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Foto: Eliane Barzilay / Divulgação

| Beethoven é o personagem do monólogo “O Compositor Delirante”, em cartaz em São Paulo

09/01/2018 - Por Luciana Medeiros

Um gênio que se sente inadequado, um artista questionador: Daniel Kronenberg, sozinho em cena, traz o compositor romântico para o território da filosofia

 

Um gênio  inquieto e deslocado, um músico perdendo sua audição, um artista em questionamento de si e do mundo – Ludwig Van Beethoven (1170-1827)  é a figura central de O Compositor Delirante, monólogo escrito e representado por Daniel Kronenberg que reestreia dia 10 de janeiro, quarta, para temporada até 15 de fevereiro no Espaço Parlapatões, em São Paulo.

– Eu sempre gostei muito de ouvir música clássica. A de Beethoven, em especial, sempre me causou grande impacto – conta Daniel. – O primeiro passo foi selecionar as obras com sonoridade de mais impacto, que poderiam ou não encaixar-se na encenação. A partir daí, e concomitantemente, criei os diálogos entre Beethoven e as diversas figuras.

Está em cena um telefone, através do qual Beethoven dialoga com o próprio pai, amantes, outros compositores como Haydn e Mozart, escritores como Goethe. A insegurança e o medo – afinal, está perdendo a audição – afloram nesses embates verbais.

– A inadequação social é ligada ao deslocamento do sentido de bom senso – analisa Kronenberg. – Um palhaço ou um bufão, por exemplo, são um tipo de inadequado social na medida em que não têm a preocupação com um trato polido nas relações. Eles lançam verdades sobre hipócritas que buscam viver por meio de aparências. O compositor delirante é um pouco esse sujeito, um inadequado social, que entra em discussões para defender seus pontos de vista contra uma sociedade retrógrada e cheia de hipocrisia e maneirismos.

Entre as peças que deram origem à trama do texto e que são citadas em cena estão as referenciais 7ª e 9ª Sinfonias.

–  Uso vários trechos entrecortados das composições de Beethoven, que costuram a narrativa – enumera. – Dentre as obras escolhidas estão: A 7ª sinfonia, que abre o espetáculo; a 9ª sinfonia,  que aparece em três momentos diferentes; Moonlight Sonata, A Grande Fuga, A Primavera, Fur Elise, Egmont  e outras variações para piano.

Também em cena está, inevitavelmente, o movimento românico do qual Beethovem foi figura de proa, no predomínio da intuição sobre a razão.  Uma “busca pela ruptura dos paradigmas racionais”, diz Daniel. E ele encerra fazendo uma ponte para o romantismo em sua relevância nos dias de hoje.

– Foi uma necessidade premente de subverter a ordem da lógica. O compositor delirante se lança numa batalha para apreender as verdadeiras inspirações de um artista. No nossos país onde tão pouco se valoriza a cultura, o atual sistema da ordem política corresponde ao contrário do que pessoas sensíveis, os verdadeiros românticos dos dias de hoje, almejam.

 

Concepção, texto e atuação: Daniel Kronenberg
Provocação cênica e preparação corporal: Gabriel Bodstein
Iluminação: Flavia Servidone
Produção: DKG Soluções Lúdicas
Fotos: Michael Pablo Bursztein e Eliane Barzilay

Serviço:

Espetáculo: O Compositor Delirante
Reestreia: 10 de janeiro de 2018 – Quarta-feira, às 21h
Local: Espaço Parlapatões
Praça Franklin Roosevelt 158
96 lugares
Temporada de 10 de janeiro a 15 de fevereiro – Todas às quartas e quintas, às 21h
Ingressos: R$ 40,00 e meia-entrada.
Ar condicionado
Acesso e lugar para cadeirante
Bilheteria: 1h hora antes da sessão. Aceita dinheiro e cartão débito/crédito
Reservas: (11) 98266-4896
Duração: 45 minutos. Gênero: Comédia. Classificação: 12 anos