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Mario Laginha e Pedro Burmester / Foto: Mírcia Lessa

| MIMO aposta na música sem fronteiras

03/10/2016 - Por Debora Ghivelder

Entre as atrações clássicas do festival de música instrumental, que começa nesta sexta-feira, por Minas, estão o português Pedro Burmester e o gaitista José Staneck com a Sinfônica Cesgranrio

Pedro Burmester, pianista português de mão cheia e destaque de sua geração, vai abrir a 13ª edição do MIMO Festival, na etapa do Rio de Janeiro, em 11 de novembro, na Igreja da Candelária. Ao lado do também pianista Mario Laginha, parceiro de longa data, Burmester deve reeditar aqui o sucesso do concerto a dois pianos, feito na primeira incursão do MIMO a Portugal, em julho deste ano.

O português não é o único nome da seara clássica a figurar na programação do festival, que nesta sexta, 7, começa por Tiradentes e Ouro Preto. Além do Rio, o maior evento gratuito de música instrumental do país passa também por Paraty (a partir de 14 de outubro) e Olinda (a partir de 18 de outubro). Nesta lista também figuram o quinteto Do Contra, o violeiro Vinicius Muniz, Ana Oliveira Quarteto e a Orquestra Sinfônica Cesgranrio regida por Eder Paolozzi, tendo como solista José Staneck (gaita). Não dá também para não citar o colombiano Edmar Castaneda, que com sua fusão de ritmos, tirou das sombras a clássica harpa para dar-lhe um novo sentido no jazz.

A presença de músicos clássicos no MIMO não é novidade. O maestro Isaac Karabtchevsky e o pianista Nelson Freire, por exemplo, já abrilhantaram edições anteriores. Para a organização do festival, tudo é música instrumental e um dos objetivos do evento é mesmo aproximar tribos diferentes entre si e também do público, como afirma a idealizadora e diretora artística, Lu Araújo:

– O MIMO não é um festival segmentado. O olhar é bem abrangente. E a fronteira entre os gêneros musicais hoje é tênue. Mas existem ainda verdadeiras divisões dentro disso. A nossa proposta é mesmo a de diminuir a distância entre um grupo e outro.

Burmester e Laginha têm ambos formação clássica, mas suas carreiras seguiram por caminhos diferentes. Enquanto o primeiro dedicou-se às salas de concerto, o segundo firmou-se como compositor e instrumentista de jazz. O encontro no palco vai mostrar a riqueza resultante da fusão destes dois universos.

Som Clássico

A Sinfônica Cesgranrio, que se apresenta nas cidades mineiras- e abre o Mimo em Tiradentes em concerto na bela Igreja Matriz de Santo Antônio – foi convocada este ano para manter a tradição de ter sempre presente em seu palco um conjunto sinfônico. O repertório é voltado para obras brasileiras e conta com José Staneck como solista no Concerto nº 2 para harmônica e orquestra, de Radamés Gnattali (1906 – 1988).

– A Cesgranrio é uma orquestra jovem e traz um repertório brasileiro porque é preciso dar chance ao público de ouvir os nossos compositores – diz Lu.

O MIMO ainda reserva as participações do Ana Oliveira Quarteto, liderado pela violinista que lhe empresta o nome, e que se dedica à defesa da música de câmara e do repertório dos séculos XX e XXI da música brasileira e latino-americana. A formação conta com Ana de Oliveira e Dhyan Toffolo (violinos), Rúbia Siqueira (viola) e Marcus Ribeiro (violoncelo). No repertório, obras dos mestres Radamés Gnattali, Guerra-Peixe, Edino Kriger e José Siqueira, além de Villa-Lobos. O grupo se apresenta em Paraty.

O quinteto Do Contra, que estará em Minas, é formado pelos contrabaixistas Marcos Lemes, Nilson Bellotto, Pablo Guíñez, Rossini Parucci e Walace Mariano, membros da Filarmônica de Minas Gerais. O conjunto procura explorar todas as possibilidades de repertórios possíveis para esta formação, com arranjos inéditos.

Vinícius Muniz leva Bach para a viola caipira / Foto: Giancarlo Gianelli

    Vinícius Muniz: Bach na viola caipira / Foto: Giancarlo                                                                                    Gianelli

Também do circuito mineiro participa o violeiro, compositor e pesquisador paulistano Vinicius Muniz. O músico adaptou as obras de Bach à viola caipira. Para a tarefa, Muniz tomou como ponto de partida o conjunto de sonatas e partitas para violino solo do compositor alemão, transpondo-as para seu instrumento e somando-as à sonoridade do interior do Brasil. A busca pelo equilíbrio desses dois universos foi reproduzida no novo álbum do instrumentista, que será apresentado ao público. Tanto ele como o Do Contra foram vencedores do Prêmio MIMO Instrumental 2016, criado há dois anos com o objetivo de revelar e valorizar jovens talentos.

– O prêmio contemplou as categorias solo e grupo. Esse ano, tivemos 200 inscritos, 20 finalistas e cinco vencedores. Temos uma preocupação em abrir espaço para novos artistas, criar uma plataforma na qual eles possam se apresentar – afirma Lu Araújo.

Dentre as atrações internacionais da MIMO, destaca-se o colombiano Edmar Castañeda (no circuito mineiro), famoso por levar a harpa para o jazz, revolucionando a percepção sobre o instrumento. Músico consagrado, Castaneda já tocou com Paquito D’Rivera, Marcus Miller, Wynton Marsalis, Gonzalo Rubalcaba, John Patitucci e Hamilton de Holanda. Este último, aliás, também estará no festival.

Como em edições anteriores, o MIMO contará na Etapa Educativa com workshops ministrados pelos músicos prticipantes como Dakhabrakha, Ricardo Herz e Samuca do Acordeon, Cheikh Lô, Luciano Balen, Guilherme Kastrup, entre outros. O Fórum de Ideias, com palestras voltadas para o tema “Lugares de Memória”, tem curadoria do escritor e músico de Cabo Verde, Mário Lúcio Sousa e se dará em Paraty, assim como o Festival MIMO de Cinema, que exibirá 16 filmes inéditos que abordam a música em seus roteiros. A programação completa você confere aqui.