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Na XXI Bienal (2015), Marcus Siqueira apresenta Signo Sopro VI, para violino, sax barítono, piano, celesta e vibrafone / Imagem Youtube

| Saem os resultados do Prêmio Funarte para a Bienal de Música Contemporânea 2017

18/11/2016 - Por Luciana Medeiros

Foi divulgada a lista dos compositores agraciados com o Prêmio Funarte de Composição Clássica. As obras terão estreia na XXII Bienal, em outubro.

 

Se 2016 ficará marcado como um ano de crise, os artistas da música contemporânea viram com alívio a continuidade do Prêmio Funarte de Composição Clássica, que divulgou seus resultados no início do mês de novembro. Convocados por edital lançado pela instituição em 25 de agosto (retificado em setembro), inscreveram-se 323 compositores do Brasil e do exterior, concorrendo aos prêmios de R$ 11 mil a R$ 22 mil. Destes, foram selecionados 46 trabalhos, divididos em cinco categorias, por uma comissão formada por 12 músicos, entre eles o fagotista Aloysio Fagerlande e o regente Roberto Duarte.

Foram convidados ainda quinze compositores, a partir de outra comissão de dez músicos, para criar especialmente peças para o evento do ano que vem.  Entre os contemplados estão Ernani Aguiar, Marisa Rezende e Ricardo Tacuchian. Serão, portanto, 61 trabalhos inéditos. O investimento total desta fase foi de R$ 1,1 milhão.

Humberto Braga / Foto: Funarte

      Humberto Braga / Foto: Funarte

– É um trabalho da maior importância, um estímulo aos compositores – aponta Humberto Braga, presidente daFunarte. – E é uma avaliação do que está se produzindo neste campo, uma panorâmica fundamental para nós e para os artistas. O público, nos anos de Bienal, pode conhecer esse panorama.

O quadro que se apresentou nesse projeto foi “muito interessante”, pontua Flavio Silva, coordenador da área de Música Erudita da Funarte.

– Dos 46 concursados, 20 ainda não haviam apresentado obras em nenhuma Bienal; esse resultado é inédito, em termos absolutos e relativos, o que no deixa muito satisfeitos, pois significa uma renovação do quadro de compositores. Lembro que as vagas previstas não são de preenchimento obrigatório: só devem ser aceitas obras de qualidade pelo menos razoável, a critério da comissão de seleção.

São cinco categorias premiadas – obra para orquestra de câmara, para orquestra de cordas, partituras para conjuntos de seis a dez intérpretes, para conjuntos de três a cinco intérpretes e peças para solista ou duo.

A origem

Edino Krieger e Flavio Silva / Foro Funarte S. Castellano

Edino Krieger e Flavio Silva / Foto Funarte S. Castellano

Surgida em 1975, por iniciativa do compositor Edino Krieger – que havia organizado os Festivais de Música daGuanabara em 1969 e 1970 – e apoio de Myrian Dauelsberg, então diretora da Sala Cecilia Meireles, teve suas três primeiras edições promovidas pela própria Sala. A partir da quarta edição, foi encampada pela Funarte, onde Edino assumira a direção de música.

– Naquela época, havia produção de música contemporânea praticamente só no Rio, em São Paulo e na Bahia – conta Edino, que escreveu para a Bienal 2017 uma cadência para dois violoncelos que será executada pelo Duo Santoro. – Hoje, há professores de composição em dezenas de locais no Brasil. Acho que a Bienal tem um pouco de, digamos, boa culpa nisso.

A continuidade da Bienal é um fenômeno que vai “contra a maré”, avalia Edino, que considera essa permanência no calendário e o avanço no número de inscrições um indício de saúde na criação da área.

– As Bienais atuais refletem essa busca do novo, essa sede de troca. Muito bom, isso.

A XXI Bienal teve como homenageados Mário de Andrade, nos 70 anos de falecimento, e o compositor e professor Hans-Joachim Köellreuter pelo centenário de nascimento. A Funarte ainda não divulgou homenageados desta próxima edição.