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Paulo Malaguti e Augusto Martins / Foto de Felipe Varanda

| “Há fronteira entre a música clássica e popular?” – Não, segundo Augusto Martins

28/09/2017 - Por Augusto Martins*

Ao lado de Paulo Malaguti Pauleira, o cantor e compositor Martins lança o CD "Piano, voz e Jobim", em homenagem a Tom, que faria 90 anos em 2017

 

Há fronteiras na música?

Essa pergunta sempre aparece quando se fala dela. E a mais corriqueira trata da pseudo-fronteira entre a clássica e a popular.

Logo a música, que percebo ser a realização do sonho do esperanto. A língua universal. Carrega consigo características especialíssimas: ela une, comunica e contagia. Seja pela leitura de uma partitura, pelo improviso jazzístico, pelos ritmos… As infinitas possibilidades que a caracterizam. Em qualquer lugar do planeta, um músico troca com o outro através dessa arte, a mais facilmente entendida e percebida pela humanidade. Em todas as grandes aglomerações humanas, lá está a música: shows, cerimônias religiosas, manifestações políticas ou grandes espetáculos do esporte. Enfim, é a grande arte da união. Daí percebe-se muito facilmente esse paradoxo em relação à existência de uma fronteira dentro da própria música: clássica x popular.

O mais importante compositor brasileiro, Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, o nosso Tom que em 2017 faria 90 anos, parece ter nascido para mostrar a inexistência dessa divisão. Ele que levou a música brasileira aos 4 cantos do mundo, vendeu milhões de discos por todo o planeta e tem canções entre as mais gravadas da história da música, encarna mais que ninguém essa questão. Ao transitar tão intensamente entre essas duas vertentes, demonstrou não haver um limite claro entre elas e muito menos algo que se assemelhe a uma fronteira. Nosso maestro soberano declarou inúmeras vezes ter sido influenciado tanto por Claude Debussy, Villa Lobos e Radamés Gnattali quanto por Dorival Caymmi e Ari Barroso. Essa mistura sempre o encantou. É desse caldo a sua essência, a resultante final de sua música. Por isso sua obra é interpretada e ouvida em salas de conserto, bares, teatros e tantos outros lugares de todo o mundo. Foi e é gravado por orquestras e por rappers. Sua trajetória faz de Tom Jobim o bardo da música brasileira, o mestre da nossa linguagem. Nosso Shakespeare musical.

Serviço:

Lançamento do CD “Piano, Voz e Jobim”

Augusto Martins & Paulo Malaguti Pauleira

28.set (5ª feira),  20h
Sala Cecília Meireles | Rua da Lapa, 47 | Lapa, Rio de Janeiro
Tel: 21 2332 9223

Ingressos: R$ 40, inteira / R$20, meia

Vendas online: https://www.ingressorapido.com.br/local.aspx?id=LEGACY-5195

Classificação etária: livre