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Pedro Burmester e Mario Laginha: no MIMO carioca / Foto: Divulgação

| Estrela do mundo clássico, Pedro Burmester se apresenta em duo com Mário Laginha

10/11/2016 - Por Debora Ghivelder

Destaque na programação da etapa carioca do Festival MIMO, o concerto para dois pianos com os músicos portugueses é atração nessa sexta (11).

 

A vida de Pedro Burmester, pianista português, um dos músicos de proa de sua geração, é cercada pelos mistérios e desafios do repertório de mestres como Bach, Chopin, Schumann e outros tantos que alegram o público de seus concertos de música clássica. A prática não atrapalha em nada a existência do seu duo com Mário Laginha, que já tem trinta anos. Laginha, apesar da formação clássica, enveredou pelos caminhos do jazz. Eles abrem, nessa sexta (11), com um concerto na Igreja da Candelária, a etapa carioca da 13ª edição do MIMO Festival; os eventos seguem até domingo (13). A dupla vai reeditar aqui, e também na subsequente etapa de Olinda, o concerto a dois pianos, feito na primeira incursão do MIMO a Portugal, em julho deste ano.

O programa  une o clássico a outros gêneros: traz obras de Bach, Debussy, Ravel, Copland, inclui uma obra inédita do pianista de jazz e compositor João Paulo Esteves da Silva, uma Sonata breve para piano de Mário Laginha para dois pianos e obra de Pixinguinha.

– Nosso concerto em Amarante foi ótimo. Tivemos um bom público, bem variado. Foi muito interessante da perspectiva de quem toca e, acredito, de quem assiste – disse por telefone de Portugal, Pedro Burmester. – O programa do Rio é o mesmo. Além do duo profissional, Laginha e eu somos pessoalmente próximos também, o que ajuda muito na relação artística. Nosso duo tem toques inesperados, porque nos dois pianos estão um músico claramente do jazz e outro de tradição inteiramente clássica.

Sem preconceito com a música clássica

Burmester define-se como um músico clássico típico, que vive nas salas de concerto, nos grandes halls e tocando com as grandes orquestras, percorrendo o universo de Bach, Liszt, Chopin, Beethoven e Schumann.

– A música tem o poder de reunir as pessoas, não enfrenta barreiras de idioma, por exemplo, como outras artes. Todo ser humano gosta de música. E claro, é preciso que, clássica ou popular, seja boa música.

Em Portugal, conta o pianista, superou-se o preconceito em relação à música clássica.

– Aqui há uma boa oferta de música clássica, muita gente jovem na plateia e existe renovação. Já não há mais aquele preconceito de encará-la como uma música erudita.

Aos 53 anos, Burmester diz que hoje não enfrenta mais a rodada de 60 ou mais concertos anuais que encarava anos atrás.

– Hoje me dou ao luxo de fazer o que quero. Cansei da rotina de viajar sozinho, para cima e para baixo. Também me dediquei a um projeto interessante, a Casa de Música, no Porto, à qual estive ligado por dez anos. Em função disso, também reduzi as apresentações. Hoje gosto muito de dar aulas. Mas ainda faço muitos concertos com orquestras e recitais de câmara.

O Brasil não é novidade: o português calcula já ter vindo umas 15 vezes ao país, desde os anos 1990. Ele soma apresentações com as orquestras Sinfônica Brasileira (OSB), Petrobras Sinfônica e Sinfônica Claudio Santoro.

– Gosto muito de ir ao Brasil. Há um lado português que se solta. E o público é muito receptivo. Eu me lembro de uma apresentação em que eu tocava um concerto de Schumann e no final de um dos movimentos, alguém disse: “que maravilha”. Achei aquilo tão autêntico, tão inesperado!

Além do Burmester e Laginha, a agenda do Mimo no tocante à seara clássica no Rio, ainda reserva a presença do Tro Capitu, neste sábado, dia 12, às 11h, na Igreja da Irmandade da Santa Cruz dos Militares, o DoContra, quinteto de contrabaixos, também sábado, às 16h, na Igreja de São Francisco da Penitência e de Odette Ernest Dias e Lourenço Vasconcelos, neste domingo, 13, na Igreja da Irmandade da Santa Cruz dos Militares.

 

O trio que leva o nome da personagem de Machado de Assis, criado em 2012, reúne Débora Nascimento (fagote), Janaína Perotto (oboé) e Sofia Ceccato (flauta), finalista na ediçõ deste ano no Prêmio da Música Brasileira na categoria revelação, apresentará repertório para formação e obras brasileiras com arranjos especiais. O quinteto DoContra, é formado pelos contrabaixistas Marcos Lemes, Nilson Bellotto, Pablo Guíñez, Rossini Parucci e Walace Mariano, membros da Filarmônica de Minas Gerais. O conjunto procura explorar todas as possibilidades de repertórios possíveis para esta formação, com arranjos inéditos. Já a flautista parisiense premiada que se mudou para o Rio de Janeiro, nos anos 1950, a convite do maestro Eleazar de Carvalho para integrar a Orquestra Sinfônica Brasileira, Odette Ernest Dias preparou o concerto “Do barroco ao Brasil”, onde apresentará ao lado do neto, o vibrafonista Lourenço Vasconcellos, sonatas de Bach e Telemann, valsas brasileiras, e composições de compositores como Pixinguinha e Radamés Gnatalli.

 

A programação completa do MIMO, que traz artistas consagrados em diversos estilos como Jacky Terrasson & Stéphane Belmondo, Pat Thomas & Kwashibu Area Band, Totó la Momposina, Antonio Nóbrega e Ney Matogrosso, entre outros, você confere em http://mimofestival.com/brasil/