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Paulo e Ricardo, ou Ricardo e Paulo? / Divulgação

| Duo Santoro encerra 2016 já com o olhar em 2017

13/12/2016 - Por Debora Ghivelder

Os gêmeos violoncelistas fecharam o ano com recital no Teatro Ziembinski, no Rio, em que deram a prévia do novo CD - 'Paisagens Cariocas' - a ser lançado em maio

 

O disco, intitulado Paisagens Cariocas, ainda está no forno. Tem lançamento previsto para maio de 2017. Mas, o Duo Santoro, formado pelos gêmeos Paulo e Ricardo, adiantou para o público o filé mignon do segundo álbum de sua carreira, produzido pelo selo A Casa. Na sexta (16), o Duo  encerrou a sua temporada 2016 com recital no Teatro Ziembinski, na Tijuca, trazendo no programa faixas do novo CD.

– Nós já tínhamos o repertório todo estudado e ensaiado para as gravações, que encerraram em setembro. Decidimos não guardar para o ano que vem – conta Ricardo Santoro.

Enquanto o lançamento do CD não acontece – será feito em recital na Sala Cecília Meireles-, a apresentação no Ziembinski deu uma boa noção do que vem por aí. O programa teve a cara dos violoncelistas, que transitam com desenvoltura pelo clássico e pelo popular – com obras de Sergio Roberto de Oliveira, o proprietário de A Casa e produtor executivo do CD, e mais  Villa- Lobos, Ronaldo Miranda, Ernesto Nazareth; Antonio Carlos Jobim, Adriano Giffoni, Leandro Braga e Vandré/Airto Moreira.

Algumas faixas são inéditas, especialmente compostas para dupla, como a de Sergio Roberto Oliveira, entregue em dezembro de 2015 e que terá sua estreia agora. O título, Aos Santos Oro,  remete ao nome do Duo, ao mesmo tempo em que fala de orações. A peça de Leandro Braga, A Bênção, Sandrino rende tributo ao pai dos gêmeos, o contrabaixista Sandrino Santoro, mestre de gerações de músicos que passaram por suas aulas. E Ronaldo Miranda, em Diálogos, ressalta a conversa entre irmãos.

– A obra de Leandro Braga já tocamos no Festival de Inverno em Friburgo. A de Ronaldo Miranda, estreamos em setembro, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. São suas estreias cariocas – comenta Ricardo.

De Villa-Lobos, os gêmeos interpretam O Trenzinho do Caipira. De Vandré/Airto Moreira, Misturada. Selecionaram, de Jobim, Dindi. Sandrino no Choro, de Giffoni e Brejeiro, de Nazareth completam a lista.

Misturada é um pouco forró, um pouco baião. Muito alegre e divertida, com arranjos do David Ganc. A de Jobim gravamos com a Cristina Braga na harpa, com arranjo do Ricardo Medeiros, mas vamos apresentar agora só para dois violoncelos. Cristina estará conosco no recital de lançamento do CD. Adriano Giffoni foi aluno de meu pai, é um admirador e fez esta versão para dois violoncelos. Brejeiro tem arranjo meu e do Paulo – explica Ricardo.

Olhos no futuro

Paisagens Cariocas, nome do recital e do disco, é um nome que tomaram emprestado da peça homônima de Oswaldo Carvalho, que ocupa uma das faixas do álbum, mas não entra na apresentação do Ziembinski.

Paulo e Ricardo, integrantes do único duo de violoncelos em atividade permanente no país – eles começaram a tocar juntos em 1990 – se despedem de 2016 com o olhar voltado para 2017, quando celebram 50 anos de idade. Um terceiro disco está a caminho. Nele, o duo se une ao Trio Aquarius para celebrar a obra de Edino Krieger.

Eles também esperam poder comemorar, na próxima temporada, os 30 anos que têm nas estantes da Orquestra Sinfônica Brasileira, completados em 2016. A festa, que previa uma apresentação do Duo como solista, interpretando com o conjunto concerto inédito de João Guilherme Ripper, acabou suspensa por conta das dificuldades que enfrenta a OSB.

– Vamos ver se conseguimos fazer em 2017. Gostaríamos muito – encerra Ricardo.