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Foto: Divulgação / Operaomnia.co.uk

| Benjamin Grosvenor, talento precoce, toca no Rio (21) e em São Paulo (23 e 24)

20/05/2017 - Por Luciana Medeiros

Aos 24 anos, pianista britânico está no topo das grandes promessas de sua geração, fazendo uma carreira internacional de peso. No Rio, sobre ao palco do Municipal e, em seguida, se apresenta na Sala São Paulo.

 

O rosto é de menino, o jeito é tímido, a idade efetivamente tenra. Mas a fama de Benjamin Grosvenor já impactou a rota internacional da música clássica. Aos 24 anos, o britânico chega ao Brasil para recitais no Municipal do Rio (21/5), pela série O Globo/Dell’Arte, e  na Sala São Paulo (23 e 24/5), pela Cultura Artística. No programa do recital, um trio de sonatas – Mozart, Beethoven e Scriabin –, Schumann e um sotaque espanholado com Granados e Liszt.

Aos 11 anos, em 2004, ganhou o primeiro prêmio do BBC Young Musician, iniciando uma carreira de gente grande. Aos 19, estreou nos Proms, com a BBC Symphony. Já tocou com as orquestras major e os regentes mais importantes como Dutoit e Nagano, além de experiências com música de câmara.  Foi o mais jovem contratado da gravadora Decca Classics, pela qual já lançou quatro discos.

Filho de uma professora de piano, que credita como sua maior influência (“muitas vezes ela dá um palpite sobre minha interpretação e dias depois vejo que ela estava certíssima. Sempre está. Fico furioso”, declarou ele, rindo, ao jornal The Guardian), Grosvenor reforça que seu contato precoce com o instrumento foi “uma sorte” – e que muito mais talentos poderiam ser descobertos se as artes fossem parte indissociável da educação.

– Tive uma grande sorte com minha mãe colocando a mim e a meus irmãos em contato com a música – conta ele, por email. – Tenho certeza de que muitas crianças descobririam grandes talentos se tivessem esse tipo de oportunidade, não apenas para produzir grandes artistas mas para ter as artes como parte concreta e recompensadora de suas vidas.

Classificado por Bryce Morrison, da revista Gramophone, como “o mais notável dos jovens pianistas da atualidade”, Grosvenor vê os concursos de piano como um dos caminhos para o destaque dos jovens instrumentistas e o início de suas carreiras.

– Eu participei de um grande concurso aos 11 anos, que talvez seja a idade ideal para esse tipo de coisa, porque eu não fui afetado pela pressão inerente a uma competição. Além de bem mais jovem que os outros, eu não carregava nenhuma expectativa de vencer! – revela. – Concursos ainda têm importância mas não são, necessariamente, a única maneira de começar uma carreira hoje em dia.

O programa dos recitais privilegia contrastes. Depois do Arabesque em Dó maior, op. 18 de Schumann para abrir a tarde de domingo (“uma espécie de aperitivo que prepara a atmosfera”, define o pianista), seguem-se duas sonatas de gigantes da música – de Mozart, a número 13 em Si bemol maior, K333, e um dos grandes hits de Beethoven – a Sonata ao Luar, op 27.

– A peça de Mozart é ensolarada, leve, e dá lugar à densa noite beethoveniana – define o intérprete. – Na segunda parte, a música é mais colorística, com a maravilhosa e imagética Sonata no. 2 de Scriabin, que evoca lagos à luz da lua e mares revoltos, no mesmo viés da Sonata ao Luar. E em seguida, a evocação da igualmente colorida música espanhola, da qual sou admirador. Amo os ritmos, a vibração e o exotismo de compositores como Granados, Albeniz, De Falla.

Grosvenor, que já tocou cinco das sete peças batizadas por Granados de Goyescas – inspiradas em pinturas de Goya – pretende completar o set em breve. O recital termina com a Rapsódia Espanhola de Liszt, “um passeio virtuoso sobre temas espanhóis”, ele define.

– E devo dizer que adoro Villa-Lobos, que ouvi pela primeira vez na interpretação do fantástico Nelson Freire. Mas ainda não me aventurei.

Os recitais de Grosvenor no Brasil são parte de uma turnê pela América do Sul, que ainda inclui Montevidéu, Lima e Bogotá. Em seguida, mais recitais na Europa e uma longa turnê nos Estados Unidos.

– Por enquanto, continuo nesse caminho. Claro que quero explorar novos repertórios e fazer novas parcerias nos próximos anos.

Programa
Robert Schumann – Arabesque em Dó maior, op. 18
Wolfgang Amadeus Mozart – Sonata para piano Nº 13 em Si bemol maior, K. 333
Ludwig van Beethoven – Sonata para piano Nº 14 em Dó sustenido menor – “Sonata ao Luar”, op. 27, nº 2
Alexander Scriabin – Sonata para piano Nº 2 em Sol sustenido menor – “Sonata Fantasia”, op. 19
Enrique Granados – Goyescas, op. 11 – Los Requiebros, El fandango de Candil
Franz Liszt – Rhapsodie Espagnole