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Nicolas de Souza Barros / Foto: Guilherme Calzavara

| Do piano para o violão de oito cordas – Nicolas de Souza Barros lança CD ancorado em transcrições

13/07/2017 - Por Debora Ghivelder e Luciana Medeiros

Especialista em instrumentos de cordas dedilhadas, o violonista faz dois recitais neste final de semana, com obras de Francisco Mignone, Ernesto Nazareth, Henrique Alves de Mesquita e Eduardo Souto

 

Nicolas de Souza Barros é considerado um dos maiores especialistas em instrumentos  de cordas dedilhadas do país. O violonista lança seu terceiro CD com recitais nesse sábado (15), no Centro Cultural da Justiça Federal e no domingo,  no Solar dos Jambeiros, em Niterói.

Intitulado Chora, Violão, o disco reúne choros, polcas, tangos e valsas escritas por Francisco Mignone, Ernesto Nazareth, Henrique Alves de Mesquita e Eduardo Souto. É resultado da pesquisa de transposição para o violão  de oito cordas de peças escritas originalmente para o piano.

– O violão de oito cordas de afinação expandida representa uma mudança no paradigma nas famílias de cordas dedilhadas, os chamados “cordofones tangidos” – diz Nicolas, que tem trabalhado desde a década de 1970 com instrumentos precursores do violão moderno com o qual, destaca ele, compartilham um repertório vasto e belo.

Segundo Nicolas, que é também professor da UniRio, o violão de oito cordas se diferencia em função do registro: tem uma oitava extra.

–  Isso em relação ao violão tradicional, o que, na maioria das situações, representa um ganho muito maior. Esse instrumento, com quase cinco oitavas de extensão, equivale ao piano original de Josep Haydn – compara .

A ideia para Chora,Violão nasceu em 2016, a partir de um arranjo feito para a a Valsa de Esquina No.1 de Francisco Mignone (1897-1986), composta originalmente para piano, e que Barros sonhava gravar. O trabalho o levou pela mesma linha na conceituação do disco. E foram acrescidos  choros, polcas, valsas e tangos, todos com arranjos próprios.

– Todas as obras que arranjo, que “traduzo” para o violão de oito cordas de afinação expandida são completamente originais, versões  únicas no mundo.  Desde 2004, já fiz cerca de 300 arranjos. Até agora, só consegui gravar uns 15 % disso. Tenho repertórios inteiros de obras de J. S. Bach, Joseph Haydn, Domenico Scarlatti, Isaac Albeniz. O próximo CD será dos Românticos brasileiros: Alberto Nepomuceno, Leopoldo Miguez e Henrique Oswald – adianta o músico.

Na visão de Nicolas, o conjunto de produção representado por valsas, tangos e choros configura um momento especial da música nacional. Para ele, o período define um sotaque.

– Quero dizer que temos no Brasil diversas músicas, como estas, inerentes à nossa cultura. Um estrangeiro pode aprender a tocar algumas dessas, desde que tenha feito uma imersão no estilo. Procuro, nos arranjos, inserir elementos originais, de minha lavra: introduções, interlúdios curtos, variações melódicas. É isso o que considero uma maneira de tocar, de “pronunciar”, um sotaque que seria orgânico para o estilo musical em questão.

O repertório do recital inclui Valsa de Esquina 1, de Mignone; Eponina, Guerreiro, Plangente (tango-habanera), Fon-Fon (tango brasileiro) e O alvorecer, de Ernesto Nazareth, Clair de Lune, de Debussy, Batuque e A baiana (polca-cateretê), de A. Mesquita, O Despertar da Montanha, de Eduardo Souto, e Asturias (Cantos de España Op. 232), de Albeniz. Boa parte da seleção, claro, integra o CD. E do conjunto de compositores que aparecem no disco, Henrique Alves de Mesquita é dos nomes menos conhecidos.

– Mesquita tem um estilo curioso. Possivelmente, a sua produção é menos conhecida por falta de divulgação; a peça mais famosa, de longe, é o seu Batuque, que gravei no CD.

SERVIÇO:
Lançamento do CD “Chora, Violão!”, de Nicolas de Souza Barros

Com o Duo de Violões Maria Haro / Vera de Andrade.
15/07  (sábado) às 17h- Centro Cultural Justiça Federal – Avenida Rio Branco 241. Centro, Rio de Janeiro. Sala das Sessões. (21) 3261-2550
Ingressos: R$ 10,00 (Meia: R$ 5,00)

16/07  (domingo) 17h- Solar dos Jambeiros – R. Pres. Domiciano, 195 – Ingá, Niterói (RJ). (21) 2109-2222
Entrada franca. As senhas começam a ser distribuídas às 16h30, e o salão é sujeito à lotação (60 lugares).