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Foto: divulgação

| A gaita à frente da orquestra: José Staneck toca Villa-Lobos com a Osesp

01/08/2017 - Por Luciana Medeiros

O músico carioca está no programa desta semana que traz também a 'Fantasia para Saxofone', de Villa, com Leo Gandelman.

 

Harmônica, ou gaita – em Portugal, gaita de beiços – é um dos instrumentos que não fazem parte da orquestra clássica, assim como o saxofone. Pois nesse inicio de agosto (dias 3, 4 e 5) a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo terá como solistas os cariocas José Staneck e Leo Gandelman, pilotando seus instrumentos em obras de Villa-Lobos. Staneck toca o Concerto para Harmônica (1955) de Villa-Lobos e Gandelman, a Fantasia para Saxofone e Orquestra. Duas obras que reforçam os laços criativos do compositor das Bachianas com a música popular e suas linguagens e instrumentos.

Staneck calcula ter tocado essa obra mais de 40 vezes – mas agora estará usando um material diferente:  pela primeira vez, vai trabalhar com uma partitura com correções do próprio compositor.

– A Osesp me apresentou essa cópia com correções manuscritas feitas por Villa-Lobos, muitas delas inclusive idiomáticas, levando em consideração certas particularidades do instrumento – conta Staneck.

O carioca conta que a obra, encomendada pelo americano John Sebastian a Villa, foi tocada pela primeira vez em Washington, com a Orquestra Sinfônica da Força Aérea dos Estados Unidos, dirigida por Guillermo Espinosa – mas a estreia marcante acabou sendo em Jerusalém, pela gaita de Larry Adler, em 1959. A estreia de Staneck como solista desse concerto remonta a 1986.

– Fiz essa obra com a então poderosa Orquestra Sinfônica da Paraíba, com regência de Carlos Veiga. Outra passagem marcante foi o concerto com regência do [Isaac] Karabtchevsky em Caracas, com a sinfônica jovem de lá.

O tema, “emocionante” na definição de Staneck, marca essa peça criada nos anos finais de Villa-Lobos. O crítico Luiz Paulo Horta, em 1987, comparou esse concerto a outra obra do repertório latino: “…o Concerto para gaita que José Staneck interpretou magistralmente com a Sinfônica Brasileira: podia ser o nosso Concerto de Aranjuez. Staneck concorda: a emoção está subjacente em toda a peça.

– Apesar disso, o caráter impressionista lembra mais o início da carreira do compositor – analisa a o músico. – Isso, apesar do último movimento entrar como uma festa para os ouvidos.

José Staneck vem tratando de, em suas palavras, “ instigar os compositores”.

– Nunca encomendei propriamente uma obra, mas 18 peças já foram dedicadas a mim, de compositores como Koelreutter, Ebgerto Gismonti, Dimitri Cervo. É um legado.

 

 

3 AGO – 21h; 4 AGO – 21h; 5 AGO – 16h30

ORQUESTRA SINFÔNICA DO ESTADO DE SÃO PAULO

GIANCARLO GUERRERO – REGENTE

JOSÉ STANECK – GAITA

LEO GANDELMAN – SAXOFONE

 

Marlos NOBRE – Passacaglia

Heitor VILLA-LOBOS – Concerto para Harmônica e Orquestra / Fantasia para Saxofone e Orquestra

Carlos CHÁVEZ – Sinfonia Índia