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A orquestra em concerto no Municipal e a solista Regine Daniels-Stoll / Fotos de Divulgação

| Bachiana Brasileira: festa dos 30 anos no Municipal

3/10/2016 - Por Debora Ghivelder

Programa celebra os princípios que nortearam sua fundação: reúne obras de Bach às de compositores brasileiros com participação da violoncelista Regine Daniels-Stoll

Criada em 1986, com o objetivo de unir e difundir a música de J. S. Bach e a de compositores brasileiros, a Companhia Bachiana Brasileira, liderada pelo maestro Ricardo Rocha, está completando 30 anos. Para marcar a data, o grupo se apresenta em concerto comemorativo, no domingo, dia 9, às 11h30, no Theatro Municipal. No palco, a integrar a orquestra de câmara com 24 músicos e o coro com 40 cantores, profissionais que trabalharam ao longo destas três décadas com o conjunto, alguns desde o concerto inicial.

É claro que, nessas três décadas, a companhia fez muito mais que tocar Bach e música brasileira: o repertório, vasto, inclui, entre muitos, nomes como o do americano Samuel Barber e do argentino Alberto Ginastera, para ficar só em dois exemplos. Mas, intitulado Bach-Brasil, este concerto preserva, em seu programa, o espírito original da Bachiana, alternando obras do compositor alemão com peças de autores brasileiros.

Em ano de crise pesada, que comprometeu a temporada do grupo – por falta de verba, não houve apresentações no primeiro semestre -, a realização do concerto de aniversário da Bachiana, que terá a violoncelista alemã Regine Daniels-Stoll como solista, também esteve ameaçado. Ele só acontece graças à aplicação de uma medida pouco ortodoxa. Sem patrocínio, a instituição recorreu ao crowdfunding para arrecadar os R$ 57 mil necessários à produção. A campanha foi encerrada no dia 23 de setembro e o resultado ultrapassou, com alguma folga, a meta pretendida, amealhando pouco mais de R$ 59 mil. Já a solista alemã teve a presença garantida graças à parceria firmada com o consulado alemão.

– A resposta da sociedade foi incrível. Acho que com a ausência do estado, não só aqui, como em outras partes do mundo, a sociedade está sendo chamada a decidir sobre o que considera importante existir – diz o maestro Ricardo Rocha, que não nega ter resistido muito a lançar mão da estratégia. – Não queria jogar para a sociedade essa responsabilidade. E não pretendo fazer isso novamente.

Bachiana balzaquiana

Nascida Sociedade Musical Bachiana Brasileira, a hoje Companhia Bachiana Brasileira gravou CDs em que difunde não só a obra de Bach mas também a de brasileiros como o Padre José Maurício Nunes Garcia. Sua atuação estende-se ainda à realização de seminários e aulas como o Formas Musicais (2014) e a ações de educação e formação de novas plateias, levando a companhia a marcar presença em arenas e lonas culturais. Regine Daniels-Stoll, por exemplo, vai oferecer masterclasses a alunos de duas orquestras jovens: Projeto Aprendiz, de Niterói, e Orquestra da Providência, no Rio de Janeiro.

A orquestra, agora balzaquiana, abre a apresentação com Concerto de Bradenburgo nº5, de Bach, com Elisa Wiermann (cravo), Marcelo Bonfim (flauta) e Ricardo Amado (violino) como solistas. Em seguida, com Daniels-Stoll à frente, mostra Sortilégios, Concerto para violoncelo e orquestra de cordas, de Marcos Lucas. A alemã emenda na sequência o inconfundível prelúdio da Suíte para violoncelo nº1, de Bach. A parte final da apresentação reserva as Bachianas Brasileiras nº 9, de Heitor Villa-Lobos e a cantata de Páscoa Christ lag in Todesbanden, de Bach.

– Não se trata do mesmo programa que apresentamos há 30 anos. Mas ele mantém a mesma linha de coerência do nosso concerto de 1986 – explica Rocha.

A Companhia Bachiana Brasileira manteve os ingressos para sua festa de aniversário a preços populares. A entrada para o concerto custa R$ 10.