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Orquestra Criança Cidadã / Foto: Leandro Lima

| Concursos de jovens solistas são uma esperança? – por Carlos Eduardo Amaral

15/08/2017 - Por Carlos Eduardo Amaral

O jornalista pernambucano podera: "Em meio a um quadro sociopolítico que não hesita em promover o desmonte das instituições culturais brasileiras, que expectativa podemos criar para a nova geração de músicos formadas no país?"

Orquestras, coros, corpos de balé, teatros, festivais. A lista de instituições e eventos culturais em decadência no país devido à “crise” é extensa e preocupa severamente o meio cultural nacional, para não mencionar os casos desesperadores de artistas que perderam emprego ou estão com salários atrasados há meses. Falamos de uma crise que é moral, política e, só depois, econômica, caso ainda haja alguém ingênuo para atribuir essa recessão à mera conjuntura política.

Nesse quadro, concursos de jovens solistas parecem estimular novos talentos para que se aperfeiçoem para um futuro incerto – ou certo dentro de outras conotações: partir para terras estrangeiras, aventurar-se a ser produtor cultural ou intérprete de música popular, entre outras possibilidades. É uma honra ter no currículo uma passagem como semifinalista, finalista ou vencedor do Concurso Paulo Bosísio ou do programa Prelúdio, promovido pela TV Cultura, mas estamos guiando esses talentos para um bom destino?

A Orquestra Criança Cidadã, do Recife, inaugurada em julho de 2006, acredita que sim e decidiu somar-se ao seleto grupo de instituições que promovem eventos do gênero no Brasil.  Abriu inscrições para seu I Concurso de Jovens Solistas, que homenageia o maestro, compositor e arranjador pernambucano Clóvis Pereira, em sua primeira edição (confira edital e datas). Como um dos principais projetos de inclusão social por meio da música baseados na região Nordeste, a oportunidade de contribuir para o aperfeiçoamento artístico de uma nova leva, nesta ocasião inaugural, de jovens violinistas tornou-se um ponto de honra para o projeto.

Isso porque nenhum pessimismo pode derrubar o poder transformador da arte pois ela é um dos principais vetores da construção da esperança (lembremos apenas de Olivier Messiaen e seu Quarteto para o fim dos tempos). Mesmo os países mais assolados por guerras conseguem se reerguer e direcionar seus esforços para a reconstrução não somente da economia e do bem-estar, mas também para a alta cultura. E um concurso de jovens solistas cumpre bem sua parte nesse papel.

*Carlos Eduardo Amaral é jornalista, pesquisador e crítico cultural estabelecido no Recife, além de compositor. Desde 2016 coordena a assessoria de comunicação da Orquestra Criança Cidadã e da Associação Beneficente Criança Cidadã, instituição mantenedora da orquestra.