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Corpo de Baile do Municipal carioca em Carmina Burana / foto-Júlia Rónai

| Carmina Burana ganha balé inédito no Theatro Municipal do Rio

14/06/2017 - Por Luciana Medeiros

A cantata profana de Orff é montagem da casa carioca envolvendo todos os corpos artísticos, com coreografia criada por Rodrigo Negri. O diretor artístico André Heller-Lopes fala das próximas atrações

 

Se houvesse um top ten das peças mais conhecidas da música clássica, o trecho O Fortuna da cantata profana Carmina Burana, de Carl Orff (1895-1982), para  orquestra, coro e solistas, certamente estaria entre eles.  Imponente, grandioso, denso e trágico, é fortemente emocional e já serviu de trilha para diversos filmes, entre os quais Excalibur e  300 (veja o trecho abaixo).

A cantata completa sobe ao palco do Theatro Municipal do Rio neste dia 15 de junho, para quatro apresentações (também 17, 18 e 20), acrescida da coreografia de Rodrigo Negri para o corpo de baile da casa.  A ideia de colocar em cena todos os artistas – orquestra, coro e balé – foi do diretor artístico do Municipal, André Heller-Lopes.

Claudia Mota e Filipe Moreira / foto-Júlia Rónai

– Depois da Jenufa, uma ópera encenada, tivemos Norma, uma ópera em concerto, surgiu a ideia de um balé – explica ele. – Um balé com os elementos do clássico, mas coreografado por um brasileiro. Há poucos criadores para o balé clássico hoje no Brasil. Investir nessa abertura é uma das minhas propostas, com as diretoras Ana Botafogo e Cecília Kerche.

Carmina Burana foi composta em 1936 por Orff, que musicou 24 dos 254 poemas que compõem um manuscrito produzido entre os séculos XI e XIII. Na verdade, o conjunto – códice – é um apanhado de poemas de diversas origens obscuras, a maioria em latim, encontrado em Benediktbeuern – o nome, aliás, é referência ao local onde os cantos foram encontrados, na Baviera: Canções de Beuern, em latim. A música de Orff imprime uma solenidade que contrasta com o sentido estrito dos versos: a maioria dos poemas envereda pela sátira, pelo erotismo, a paródia blasfema dos cânticos sacros.

– Fascínio é palavra perfeita para falar de Carmina. – acrescenta Heller-Lopes. – Nascida no coração do nazismo, sobreviveu à “maldição” que pesou sobre obras e compositores que permaneceram na Alemanha de Hitler…e renasceu no cinema.

Cicero Gomes / foto-Júlia Rónai

A Orquestra Sinfônica do Municipal terá regência do titular Tobias Volkmann e, como solistas, Michele Menezes, soprano da Academia Bidu Sayão, o tenor Jacques Rocha, do coro da casa e o barítono Homero Velho, único artista convidado.

– O momento que estamos vivendo tem criado uma grande união entre direção artística e corpos estáveis – garante André Heller-Lopes. – Estamos defendendo uma programação, criando repertório, trabalhando pela excelência e dando acesso ao público. Essa é a parte positiva, estou focando no que pode funcionar: temos artistas muito bons e muito experientes, ideias, um palco fantástico. A parte negativa? Essa não precisamos nem listar, é só abrir qualquer jornal.

Muitos projetos estão na mesa do diretor, que prefere não anunciá-los em bloco. Entre eles, as óperas La Cenerentola, de Rossini, e Yerma, de Villa-Lobos e os balés O Lago dos Cisnes e O Corsário. Para 2018, ele já prepara West Side Story, pelo centenário de Bernstein, e uma celebração dos 70 anos de Ronaldo Miranda.

– Prefiro ir anunciando calmamente para que os corpos estáveis não sintam que eu estou impondo uma programação, até que a questão dos salários se resolva. Isso dá a possibilidade de mudar. Mas quero ir alternando sempre balé e ópera, para que os corpos artísticos estejam em evidência, e a casa vá popularizando esse gênero de espetáculo – conta ele, usando a palavra que vem sendo carimbada pelo Secretário Lazaroni.

Marcia Jaqueline / foto-Júlia Rónai

Antes de tudo isso, Heller-Lopes se mobiliza para o tradicional evento de aniversário do Theatro que, garante, vai acontecer.

– Vamos começar com Banda dos Fuzileiros, teremos espetáculos com a Academia de Ópera, a orquestra Jovem do Rio, do projeto Ação pela Música, o solo de balé A morte do cisne, Escola de Dança fazendo La Sylphide – enumera. – E muito mais, como Sacha, neto de Nelson Rodrigues, interpretando um texto que o dramaturgo escreveu para a estreia de Vestido de Noiva [a peça teve temporada no Municipal, em 1943]. Vamos ter um cantor  de boleros e musica pop, Marcio Gomes, fazendo show no Assírio [espaço no subsolo do teatro], um coral de população de rua nas escadarias… A ideia é que se alternem foyer, Assírio e palco.

O Fortuna no filme 300:

SERVIÇO

Carmina Burana

Cantata de Carl Orff, com a Orquestra Sinfônica, o Balé e o Coro do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Participação especial do Coro Infantil da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Maestro Titular da Orquestra Sinfônica – Tobias Volkmann
Maestro Titular do Coro – Jésus Figueiredo
Diretoras do Balé – Cecília Kerche e Ana Botafogo
Coreografia: Rodrigo Negri

Apresentações
Dias 15 (quinta-feira, feriado de Corpus Christi), 17 (sábado)
e 18 (domingo) de junho, às 17h
Dia 20 (terça-feira) de junho, às 20h

Solistas:
Michele Menezes – Soprano
Jacques Rocha – Tenor
Homero Velho – Barítono
 
Corpo de Baile do Theatro Municipal
Primeiros Bailarinos
Marcia Jacqueline, Cláudia Mota, Cícero Gomes, Moacir Emanuel e Filipe Moreira.

 Preços
Camarotes/frisas – R$ 300
Plateia/balcão nobre – R$ 50
Balcão superior – R$ 30
Galeria – R$ 20

Bilheteria do Teatro Municipal do Rio de Janeiro: Praça Floriano, s/nº – Cinelândia – Centro – Rio de Janeiro
Telefone: 55 21 2332-9191
Horários de funcionamento: segunda a sexta-feira das 10h às 17h; sábado, a partir das 10h

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