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OSN toca na abertura da XXII Bienal / Foto: divulgação

| Bienal de Música Contemporânea chega à 22a. edição e discute a própria renovação

23/10/2017 - Por Luciana Medeiros

De segunda, 23, a domingo, 29, compositores consagrados e novos criadores da música contemporânea apresentam seus trabalhos. A abertura é no Theatro Municipal, com a Sinfônica Nacional regida por Tobias Volkmann.

 

Criada em 1975 pela Sala Cecilia Meireles, na gestão de Myrian Dauelsberg e encampada pela Funarte em 1979, sob o comando de Edino Krieger, a Bienal de Música Contemporânea Brasileira estreia nesta segunda, 23, sua 22a. edição. Mantém o título de mais importante painel da produção atual na música de concerto, mas também se anuncia reflexiva: o evento desse ano encampa ainda um olhar crítico, abrindo um debate que coloca em discussão formato e custos. Até dia 29, domingo, serão apresentadas 61 peças inéditas, selecionadas em edital e também encomendadas a compositores consagrados – entre eles, Edino Krieger, João Guilherme Ripper e Ricardo Tacuchian.

Desde março dirigindo o Centro de Música da Funarte, Marcos Souza classifica o esforço de realização dessa edição como “um sufoco”, principalmente pelos cortes orçamentários.

– Não poderíamos de deixar de fazer a Bienal em hipótese alguma, mas o orçamento de $ 1,6 milhão foi drasticamente reduzido para R$ 450 mil e a saída foi renegociar cachês e buscar todas as parcerias possíveis – explica Marcos. – A resposta foi bem positiva: os músicos entenderam o momento e instituições como o Municipal, a Sala Cecilia Meireles, Universidade Federal Fluminense – UFF,  Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ apoiaram o evento.

A Bienal se consolidou como um tripé: encomenda de obras a compositores; o Prêmio Funarte, um edital no qual novos compositores se inscrevem; e o evento propriamente dito, em que as obras chegam ao público. O orçamento de R$ 450 mil não inclui os pagamentos nas duas primeiras etapas – entre R$ 5  e R$ 11 mil para as obras selecionadas em edital, e cerca de R$ 30 mil para cada um dos 15 compositores [veja reportagem de 2016 no Tutti]. Vários pagamentos devidos ano passado nas duas primeiras etapas foram adiados para 2017, e já realizados.

– Tivemos ainda que honrar esses pagamentos – prossegue Marcos Souza. – O fato é que esse formato atual é incompatível com a verba que existe hoje. O Centro de Música, que tinha R$ 5 milhões para gastar em 2016, recebeu apenas R$ 800 mil. As mudanças de ministros, três em poucos meses, e o contexto geral são impeditivos. Portanto, vamos discutir o futuro do evento nesse terça (24) na Academia Brasileira de Música.

José Schiller, que desde agosto responde pela Música Erudita no Centro de Música da Fundação, garante que os músicos aceitaram renegociar seus cachês num esforço de realização. E lembra que são quatro homenageados nessa edição.

– Estamos lembrando os compositores Olivier Toni e Sergio Roberto Oliveira, além do grande pesquisador Vasco Mariz, falecidos recentemente. E celebramos Flávio Silva, que foi Coordenador de Música Erudita na Funarte por décadas.

Marcos Souza faz questão de ressaltar que sua gestão pretende privilegiar a formação e o caráter de ferramenta educacional e de cidadania do ensino e da prática de música. Estão alinhavados um grande encontro de bandas e uma bienal de Projetos Sociais da Música, além de uma força-tarefa com o Itamaraty para a divulgação da música brasileira pelo mundo, disponibilizando partituras.

– Nada é mais importante do que fazer a sociedade reconhecer a cultura como parte essencial da formação e da convivência dos cidadãos – reforça. – A Bienal também se enquadra nesse olhar, à medida em que apresenta ao público a rede de criadores da atualidade na música contemporânea. É uma maravilhosa chance de ouvir a música tendo por perto seu compositor.

 

Programação

Dia 23, segunda-feira, às 19 horas – Theatro Municipal

Obras de Ernani Aguiar, Ronaldo Miranda, Liduíno Pitombeira, Paulo Costa Lima, Eli-Eri Moura e Marlos Nobre.

Dia 24, terça-feira, às 19 horas – Sala Cecília Meireles

Obras de Luciano Leite Barbosa, Caeso, William Billi, OiliamLanna, Marcos Nogueira, Igor Maia, Gustavo Bonin, Luã Almeida, Patrícia de Carli e Aylton Escobar.

Dia 25, quarta-feira, às 19 horas – Sala Cecília Meireles

Obras de Marcos Lucas, EdinoKrieger, Sérgio Roberto Oliveira, Mauricio Dottori, Tauan Gonzalez Sposito, João Isaac Marques, Guilherme Bertissolo, Santiago Beis, Caio Facó, Luigi Antonio Irlandini, Alexandre Schubert e Marco Feitosa.

Dia 26, quinta-feira, às 19 horas – Sala Cecília Meireles

Obras de Danilo Rosseti, José Ricardo, Jorge Antunes, Alex Pochat, Bryan Homes, Luiz Carlos Csekö. Guilherme Ribeiro, Levy Oliveira, Bruno Santos, Thiago Diniz e  Lucas Filipe Oliveira.

Dia 27, sexta-feira, às 19 horas – Sala Cecília Meireles 

Obras de Dimitri Cervo, Helder Oliveira, João Guilherme Ripper, Edson Zampronha, Ricardo Tacuchian, Wellington Gomes

Dia 28, sábado, às 19 horas – Sala Cecília Meireles

Obras de Fred Carrilho, Danniel Ribeiro,Paulo Cesar Santana, Maryson J. S. Borges, Diego Batista, Alexandre F. Travassos, Felipede Almeida Ribeiro, Rodrigo Marconi, Marisa Rezende, Vinicius Amaro, CaduVerdan e Armando Lôbo.

Dia 29, domingo, às 17 horas – Sala Cecília Meireles

Obras de Ângelo Martins, Marco Antônio Machado, Marcos Cohen, Roberto Victorio, Rodrigo Cicchelli

 

Ingressos

Theatro Municipal
Frisa e camarote = R$ 30,00 e R$ 15,00 (meia para estudantes e idosos)
Plateia e balcão nobre = R$ 30,00 e R$ 15,00 (meia para estudantes e idosos)
Balcão superior = R$ 20,00 e R$ 10,00 ((meia para estudantes e idosos)
Galeria = R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia para estudantes e idosos)

Sala Cecília Meireles
R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia para estudantes e idosos)

Serviço:

XXII Bienal de Música Brasileira Contemporânea 

De 23 a 29 de outubro de 2017

Abertura: segunda-feira, dia 23 de outubro, às 19 horas

Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Praça Floriano, S/N – Centro, Rio de Janeiro (RJ)
(21) 2332 9191

Concertos de 24 a 29/10 na Sala Cecília Meireles – Rua da Lapa, 47 – Lapa, Rio de Janeiro (RJ) -(21) 2332 9223

Informações completas sobre as obras, os concertos e os músicos participantes no Portal da Funarte: www.funarte.gov.br

Centro da Música: cemus@funarte.gov.br