas exploramos outras facetas, como o samba, que decidimos fazer em medley, já que eram muitos e queríamos incluir e o lado pop também, com a presença de Papel Maché.

Além de André Muato no violão de 8 cordas e na voz, Clarice – filha do exímio violonista Sérgio Assad, do multipremiado Duo Assad – conta também com o contrabaixo de Bruno Repsold e a bateria de Felipe Cotta, além da participação do grupo vocal Ordinarius e do Trio Capitu, de flauta, oboé e fagote.

São arranjos inéditos criados para o show queo duo apresenta.

– Apesar de algumas improvisações, o que fazemos aqui não é jazz, embora seja verdade que esta linguagem exista na nossa música. O que fazemos é mesmo música brasileira – adianta Clarice.

Serviço na agenda. Veja abaixo a versão do duo para Cravo e Canela, de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos.