|

Foto: Camilla Maia

| Clara Sverner leva Chiquinha Gonzaga a Recife nessa sexta (26)

25/05/2017 - Por Luciana Medeiros

A pianista faz concerto único no Teatro Santa Isabel homenageando uma das pioneiras da música no Brasil; o programa também tem peças de Velasquez, Villa-Lobos, Mozart, Debussy e Chopin

 

O diminutivo no nome de Chiquinha Gonzaga (1847-1935), por mais carinhoso que pareça, é uma ironia: a compositora foi um gigante da música brasileira e uma pioneira no campo profissional e pessoal em plena virada do século XIX para o século XX. E a pianista Clara Sverner, que se apresenta nesta sexta (26) no Teatro Santa Isabel, em Recife, não fica muito atrás na ousadia. Clara revitalizou a obra da própria Chiquinha, redescobriu compositores injustamente esquecidos como Glauco Velasquez, gravou uma elogiada integral das sonatas para piano de Mozart e fez importantíssimas pontes entre a música clássica e a popular, especialmente por seu trabalho com Paulo Moura.

De volta à capital pernambucana depois de longa ausência – três décadas -, ela apresenta um programa com peças de Chiquinha, Glauco, Villa-Lobos, Mozart, Debussy e Chopin. Três brasileiros e três referências universais da música.

– Eu gosto de fazer links entre os compositores – conta ela. – Chopin, por exemplo, influenciou muitos compositores brasileiros, sobretudo Chiquinha. Ao tocar uma valsa de Chopin, sinto que poderia estar tocando Chiquinha, só que mais elaborada.

Essa homenagem tem como joia da coroa a primeira audição ao vivo da interpretação de Clara para a valsa Heloisa, de Chiquinha.

– Essa valsa é muito sofisticada e tem um toque melancólico que me agrada muito – diz a pianista.

Clara, que na sua última passagem por Recife, nos anos 1980, tocou com o saxofonista Paulo Moura – com quem gravou, entre 1982 a 1996, quatro importantes discos que fazem pontes entre o clássico e o popular- também fala da Chiquinha pioneira na sociedade. Além da obra na música, foi uma das fundadoras da SBAT – Sociedade Brasileira de Autores Teatrais; e, na vida pessoal, também ousou, ao manter um relacionamento com um homem muito mais jovem.

– O avanço que as mulheres fizeram foi impressionante e ela foi muito marcante aqui no Brasil. Mas falta muito ainda – ri Clara.

Entre seus próximos projetos, o lançamento do DVD Sinestesia, gravado em maio de 2016 na Sala Cecilia Meireles: a parceria com seu filho, o artista visual Muti Randolph, que criou projeções em tempo real impulsionada pela música, está prevista para o primeiro semestre de 2017.

PROGRAMA

Chiquinha Gonzaga  (1847-1935) – Bionne (Adeus)  / Gaucho (o corta jaca) / Tupan /  Heloisa /  Atrahente

Glauco Velásquez   (1884-1914)   –   Devaneio sobre as ondas   Brutto Sogno (pesadelo)         

Villa-Lobos  (1887-1959)   – Impressões Seresteiras                                      

Mozart (1756-1791)  Sonata Alla Turca K.V. 331                                        

Debussy   (1862-1918) – Feux D’artifice /  Clair de Lune

Chopin (1810-1849)   –  Prelúdios nºs 17 e 18  /  Ballade n° 1   / Scherzo nº 2

SERVIÇO:

26 de maio de 2017, sexta-feira – 20h30min

Teatro de Santa Isabel- Praça da República, s/nº Recife/PE

Duração: 90 minutos com intervalo

INGRESSOS: R$60 (inteira) / R$30 (meia) à venda na bilheteria do Teatro a partir de 02/05

*Desconto de 50% para assinante e um acompanhante do Jornal Diário de Pernambuco

Informações: (81) 3355-3322 ou www.cintiapereiraproducao.com